Sindicato e Avibrás voltam a negociar retomada da fábrica, prevista para março

Reunião dosdirigentes e advogados do Sindicato com os representantes da Avibras. Foto: Paulo Sam

Em nova rodada de negociações com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, a Avibrás Indústria Aeroespacial reafirmou a intenção de retomar as atividades da fábrica de Jacareí no dia 16 de março. A sinalização foi dada durante reunião realizada nesta quarta-feira (11), na sede da entidade sindical.

No encontro, o Sindicato voltou a cobrar o pagamento de 35 salários atrasados, além do depósito do FGTS e das contribuições ao INSS. A entidade também reivindicou que a empresa apresente os valores a serem pagos a cada trabalhador, para dar continuidade às negociações. Segundo a Avibrás, o reprocessamento da folha de pagamento deve ser concluído até esta sexta-feira (13).

Os representantes da empresa informaram ainda que apresentarão corretamente os informes de rendimentos referentes a 2025 e que retificarão, até abril, os informes relativos ao período de 2022 a 2024. Uma nova reunião com o Sindicato foi marcada para o dia 23 de fevereiro.

A retomada das atividades está condicionada à conclusão da proposta de pagamento das dívidas trabalhistas e à resolução da recuperação judicial em tramitação no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. A Avibrás informou ainda que tem uma reunião agendada com o governo federal para o dia 2 de março.

“Demos mais um passo em direção à retomada da Avibrás, e isso é muito importante. Nesses quatro anos de luta, infelizmente, o governo federal só fez promessas vazias e não apresentou medidas concretas em favor dos metalúrgicos, mesmo com o caráter estratégico da empresa. O Sindicato segue cobrando o governo”, afirmou o presidente do Sindicato, Weller Gonçalves.

A situação da Avibrás também foi discutida em reunião entre o Sindicato e o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, no fim de janeiro. No encontro, Alckmin informou que o governo está empenhado em fechar um contrato entre o Exército e a empresa, no valor de R$ 900 milhões, por cinco anos.

Segundo o vice-presidente, a confirmação do valor deve ocorrer após a conclusão da negociação entre o Sindicato e a Avibrás sobre o pagamento das dívidas trabalhistas. Pelo planejamento apresentado, o início das atividades está previsto para março, com o retorno inicial de 210 trabalhadores, enquanto outros 240 seriam reintegrados a partir de junho, caso o calendário seja mantido

Na ocasião, o Sindicato afirmou que esse foi o terceiro encontro da entidade com Alckmin e representantes do governo federal desde o início da crise na empresa, quando voltou a cobrar a estatização da Avibrás ou a assinatura de um contrato emergencial para garantir a retomada da produção. “Já estamos há quatro anos nesta luta e defendemos a estatização da Avibrás. Se o governo não assumir a empresa, tem de pelo menos garantir os contratos para que a fábrica seja retomada”, afirmou o presidente do Sindicato, Weller Gonçalves.

A entidade reforçou também durante a reunião com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, a importância da criação de empregos e do pagamento das dívidas com os trabalhadores. “A geração de empregos e o pagamento das dívidas com os trabalhadores é mais do que obrigação. Seguiremos cobrando até que as promessas sejam cumpridas”, completou.

Os trabalhadores da Avibrás estão em luta por empregos e salários desde março de 2022, em uma das mobilizações mais longas da categoria metalúrgica.

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