“A China vai implementar completamente a tarifa zero para importações vindas de 53 países africanos desde o dia 1º de março”, declarou o presidente chinês, Xi Jinping, em sua mensagem à 39ª Cúpula da União Africana, realizada na capital da Etiópia, Adis Abeba.
O presidente chinês também enfatizou que serão tomadas medidas para reduzir os canais burocráticos nas importações vindas da África com o aperfeiçoamento do “Canal Verde”, criado especialmente para fomentar as importações do continente.
Xi Jinping também ressaltou que as medidas se inserem no apoio ao desenvolvimento independente dos países africanos.
Líderes africanos, acadêmicos e representantes da ONU saudaram as medidas chinesas
O ministro do Exterior de Uganda, Henry Okello Oryem, ressaltou as “boas oportunidades que a medida cria para o aumento das nossas exportações”.
Benard Mono, diretor geral do Banco de Desenvolvimento do Leste Africano expressou a esperança de que isso “signifique mais empregos na indústria africana”.
Jackson Mponela, diretor de produção e desenvolvimento da Companhia Futuro da Tanzânia, destacou que a medida vai reduzir os custos dos produtos tanzaneses “nos trazendo vantagem em preço e nos dará motivação para expandir a produção em escala e melhorar sua qualidade”.
Dirigindo-se à imprensa nos corredores da 39ª Cúpula da UA, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres exaltou a política de tafiga-zero para os países africanos e apelou “a todos os países desenvolvidos e aqueles com grande potencial de econômico para tomarem exatamente as mesma medida”.
“A África precisa de livre comércio para sesu produtos e não pode ser penalizada, sendo um continente com enormes dificuldades econômicas, por políticas de comércio restritivas e por tarifas que não permite aos produtos afrianos a ser competitivos”, disse ainda o diretor da ONU.
Ele condenou a “multiplicação de tarifas nos tempos recentes” para reiterar seu forte apoio a uma política que permita “uma ordem global que traga prosperidade global”.
70 ANOS DE JORNADA COMPARTILHADA
O ano de 2026 marca o 70º aniversário de relações de diplomáticas entre a China e países africanos. “Uma parceria profundamente enraizada, madura e evolutiva”, assevera a Agência de Notícias Xinhua.
É o que destaca o assessor do presidente de Zâmbia para Assuntos Financeiros e de Investimentos, Jito Kayumba: “O simbolismo da mensagem congratulatória do presidente Xi Jinping à União Africana sinaliza o compromisso, a amizade continuada e a beleza dessa camaradagem que se traduz em ação”.
Michael Ndimancho, acadêmico da Universidade de Douala, Camarões, destacou a mensagem de Xi, “no que emociona e transmite sinceridade”.
“Ao longo dos anos, o intercâmbio China-África, com a cooperação na redução da pobreza, na segurança alimentar, industrialização e desenvolvimento sustentável tem permitido à África desempenhar um papel mais relevante em termos da governança global”, acrescentou Michael.
“Ao longo dos últimos 70 anos as relações África-China alcançaram saltos adiante”, afirmou Tabani Moyo, pesquisador da Escola Graduada de Negócios e Liderança da Universidade de KwaZulu-Natal (África do Sul).
A cooperação se expandiu de áreas tradicionais, a exemplo de infraestrutura e comércio, para setores emergentes tais como aperfeiçoamento industrial, inovação digital e energia limpa, analisou Moyo
Estas colaborações fortaleceram a habilidade dos africanos para se tornarem “agentes ativos na produção e industrialização de bens que são, cada vez mais, trazidos ao cenário global”.











