EUA matam 2 em novo ataque a barco nas proximidades da Venezuela e Colômbia

Barco filmado instantes antes do ataque (Comando Sul)

O Comando Sul das Forças Armadas dos EUA, anunciou nesta segunda-feira (9), mais um bombardeio contra uma embarcação no Pacífico, matando 2 tripulantes. Há apenas uma pessoa que sobreviveu. Sem provas – como nos ataques anteriores – eles acusaram os tripulantes da embarcação de tráfico de drogas e terrorismo, os militares americanos logo depois entraram em contato com a Guarda Costeira dos EUA para fazerem as buscas pelo sobrevivente.

As nacionalidades dos tripulantes atacados não foram divulgadas ou o paradeiro do sobrevivente.

“Em 9 de fevereiro, na direção do comandante do USSOUTHCOM [Comando do Sul], Gen. Francisco L. Donovan, ‘Força-Tarefa Conjunta Southern Spear’ realizou um ataque cinético letal em um navio operado por organizações terroristas designadas. A inteligência confirmou que a embarcação estava transitando ao longo de rotas de narcotráfico conhecidas no Pacífico Oriental e estava envolvida em operações de narcotráfico. Dois narcoterroristas foram mortos e um sobreviveu ao ataque. Após o ataque, o USSOUTHCOM notificou imediatamente os EUA, a Guarda Costeira para ativar o sistema de Busca e Salvamento para o sobrevivente”, postou o dito Comando na rede social X.

Desde setembro do ano passado, os EUA realizam uma guerra no mar próximo à Venezuela e Colômbia, com uma série de ataques contra embarcações no mar do Caribe e no Pacífico, acusando previamente e sem apresentar nenhuma evidência de serem “narcoterroristas”, eles atacaram 37 embarcações e mataram 121 pessoas, cujos familiares afirmam ser pesacadores.

Os ataques a barcos nas costas da Venezuela e da Colômbia fazem parte da agressão direcionada aos países caribenhos que têm se posicionado de forma soberana frente a Washington. Como é seu costume, Trump deu a mesma justificativa para deslocar navios de guerra à região, dizendo que o narcotráfico coloca os EUA em “risco de segurança”.

A Venezuela, que já sofria com uma série de sanções pelos Estados Unidos, teve seu presidente, Nicolás Maduro, sequestrado, junto com sua esposa Cilia Flores. Passou também a sofrer bloqueio naval paralisando o provimento de petróleo ao país.

ONU DENUNCIA EXECUÇÕES EXTRAJUDICIAIS

A ilegalidade da campanha, que oficialmente visa cartéis que abastecem o tráfico de drogas nos Estados Unidos, gerou um intenso debate tanto em nível internacional como nos círculos políticos do país. Especialistas e funcionários da ONU denunciaram os ataques como sendo execuções extrajudiciais e uma violação flagrante das leis dos conflitos armados.

As famílias de dois cidadãos de Trindade e Tobago, mortos num ataque contra um barco em outubro, processaram o Governo federal dos Estados Unidos, classificando o atentado como um crime de guerra e parte de uma “campanha militar dos EUA sem precedentes e manifestamente ilegal”. Este é o primeiro caso judicial tornado público decorrente da campanha militar e poderá testar a justificação legal dos ataques.

A família de Alejandro Carranza, pescador colombiano assassinado em um dos ataques militares dos EUA no mar do Caribe, em 15 de setembro, também entrou com uma denúncia formal na terça-feira (2), desta vez na Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

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