O brado de “Fora Herzog” tomou conta da manifestação na maior cidade australiana e também levou milhares a ocuparem o centro da segunda cidade em população, Melbourne
O presidente do regime de apartheid de Israel, Isaac Herzog, foi rechaçado por manifestações em diversas cidades australianas, as maiores em Sydney e Melbourne.
A marcha partiu da Câmara Municipal da cidade e se dirigiu para a Assembleia Legislativa do Estado de Gales do Sul, onde se encontra localizada a cidade de Sydney.

A manifestação também comportou multidão em Melbourne, no Segundo dia de visita de Herzog.
Os organizadores do protesto ressaltaram que o israelense foi considerado responsável por incitar ao genocídio de palestinos em Gaza. Eles lembraram que em setembro do ano passado, uma Comissão de Inquérito Independente Internacional sobre os Territórios Palestinos Ocupados concluiu Herzog “incitou ao cometimento de genocídio” ao dizer que os palestinos, em geral, foram responsáveis pelo ataque de 7 de outubro de 2023, realizado pela Resistência Palestina liderada pelo Hamas.
“O president Herzog desencadeou imenso sofrimento sobre os palestinos em Gaza por mais de dois anos – de forma aberta e com total impunidade”, delarou a seção australiana da Anistia Internacional, que acrescentou: “Dar as boas-vindas ao presidente Herzog como visita oficial mina o compromisso da Austrália com a responsabilização e justiça. Não podemos permanecer em silêncio”.
Um dos manifestantes, entrevistado pela Al Jazeera, repudiou o massacre da praia australiana de Bondi, que matou 15 judeus que celebravam a festa de Hanukah, mas destacou que “o massacre de Bondi foi terrível, mas o governo da Austrália não tomou conhecimento da matança dos palestinos, particularmente os de Gaza. Ele descartou todas as questões sobre a ocupação e diz que sua visita é sobre relações entre Austrália e Israel, mas é cúmplice nos crimes de Israel”.
Prestar homenagem aos mortos em Bondi foi o pretexto para o convite a Herzog que, na cerimônia em que depositou uma coroa de flores, não podia ser mais cínico: “Este ataque também foi sobre todos os australianos. Atacaram os valores que são o tesouro das nossas democracias – a santidade da vida humana, a liberdade de religião, tolerância, dignidade e respeito. Estou aqui para expressar solidariedade, amizade e amor”, disse o criminoso com as mãos sujas de sangue palestino.
A desfaçatez é tanta que o Conselho Judaico da Austrália espediu uma carta aberta, nesta segunda-feira (9), assinada por mais de 1.000 acadêmicos judeus australianos e líderes comunitários conclamando o premiê a cotar a continuidade da visita de Herzog, que ainda deve visitar a capital Canberra.
Reprimida pelo governo que lançou a polícia sobre os manifestantes, a manifestação em Sydney converteu-se em uma zona de guerra nesta segunda-feira (9), com a polícia usando e abusando de bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta, cavalos e cacetetes.
Os grupos de direitos humanos da cidade “protestaram contra a brutalidade policial” e defenderam a renúncia das autoridades governamentais devido à “repressão violenta” desencadeada contra a marcha de 50 mil manifestantes. Além de ativistas da sociedade civil foram agredidos parlamentares e repórteres, na tentativa de silenciar a denúncia da política de terrorismo de Estado implementada pelo regime israelense, seja na Faixa de Gaza ou na Cisjordânia.
Abigail Boyd, parlamentar do Partido Verde, na oposição, afirmou ter sido agredida por policiais durante o protesto e ter presenciado a violência policial ser utilizada de forma descarada. “A polícia simplesmente corria em direção a grupos de pessoas e as encurralava em uma área”, descreveu Boyd aos jornalistas. Para conter a marcha, explicou, o governo australiano estabeleceu uma área da cidade como “zona proibida”.
APÓS DERRUBADA, PARLAMENTAR RECEBEU SOCOS NA CABEÇA E NO OMBRO
“Havia um grupo de pessoas que estavam orando, pois era o horário da oração da noite. Eram talvez umas doze. Estavam orando pacificamente e ficou claro que a polícia queria dispersá-las no meio da oração”, informou a parlamentar, relatando como passou a ser agredida logo em seguida. “Fui erguida do chão e, como vocês podem ver no vídeo, enquanto eu tentava recuperar o equilíbrio, outro policial me deu um soco na cabeça e, em seguida, outro me deu um soco no ombro”, descreveu.
“Não entendo como isso pode ser considerado uma resposta proporcional. Eu não estava fazendo nada de errado. Nem ninguém ao meu redor. Eles simplesmente entraram e agarraram essas pessoas que estavam orando. Não há nada mais pacífico do que a oração. Pegá-las e jogá-las no chão novamente foi um absurdo”, acrescentou Boyd.
“HORRORIZADOS COM O USO EXCESSIVO DA FORÇA POLICIAL”
O grupo australiano de justiça racial Democracy in Colour declarou estar “horrorizado” com o “uso excessivo da força policial” contra quem protestava contra a visita de Herzog. “O que vimos ontem à noite foi uma demonstração violenta do poder estatal, concebida para silenciar pessoas que protestavam pelos direitos humanos”, disse Noura Mansour, diretora da entidade. “Ver a polícia usar spray de pimenta contra manifestantes pacíficos e agredir pessoas em meio a uma oração é uma profunda violação da dignidade e um ataque direto aos direitos democráticos”, assinalou.
Israel lançou sua guerra genocida contra Gaza em 8 de outubro de 2023, com o apoio político e militar do governo dos Estados Unidos, assassinando mais de 72.032 pessoas – 600 mortas após o último cessar-fogo em outubro de 2025 – e deixando mais de 170 mil feridos, cerca de seis mil amputadas – grande parte crianças.











