A denúncia partiu do secretário-geral da UNRWA, Lazarini, em coletiva realizada em Munique
“Israel continua a exercer pressão política para eliminar a UNRWA, e testemunhamos a demolição de nossa sede em Jerusalém Oriental ocupada”, denuncia o Comissário-Geral da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA).
O comissário, declara que a Agência da ONU opera sob “imensa pressão” e que Israel continua a violar o direito internacional.
Durante uma coletiva de imprensa no âmbito da Conferência de Segurança de Munique, na Alemanha, Lazzarini descreveu a situação em Gaza como “trágica”, observando que a população “está privada de quase tudo e lutando para sobreviver” como resultado do que qualificou como uma “guerra de extermínio israelense”.
Ele enfatizou que as crianças palestinas não frequentam a escola há mais de dois anos, sublinhando a importância crucial de que a UNRWA continue fornecendo serviços essenciais de saúde e educação primária e secundária a milhões de refugiados.
AÇÕES DE ISRAEL “MINAM A SOLUÇÃO DE DOIS ESTADOS”
Além disso, o diplomata alertou para a escalada da situação na Cisjordânia, onde “os israelenses, que estão se apropriando de terras palestinas, estão intensificando a violência e as confiscações de terras”. Nesse contexto, ele fez um apelo urgente à comunidade internacional para que “chame a atenção para os acontecimentos na Cisjordânia antes que seja tarde demais”, alertando que essas ações “minam o futuro da solução de dois Estados”.
A decisão do governo israelense de permitir e incentivar que seus cidadãos comprem terras na Cisjordânia ocupada está sendo saudada como uma renovada pressão na região, visando reafirmar o controle sobre áreas já ocupadas ilegalmente. “É uma receita para maior controle, desespero e violência”, escreveu Lazzarini.
ONU CONDENA “FLAGRANTE VIOLAÇÃO DO DIREITO INTERNACIONAL”
A medida foi questionada por diversas organizações internacionais que se manifestaram contra as ações de Israel na Palestina, como a ONU, por meio de António Guterres, secretário-geral da organização, que afirmou que os assentamentos israelenses “carecem de validade jurídica e constituem uma violação flagrante do direito internacional”.
Apesar da presença israelense na Cisjordânia ocupada ser considerada ilegal tanto pela Corte Internacional de Justiça quanto pela ONU, Israel continua tomando medidas para garantir o controle a região e ignora os apelos para desmantelar esses assentamentos e o muro construído principalmente em território palestino.
A UNRWA, fundada em 1949, presta assistência direta a mais de 5,9 milhões de refugiados palestinos em Gaza, Cisjordânia, Jordânia, Líbano e Síria. Seu trabalho tem sido crucial em emergências prolongadas, particularmente após a escalada do conflito em outubro de 2023. Mas, é exatamente pelo apoio à sobrevivência dos palestinos que, nem Israel nem seus aliados mais próximos, como particularmente os Estados Unidos, reconhecem esta importante função.
AS VÍTIMAS NÃO PARAM DE SURGIR
O número de vítimas da agressão israelense na Faixa de Gaza subiu para 72.051 pessoas mortas e 171.706 feridos desde o início da agressão em 7 de outubro de 2023.
Fontes médicas relataram no sábado (14) que o número total de pessoas que chegaram aos hospitais na Faixa de Gaza nas últimas 24 horas foi de 4 pessoas cujos corpos foram recuperados e 15 feridos, enquanto várias vítimas ainda estão sob os escombros e nas estradas, pois ambulâncias e equipes de resgate ainda não conseguiram chegar até elas.
As mesmas fontes indicaram que o número total de mortos desde o cessar-fogo de 11 de outubro do ano passado, diariamente rompido por Israel, subiu para 591, e o número total de feridos para 1.598, enquanto 726 corpos foram recuperados.











