Bad Bunny defende América Latina e desafia Trump

Bad Bunny ergueu a bandeira de Porto Rico no estádio Levi’s de Santa Clara, na Califórnia. Premiado recentemente no Grammy, defendeu “Fora Ice”, condenando a política de perseguição aos imigrantes

Ao valorizar a riqueza da cultura da região no show de intervalo do Super Bowl – a final do campeonato de futebol norte-americano – o cantor porto-riquenho foi contestado de forma doentia pelo ditador norte-americano como “afronta à grandeza da América”

Em mais um de seus surtos, o presidente dos EUA, um irritadíssimo Trump, voltou à cena no domingo (8) para esbravejar contra o espetáculo do cantor porto-riquenho Benito Antonio Ocásio Martínez, popularmente conhecido como Bad Bunny, no intervalo do Super Bowl, a final do campeonato de futebol norte-americano, no estádio Levi’s de Santa Clara, na Califórnia.

Críticas do presidente dos EUA ao espetáculo da final do campeonato norte-americano reacenderam o debate sobre políticas de imigração e identidade latino-americana nos EUA. Trump criticou cantor portorriquenho após apresentação no domingo (8).

“O show do intervalo do Super Bowl foi absolutamente horrível, um dos piores da história. Não fez qualquer sentido, foi uma afronta à grandeza da América e não representa nossos ideais de sucesso, criatividade ou excelência. Ninguém entende uma palavra do que esse cara fala e a dança é nojenta, especialmente para as crianças que estão assistindo nos EUA e no mundo”, declarou Trump. Segundo ele, apesar disso, a “mídia fake news terá ótimas avaliações, porque não têm ideia do que está acontecendo no mundo real”. Na verdade, assegurou, “foi uma péssima decisão”.

Um pouco antes do evento, devido as críticas do cantor à política ao Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), um assessor da Casa Branca  chegou a ameaçar o envio de agentes federais ao local, na tentativa de intimidar o enorme público latino.

Na mesma linha, aliados de Trump também atacaram o fato do show ser majoritariamente em espanhol, questionado sobre uma identidade nacional e verdadeira “cultura americana”.

TRUMP ESTÁ DESESPERADO COM BAD BUNNY

A declaração de Trump se explica como reação desesperada a Bad Bunny, um dos grandes fenômenos da música atual, que tem colocado sua popularidade em favor da política de valorização da América Latina e por intervenções contra a política anti-imigração do governo.

Numa das músicas, o cantor – que apresenta grande parte das músicas em espanhol – narra como o imperialismo afetou a identidade e a cultura do Havaí, território que se tornou parte dos EUA em 1898. Ele diz que “não quer que façam” com Porto Rico o que foi feito com o arquipélago havaiano.

De forma enfática, aproveitou para definir o que é a América: “Ou seja: Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru, Equador, Brasil, Colômbia…” e citou todos os países do continente americano, incluindo os Estados Unidos e “minha terra mãe, Porto Rico”.

Conforme reconheceram vários veículos de comunicação, durante o intervalo no evento esportivo os espectadores silenciaram seus aplausos não apenas para dançar ao ritmo da salsa, do reggaeton e do plena –  ritmo folclórico porto-riquenho, mas também para prestar atenção aos múltiplos símbolos que evocam as lutas passadas e presentes da “ilha do encantamento”.

Ao receber o prêmio Grammy 2026 de Melhor Álbum de Música Urbana por seu álbum “DeBÍ TiRAR MáS FOToS” (“Deveria ter tirado mais fotos”), no início de fevereiro, Bad Bunny atacou o clima de violência e perseguição imperante pelos agentes do Serviço de Imigração e Alfândega. “Antes de agradecer a Deus, vou dizer: Fora, ICE! Não somos selvagens, não somos animais, não somos estrangeiros. Somos seres humanos e somos americanos”, enfatizou o cantor, sendo ovacionado pela plateia.

BUNNY CONDENA STATUS DA ILHA COMO COLÔNIA

Porto Rico é uma pequena ilha no Caribe, ocupada desde o século XIX pelos Estados Unidos. Com isso as pessoas que nascem no território possuem a cidadania norte-americana, mas não desfrutam do mesmo status político ou orçamentário.

Assim, os porto-riquenhos não têm direito de votar nas eleições dos EUA, incluindo para presidente ou deputados. Porém, é o Congresso norte-americano que manda na ilha: controla as Forças Armadas e inclusive as relações de comércio que Porto Rico tem com o mundo todo.

Em seu mais recente álbum, Bad Bunny traz músicas condenando esse status da ilha e fala dos protestos e da luta por autonomia, como na canção “Lo que le pasó a Hawaii” (“O que aconteceu no Havaí”, em tradução livre e em referência à anexação da ilha pelos EUA).

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