Entidades, movimentos sociais, sindicatos e personalidades progressistas de toda a América anunciaram que, a exemplo da Flotilha Gaza Sumud, está sendo organizada a “Flotilha Nossa América”, que pretende no espaço de um mês romper o bloqueio a Cuba, recém agravado pela ditadura Trump a ponto de proibir o fornecimento de petróleo à Ilha, e levar ajuda humanitária à população cubana, que vive um momento especialmente difícil de escassez e apagões.
Entre os organizadores, Thiago Avila, o brasileiro que ajudou a organizar a flotilha de Gaza, os pacifistas do Code Pink e a Internacional Progressista, de acordo com comunicado ao público. “Quando os governos impõem punições coletivas, as pessoas comuns têm a responsabilidade de agir”, disse David Adler, da Internacional Progressista.
Diante do agravamento do bloqueio por Trump, as entidades e movimentos organizadores reiteram “o direito de cada nação de viver, se desenvolver e decidir seu próprio futuro livre de intimidação”. O anúncio da flotilha coincide com a chegada a Havana de dois navios com ajuda humanitária do México e com o anúncio de outros países sobre o envio de seus próprios auxílios.
Como assinalou Thiago Avila, o objetivo da missão não é apenas fornecer assistência material, mas também “transmitir a mensagem de que o povo cubano não está sozinho”, enfatizando que em ambos os territórios — Gaza e Cuba — é a população civil que sofre as consequências da punição coletiva.
A flotilha, cujo nome é inspirado no título do ensaio publicado pelo herói nacional cubano José Martí em 1891, partirá no próximo mês com um grupo de voluntários, transportando ajuda humanitária para Cuba em resposta a “uma situação que se deteriora rapidamente e ao endurecimento das sanções e restrições dos EUA”, que “interromperam as importações de combustível, cancelaram voos e forçaram a implementação de medidas emergenciais em todo o país”, disseram os organizadores.
“Estamos nos preparando para navegar até Cuba pelo mesmo motivo que nos levou à Gaza na Flotilha Global Sumud: para romper o bloqueio, entregar alimentos e medicamentos e demonstrar que a solidariedade pode cruzar qualquer fronteira ou mar”, disse Adler, membro da Internacional Progressista, um dos organizadores da Flotilha Nossa América.
“Quando os governos impõem punições coletivas, as pessoas comuns têm a responsabilidade de agir”, enfatizou Adler, que viajou para Gaza no ano passado como judeu americano.
O deputado britânico Jeremy Corbyn, membro do Conselho da Internacional Progressista, destacou que o bloqueio dos EUA “tem tentado, por mais de seis décadas, sufocar o exemplo de Cuba”, um país que, apesar da pressão econômica, construiu um sistema universal de saúde e uma expectativa de vida comparável ou superior à dos Estados Unidos, cuja política tem como objetivo justamente interromper e comprometer esses avanços.
Para Corbyn, a intensificação do cerco à ilha por Trump torna urgente exigir “o direito de cada nação de viver, desenvolver-se e decidir seu próprio futuro livre de intimidação” .
A coligação lançou um site – https://nuestraamericaflotilla.org/ – para angariar apoio e realizará a sua primeira assembleia no domingo para avançar no planejamento logístico, coordenar voluntários e gerir a aquisição de fornecimentos humanitários.
Os organizadores afirmam que o endurecimento das sanções americanas interrompeu as importações de combustível, cancelou voos e impôs medidas de austeridade em todo o país, causando apagões e limitando o acesso à gasolina, com repercussões para residências, centros médicos e infraestrutura essencial.
O anúncio da Flotilha Nossa América ocorre dois dias depois de o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, ter expressado preocupação com a crescente escassez de combustível em Cuba e seu efeito sobre a população. Ele acrescentou que a ONU está trabalhando com o governo cubano para “fornecer maior apoio” à ilha.
Desde 1992 a Assembleia Geral das Nações Unidas aprova todos os anos por ampla margem resolução pelo fim do bloqueio econômico imposto por Washington a Cuba. A iniciativa da flotilha surgiu das relações forjadas durante a recente conferência Nossa América, em Bogotá, onde governos, representantes e movimentos populares se reuniram para fortalecer a cooperação regional e resistir à agressão dos EUA.










