“Problema central das contas públicas são os juros estratosféricos”, diz Gleisi

Ministra de Estado Chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência Gleisi Hoffmann. (Foto: Valdenio Vieira - SEAUD-PR)

Segundo a ministra, esse é o caminho para equilibrar as contas públicas com justiça social. Ela também defendeu o aumento real de salários e das aposentadorias
Gleisi Hoffmann, ministra da Secretaria de Relações Institucionais, voltou a falar sobre a taxa Selic praticada pelo Banco Central (BC) e, dessa vez, colocou o dedo na ferida ao afirmar que “o problema central das contas públicas são os juros estratosféricos”, diante da cobrança frenética do chamado mercado e de setores da grande mídia para o governo controlar as contas públicas através do corte nos gastos sociais.

“O problema central das contas públicas são os juros estratosféricos que impactam no crescimento da dívida. Não tem superávit fiscal que resolva isso”, afirmou.

O ministro da Fazenda, Fernando Hadadd, já havia respondido à inquietação quanto ao crescimento da dívida pública, esclarecendo que o endividamento do Estado está sendo turbinado pelos encargos decorrentes da manutenção da taxa de juros em 15% anuais, uma das maiores do mundo, que afeta o orçamento, represando os investimentos e os gastos sociais.

Gleisi lembrou, ainda, que os juros mantidos nesse patamar limita o crescimento do país com impactos na área social. Segundo ela, ajustes fiscais tradicionais ignoram o papel decisivo da política monetária no desempenho da economia e o papel da renda dos trabalhadores nesse processo.

“Garantir o aumento real dos salários e da renda, inclusive dos aposentados, é essencial para promover o crescimento do país com um mínimo de justiça social”, argumentou. Na mesma linha, reforçou que “garantir a concessão dos benefícios, dentro das regras estabelecidas, também é um direito das pessoas”.

A solução, segundo Gleisi, não é focar excessivamente em metas de superávit, incapazes de resolver a questão estrutural das contas públicas.

A ministra rejeitou, também, de forma incisiva, a proposta oriunda do mercado para transferir o custo dos ajustes fiscais para a população mais vulnerável.

E apontou a solução:

“É cortando os juros, e não a renda e as aposentadorias, que vamos cuidar da saúde das contas públicas”, defendendo, ainda, os investimentos públicos como motor do crescimento econômico.

Gleisi argumentou que o desenvolvimento sustentado do país só será possível com a superação de limitações fiscais que engessam a economia.

“O desenvolvimento sustentado virá com a retirada dos investimentos de qualquer trava, arcabouço, limite fiscal. Essa é uma discussão imperativa para um projeto de país”, defendeu.

Ela resgatou, ainda, a capacidade do presidente Lula de buscar crescimento econômico com inclusão social na condução da política econômica.

“O presidente Lula provou, mais uma vez, que sempre tratou as contas públicas com responsabilidade, priorizando o controle da inflação”.

RENTISMO NA CONTRAMÃO DO CRESCIMENTO

Os bancos e rentistas, entretanto, continuam insistindo em manter a Selic nas alturas e projetam uma queda mínima da taxa para o final deste ano: 12,25%, o que significa que o governo, mantida essa tendência, continuará gastando rios de dinheiro para administrar a dívida pública. Nos últimos 12 meses, quase R$ 1 trilhão, ou seja, algo em torno de 10% do PIB, foram consumidos, em detrimento dos investimentos públicos e gastos sociais.
Em março, quando o Copom volta a se reunir para decidir sobre a Selic, a previsão é de que o ritmo de redução comece com 0,25 ou 0,50 ponto percentual, o que, diante da queda da inflação, praticamente não alterará os juros reais, que é o que importa para avaliar a dimensão dos gastos do governo com essa verdadeira orgia financeira que só enriquece os que especulam com os títulos públicos.
As estimativas mais otimistas indicam que essa redução prevista ao longo de 2026 representará uma economia de cerca de R$ 50 bilhões com as despesas do governo por ano, o que ainda é muito pouco diante das imensas demandas do país, especialmente nos programas de reindustrialização (NIB) e de crescimento econômico (Novo PAC).

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