“Um homem que dedicou sua vida à luta por justiça social, igualdade e soberania nacional, princípios que são caros a todos nós que acreditamos em um país mais inclusivo e democrático”, disse Lula em biografia sobre o dirigente nacional do PCdoB
Renato Rabelo, dirigente político que substituiu João Amazonas na presidência do PCdoB e conduziu o partido durante a redemocratização e por muitos anos de reconstrução do país, nos deixou neste domingo (15) depois de uma tenaz luta contra a evolução de um câncer.
Mais de sessenta anos de sua vida foram dedicados à militância revolucionária. Renato foi vice-presidente nacional da União Nacional dos Estudantes (UNE), enfrentando a feroz repressão dos primeiros anos da ditadura militar de 1964. Já era militante da Ação Popular (AP) e integrou o núcleo dirigente que conduziu a integração daquela organização ao PCdoB, em 1973.
Renato foi exilado na França após a Chacina da Lapa, em 1976, quando dirigentes do PCdoB foram assassinados, presos e torturados. Ele retornou ao Brasil com a anistia de 1979. Iniciou, então, a trajetória de formulador teórico, organizador e dirigente do Partido. Nesta longa jornada, teve participação destacada nas lutas e confrontos travados pela nação e pela classe trabalhadora.
Renato foi um dos articuladores, pelo PCdoB, junto com João Amazonas, da Frente Brasil Popular (PT, PSB, PCdoB) que lançou, em 1989, a primeira candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva para presidente da República. Renato foi responsável pela elaboração das diretrizes da participação dos comunistas em governos de coalização no capitalismo, tendo em vista o convite para participar, pela primeira vez, do Ministério do governo da República.
Em seu último mandato na presidência do Partido, propôs, em 2013, o nome de Luciana Santos para sucedê-lo, diante da escalada golpista da direita neoliberal. Renato saiu a campo para construir uma frente ampla democrática.
Em 1º de abril de 2016, Renato assumiu a presidência da Fundação Maurício Grabois, na qual liderou iniciativas no estudo e enfrentamento dos fenômenos que surgiram naquele conturbado período do país.
O dirigente revolucionário teve participação destacada na fusão do PPL, antigo MR8, ao PCdoB, em 2019, no momento político em que o fascismo chegava ao poder no Brasil e ameaçava promover um retrocesso gigantesco no Brasil. Ele destacou a importância do fortalecimento do partido em sua luta contra o fascismo com a entrada de quadros que, como o PCdoB, vinham da mesma tradição histórica do marxismo/leninsimo.
O presidente Lula, na apresentação da biografia de Renato, Vida, ideias e rumos, escreveu que ele era um homem notável, “uma das figuras mais relevantes da história política do Brasil”. “Um homem que dedicou sua vida à luta por justiça social, igualdade e soberania nacional, princípios que são caros a todos nós que acreditamos em um país mais inclusivo e democrático.”
Como disse Ronald de Freitas, amigo e companheiro de longa data de Renato, o dirigente do PCdoB “foi um político com P maiúsculo. Militante exemplar; dirigente competente; formulador político destacado”.
“Renato entretanto, como poucos, soube aliar sua vida militante, com a vida familiar, tendo em Conchita, companheira e esposa, e nos filhos Nina e André, um suporte afetivo – emocional, que amenizavam os momentos de aspereza da vida clandestina”.
Renato deixa a esposa, Conceição Leiro Vilan, a estimada camarada Conchita, e dois filhos, André e Nina. Os funerais de Renato Rabelo estão previstos para segunda-feira (16), a partir das 8h às 12h horas, no Palácio do Trabalhador, rua Galvão Bueno, 782, bairro da Liberdade, próximo à estação São Joaquim do Metrô, em São Paulo.
Seguem abaixo as mensagens recebidas pelo HP
Mensagem do partido
O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) comunica, com imensa dor, o falecimento aos 83 anos de idade de Renato Rabelo, um dos mais importantes dirigentes de sua história centenária, do qual foi presidente de 2001 a 2015. Nos últimos três anos, Renato dedicou-se a cuidar da saúde, sem deixar de contribuir com o PCdoB. No período mais recente, lutou de modo tenaz contra a evolução de um câncer. O seu coração parou de bater na manhã deste domingo, 15 de fevereiro de 2026.
Ao mesmo tempo, o PCdoB manifesta condolências à esposa, Conceição Leiro Vilan, a estimada camarada Conchita, a seus filhos, André e Nina, aos demais familiares e aos amigos/as. Expressa o sentimento de consternação de toda a militância comunista que, em homenagem a Renato, inclina a bandeira verde e amarela da pátria, entrelaçada com os estandartes vermelhos da revolução e do socialismo. E acolhe no peito os sentimentos, os pêsames que chegam do país e do exterior e pulsam nas redes sociais.
Foram mais de sessenta anos de militância revolucionária. Renato foi vice-presidente nacional da União Nacional dos Estudantes (UNE), enfrentando a feroz repressão dos primeiros anos da ditadura militar de 1964. Já era militante da Ação Popular (AP) e integrou o núcleo dirigente que conduziu a integração daquela organização ao PCdoB, em 1973.
Soma, desde então, mais de meio século como liderança destacada do núcleo nacional de direção do PCdoB, personalidade respeitada do campo político democrático, patriótico e popular e do conjunto da esquerda. Nesta longa jornada, teve participação de proa nas lutas e confrontos travados pela nação e pela classe trabalhadora.
Exilado na França, na conjuntura da Chacina da Lapa, em 1976, quando dirigentes do PCdoB foram assassinados, presos e torturados, retornou ao Brasil com a anistia de 1979. Nesse período, conviveu com João Amazonas, histórico ideólogo e construtor do PCdoB, e outros dirigentes comunistas. Iniciou, então, a trajetória de formulador teórico, organizador e dirigente do Partido.
Sua respeitabilidade se firmou também no cenário internacional. Participou ativamente de debates e elaborações, visitou organizações comunistas, revolucionárias e patrióticas de vários países, e recebeu, no Brasil, diversas lideranças, fortalecendo laços de amizade e cooperação, tendo como fio condutor a luta anti-imperialista. Dedicou-se, em especial, ao fortalecimento das relações do PCdoB com os países socialistas, notadamente, China, Vietnã e Cuba.
Sua maior obra é o aporte de ideias e formulações ao acervo teórico, político e ideológico do Partido, importantes contribuições teóricas e políticas que enriqueceram o seu pensamento tático, estratégico e programático, como também a práxis de sua edificação e atuação na arena da luta de classes. A isso se soma um elenco de quadros comunistas em relação aos quais o papel de Renato foi destacado para formá-los, seja na Escola Nacional João Amazonas, seja na estrutura do Partido, seja nas frentes de atuação, notadamente no movimento estudantil.
Renato, destacou-se na luta política – foi um dos articuladores, pelo PCdoB, junto com João Amazonas, da Frente Brasil Popular (PT, PSB, PCdoB) que lançou, em 1989, a primeira e marcante candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva para presidente da República, jornada que seria vitoriosa com a eleição de Lula em 2002.
Já à frente do PCdoB, sucedendo João Amazonas, Renato elaborou as diretrizes da participação dos comunistas em governos de coalização no capitalismo, tendo em vista o convite para participar, pela primeira vez, do Ministério do governo da República.
Aquele cenário que se abria representou um imenso desafio, tarefa que assumiu com a dedicação de sempre, com sabedoria política, capacidade de dialogar e agregar, convicção democrática e progressista. Foi um dos artífices das táticas políticas dos governos Lula e Dilma Rousseff, qualidade reconhecida por lideranças das forças políticas que compuseram as alianças amplas daquele período.
Na conclusão de seu último mandato na presidência do Partido, quando propôs, em 2013, o nome de Luciana Santos para sucedê-lo, diante da escalada golpista da direita neoliberal saiu a campo para construir uma frente ampla democrática.
Em 1º de abril de 2016, Renato assumiu a presidência da Fundação Maurício Grabois, na qual liderou e participou de importantes iniciativas no estudo e enfrentamento dos fenômenos que surgiram naquele conturbado período do país. Sempre com a prática da amplitude e da agregação de amplas forças em torno da resistência democrática, deixou também na Fundação preciosas contribuições teóricas e programáticas. Em 2025, foi laureado presidente de honra da Fundação, em enaltecimento às suas realizações.
O presidente Lula, na apresentação da biografia de Renato, Vida, ideias e rumos, escreveu que ele era um homem notável, “uma das figuras mais relevantes da história política do Brasil”. “Um homem que dedicou sua vida à luta por justiça social, igualdade e soberania nacional, princípios que são caros a todos nós que acreditamos em um país mais inclusivo e democrático.”
A ex-presidente Dilma Roussef afirmou, também nesse mesmo livro, que Renato era “um baiano doce de alma revolucionária, que segue o melhor da tradição comunista, combinando ação e pensamento, teoria e combate, comprometido com o desenvolvimento nacional, a emancipação do povo brasileiro e a construção do socialismo”.
Renato deixa uma rica produção política, teórica e ideológica, um magnífico exemplo de vida e de militância política, um acervo responsável pelo engrandecimento do PCdoB, pela sua respeitabilidade e pela sua força como organização protagonista na luta política nacional e internacional.
Nesse momento de dor profunda, o PCdoB reafirma que seu legado fortalece a essência do Programa dos comunistas, a luta por um Brasil soberano, democrático e socialista, para a qual contribuiu enormemente.
Quanta realização de uma vida profícua, que seguirá impulsionando a jornada revolucionária e inspirando as novas gerações de comunistas!
Revigorar, fortalecer o PCdoB com o legado de Renato Rabelo!
São Paulo, 15 de fevereiro de 2026
Nádia Campeão – presidente em exercício do PCdoB
Luciana Santos – presidente licenciada do PCdoB
Comissão Executiva Nacional do PCdoB
Mensagem da Fundação Maurício Grabois
A Fundação Maurício Grabois despede-se, com profunda tristeza e imenso respeito, de Renato Rabelo, falecido neste domingo (15). Militante comunista, dirigente histórico do Partido Comunista do Brasil e Presidente de Honra da Fundação, Renato dedicou toda a sua vida à luta por um Brasil soberano, democrático e socialista.
Renato pertence à estirpe dos que não se afastam da história quando ela se torna dura. Enfrentou derrotas sem renunciar a princípios, atravessou transformações profundas do mundo sem perder o rumo, soube renovar ideias sem romper com convicções. Sua trajetória foi marcada pela disciplina militante, pelo estudo rigoroso, pela coragem política e por uma coerência rara entre pensamento e ação.
Na Fundação Maurício Grabois, Renato foi formulador, orientador e referência. Teve papel decisivo na consolidação de um programa permanente de estudos sobre o capitalismo contemporâneo, a luta pelo socialismo e os desafios do desenvolvimento nacional. Foi mentor das bases do atual Programa Socialista do PCdoB e contribuiu de maneira duradoura para a formação política de gerações de militantes, quadros e dirigentes.
Ao lado de Maurício Grabois e João Amazonas, Renato Rabelo integra a linhagem histórica de dirigentes que sustentaram, em condições adversas, a reorganização revolucionária do Partido Comunista do Brasil, mantendo viva a chama da resistência, da soberania nacional e da esperança socialista.
A Fundação Maurício Grabois rende homenagem à memória de Renato Rabelo, expressa solidariedade à sua família, aos amigos e camaradas, e reafirma o compromisso de preservar, estudar e projetar o legado político, teórico e moral que ele nos confiou.
Inspirados por sua trajetória, reafirmamos a tarefa histórica que ele ajudou a construir:
“Instruí-vos, porque teremos necessidade de toda a nossa inteligência.
Agitai-vos, porque teremos necessidade de todo o nosso entusiasmo.
Organizai-vos, porque teremos necessidade de toda a nossa força.”
(Antonio Gramsci)
São Paulo, 15 de fevereiro de 2026
Mensagem de Carlos Lopes, vice-presidente do PCdoB
No mundo, em todos os países, existem poucos homens com a generosidade, a modéstia e a identificação com o povo, capazes de desbravar os caminhos da revolução. Tal descortínio é, realmente, conquista de poucos. No Brasil, entre estes extraordinários seres humanos, está Renato Rabelo. Alguém – acho que foi Dom Hélder – disse que as estrelas mais brilham quando mais escura é a noite. Renato é dessas estrelas que brilham intensamente na escuridão. Mostrou isso várias e várias vezes.
Na pior época da ditadura, foi um dos melhores filhos do povo brasileiro que se rebelaram contra o arbítrio e a combateram. Quando Bolsonaro ameaçava fazer o país regredir outra vez para aqueles ásperos tempos, que julgávamos superados,
Renato compreendeu, melhor do que ninguém, que era preciso concentrar forças contra o fascismo. Assim surgiu a integração do PPL ao PCdoB. Sou testemunha dessa época e da altivez humilde de Renato. Nunca vi nele um único gesto de vaidade. O que até poderia ser justo, pois, graças a ele, os egressos do PPL, como no meu caso, encontraram no PCdoB o ambiente acolhedor para somar forças e mudar, como fizeram, o destino de nosso país.
Mensagem de Ronald Freitas
RENATO: Militante e dirigente comunista.
Conheci Renato, quando nos idos dos anos 60 do século passados militamos juntos, em Salvador, na JUC (Juventude Universitária da Bahia), e a partir daí foi uma longa trajetória conjunta de militância política; na Ação Popular (AP ) e até os dias atuais no PCdoB.
Relembrar essa trajetória, em um momento tão sofrido como esse, que é o de sua partida de nosso convívio, é difícil. Embora as lembranças surjam, inúmeras e diversificadas, a emoção embarga o raciocínio e não nos permite ser capaz de expressá-las na sua plenitude.
Renato foi um político com P maiúsculo. Militante exemplar; dirigente competente; formulador político destacado.
Renato entretanto, como poucos soube aliar sua vida militante, com a vida familiar, tendo em Conchita, companheira e esposa, e nos filhos Nina e André, um suporte afetivo – emocional, que amenizavam os momentos de aspereza da vida clandestina.
Sua partida, deixa uma lacuna difícil de ser preenchida nas fileiras do PCdoB.
Porém Renato, os que aqui ficam, se espelharão no seu exemplo e darão continuidade à luta pela qual dedicou sua vida. A luta por um Brasil: soberano, independente, desenvolvido e socialmente mais justo, condição para que possamos obter a emancipação do proletariado e do povo dos grilhões do capital.
Na linha de frente dessa luta, bradaremos:
RENATO PRESENTE!
Ronald Freitas. SP 15/02/26
Mensagem das mulheres do PCdoB
É com profunda tristeza que nos despedimos do camarada Renato Rabelo.
Um homem que fez da sua vida a luta por justiça, pela igualdade e pelo fim da exploração.
Dirigente do PCdoB e seu presidente entre e 2001 a 2015, empunhou a bandeira do Socialismo como o caminho para a superação das desigualdades, principalmente a emancipação das mulheres.
Renato acreditava na força da mulher na política.
Mais do que discurso, defendeu na prática a valorização e participação das mulheres, promovendo lideranças femininas nos espaços de direção do PCdoB e contribuindo para a construção de um partido mais justo e representativo.
Renato Rabelo formou gerações de comunistas e deixa um enorme legado para a luta do povo brasileiro.
Renato Rabelo, presente!











