Renildo defende indústria forte para que Brasil se beneficie mais do acordo Mercosul/UE

Deputado federal Renildo Calheiros (PCdoB-PE) em reunião da Comissão do Parlasul. (Foto: Saulo Cruz/ Agência Senado)

Deputado federal afirmou que considera o acordo importante e denunciou os privilégios dados ao sistema financeiro no país. Ele pediu um debate mais amplo sobre como preparar o Brasil, e seu setor produtivo, para que o acordo com os europeus seja mais benéfico ao país

O deputado federal Renildo Calheiros, representante do PCdoB no Parlasul, argumentou, durante a reunião da representação do país no órgão regional, que o Brasil precisa fazer uma boa discussão sobre o acordo Mercosul/União Europeia para estar preparado para cumprir os prazos estabelecidos pelos entendimentos. Ele pediu vista, na quarta-feira (10), e interrompeu a votação do relatório apresentado pelo deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), para que o debate seja feito. A matéria, em análise pelo Congresso Nacional, deverá voltar à pauta de votação na semana depois do carnaval.

“O Brasil é um país que busca, ao meu ver menos que o necessário, se industrializar e exportar os produtos dessa industrialização, sem perder a sua capacidade, muito forte, em produtos derivados do nosso campo, da atividade desenvolvida no campo no Brasil. E o Brasil procura desenvolver sua indústria e exportar para os EUA, para a Europa e para todo lugar, sem perder a sua capacidade no que a gente chama de agroindústria”, argumentou.

“Contudo”, prosseguiu Renildo, “esses países mais desenvolvidos, que visam também vender os seus produtos, procuram encontrar condições de segurança alimentar, de não ficarem completamente desprotegidos, visando as questões de suas próprias soberanias”. “Então isso é que marca as relações comerciais entre as nações. Cada um procura desenvolver as suas vantagens e diminuir as suas desvantagens”, prosseguiu o parlamentar, destacando que a indústria brasileira precisa ser fortalecida.

“Esse acordo eu considero importante, mas acho insuficiente e não compreendo a pressa com que nós estamos tratando essa matéria. Na Europa isso ainda está judicializado. Não sabemos sequer quando isso vai ser concluído e não devemos retirar de nós mesmos o tempo suficiente para debatermos o assunto, que não deve ficar só aqui e nem só no Congresso Nacional, deve ser debatido na sociedade brasileira”, defendeu Renildo.

O deputado alertou que “o Brasil após concluir esse acordo, precisa ter uma agenda com uma grande tarefa, com um grande propósito, de chegar nas datas estabelecidas nos acordos em outras condições”. “Eu tenho aqui uma série de preocupações em notas que recolhi da CNI, da Fiesp, da Abimaq, da Abiquim, da Abinee, que levantam uma série de preocupações, que não negam a importância do acordo, mas levantam preocupações com áreas do Brasil que serão duramente afetadas se o Brasil não correr contra o tempo nesse calendário apertado”, afirmou o deputado pernambucano.

Renildo advertiu também que “no Brasil tem prevalecido o interesse do sistema financeiro e não o interesse de uma política arrojada de desenvolvimento nacional”. Ele denunciou a ação institucional em defesa do sistema. “Anos atrás o Tribunal de Contas determinou que os bancos públicos devolvessem ao Tesouro 200 bilhões de reais, com a visão ridícula de tentar diminuir o,2% da dívida pública. Quando o investimento desses 200 bilhões de reais poderiam gerar até mais de 1% de crescimento econômico”, apontou.

“Agora há pouco”, prosseguiu o parlamentar, “o Tribunal de Contas se apresenta de novo, tentando proibir o FNDCT [Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico] de fazer empréstimos abaixo da Selic julgando isso um subsídio oculto. Então veja que mentalidade. Funciona como guardião dos interesses do sistema financeiro e não do setor produtivo do país. E não da industrialização do país. Quando se manifesta fora da análise fria das contas é representando os interesses do sistema financeiro”.

“Por tudo isso, senhor presidente, considerando o debate aqui realizado insuficiente, não tenho a mesma pressa que as senhoras e os senhores revelam, e por isso quero apresentar um pedido de vista. Não considerem isso um prejuízo. Isso vem em favor de mais debate, de mais esclarecimentos para que a sociedade brasileira tome conhecimento da importância do acordo. Mas dos desafios que ele estabelece, que coloca diante de nós e que haverá de ser enfrentado pelos nossos governos, porque é um período que vai de 4 até 15 anos, pela sociedade brasileira e pelo setor produtivo”, argumentou o deputado.

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