Secretário do Comércio de Trump agora diz que foi à “Ilha Pedô” de Epstein para “férias em família”

Secretário do governo Trump agora admite que "almoçou" na ilha de Epstein (Samuel Corum/Guardian)

Após ter dito que não se envolvia com o pedófilo Jeffrey Epstein desde 2005, o secretário de Comércio do governo Trump, Howard Lutnick, em relato a uma comissão do Senado, admitiu que “em 2012” – quando o pervertido já havia sido condenado e fichado – esteve na tristemente famosa Ilha de Saint James (mais conhecida entre os convivas como Ilha Pedô) para “passar férias em família”.

Parlamentares andam pedindo a imediata renúncia de Lutnick, que vem sendo defendido pelo próprio Trump, que não viu nada demais nisso tudo. Documentos do Departamento de Justiça flagraram os planos de viagem de Lutnick.

Ele descreveu a visita como um almoço durante férias em família: “Almocei com ele em um barco durante férias em família; minha esposa estava comigo, assim como meus quatro filhos e as babás”, disse ele a uma subcomissão de Orçamento.

Ele afirmou que “a única coisa” que viu na ilha foram “funcionários que trabalhavam para o Sr. Epstein”.

O secretário também foi questionado sobre e-mails internos nos quais o contador de longa data de Epstein encaminhou o currículo de uma das babás de Lutnick e tentou marcar uma reunião com ela em 2013, um ano após a viagem.

Questionado se essa babá havia estado na ilha, ele respondeu que “não fazia ideia”. Ele acrescentou que Ghislaine Maxwell não estava na ilha quando ele a visitou.

Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça mostram que Lutnick e Epstein, que eram vizinhos em Manhattan, continuaram trocando mensagens até 2018.

Mesmo assim, ele insistiu aos senadores: “Eu não tinha nenhum relacionamento com ele”. O democrata Jeff Merkley expressou abertamente dúvidas sobre a veracidade dessa versão dos fatos, destacando as contradições entre suas declarações atuais e passadas.

Em uma entrevista concedida no ano passado ao podcast Force One, Lutnick relatou como se mudou para uma casa ao lado da de Epstein em 2005 e como ele e sua esposa ficaram tão perturbados que concordaram em nunca mais estar no mesmo cômodo que ele. “Nem mesmo por filantropia.”

Na coletiva de imprensa da Casa Branca na terça-feira, a secretária de imprensa Karoline Leavitt asseverou que Lutnick “continua sendo um membro muito importante da equipe do presidente Trump ” e que o presidente “apoia totalmente a secretaria”.

Afinal, o que são umas “férias em família”, comparadas com aquelas fotos de “best friends” de Trump com Epstein, já com Melania e a cafetina Ghislaine Maxwell, depois daquelas “festinhas das meninas do calendário” em Mar a Lago e das efusivas retribuições em Palm Beach.

DEPRAVAÇÃO TRANSATLÂNTICA

Os arquivos de Epstein continuam fazendo estragos também do outro lado do Atlântico, com o chefe de gabinete do premiê Starmer, Morgan McSweeney, forçado a renunciar após o escândalo da revelação que o ex-ministro Mandelson, que chegou a ser embaixador inglês em Washington, recebeu pagamentos de Epstein, e que Starmer sabia, ao nomeá-lo. Aliás, também o marido de Mandelson foi agraciado com pagamentos.

Mandelson manteve a intimidade com Epstein até muito depois que já não havia como ocultar sua depravação.

Ao ser cobrado no parlamento britânico pelo escândalo, Starmer tremia tanto que precisou segurar uma mão com a outra, enquanto balbuciava explicações aos enfurecidos deputados. Já o rei Charles III precisou mandar despejar de um palácio o pedófilo caído em desgraça, seu irmão Andrew, convidado frequente da mansão de Epstein.

E os estragos não param. A embaixadora norueguesa na Jordânia, Mona Juul, renunciou após ser revelado que seus dois filhos foram contemplados pelo testamento de Epstein com US$ 10 milhões.

As autoridades norueguesas abriram uma investigação de corrupção sobre o ex-primeiro-ministro e ex-presidente do Comitê do Nobel da Paz, Thorbjom Jagland, cujos contatos com Epstein foram até 2018 e inclusive discutiram sociedade.

 Também a princesa herdeira norueguesa, Mette-Marit, pediu perdão em público pelo “erro de julgamento” com Epstein. Ela trocou centenas de e-mails com ele entre 2011 e 2014.

Surpresa: uma duquesa sueca, Sofia, também debutou nos arquivos de Epstein, e teve de confirmar os encontros com ele em “alguns contextos sociais” em 2005 e que chegou a ser convidada a conhecer sua ilha particular.

CALEIDOSCÓPIO DE PESADELO

Em Moscou, a porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, classificou os arquivos de Epstein um “caleidoscópio de pesadelo” em “toda a sua perversão repugnante”.

“O que nos chocou não foi como eles são, porque, em princípio, já sabíamos disso, mas sim que, de repente, tudo o que tínhamos dito deixou de exigir qualquer esforço adicional para ser explicado”, disse ela.

“Bill Clinton não é apenas um ex-presidente dos EUA — embora, pelo que entendi, ele já fizesse parte desse grupo durante sua presidência — mas também era, por assim dizer, marido da candidata à presidência e marido da Secretária de Estado”, citou como exemplo. Não apenas esses, mas também gigantes globais das Big Techs, das finanças e de outras áreas.

“Estes não são casos isolados, nem mesmo revoluções coloridas ou simples golpes de Estado, mas um caleidoscópio de pesadelo que estava em constante movimento”. “Tudo isso era absolutamente normal durante várias décadas e envolvia os principais líderes de uma série de estados”, concluiu.

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