De acordo com o filho do ditador iraniano, que chegou ao poder nos braços da CIA, esse é o momento de Washington despejar suas bombas sobre o povo do país
Exilado nos Estados Unidos desde que foi escorraçado do Irã pela Revolução Islâmica, em 1979, Reza Pahlevi herdou do pai muito mais do que o nome do ditador que governou o país desde 1941, legou o capachismo da monarquia iraniana. Desta forma, sem qualquer constrangimento, solicitou ao presidente Donald Trump no último sábado (14) que não prolongue demais as negociações com os líderes de Teerã sobre acordo nuclear e comece a agir.
De acordo com o pretendente a monarca subserviente, a intervenção com o bombardeio massivo – nos mesmos moldes que Israel tem feito com os palestinos na Faixa de Gaza – contribuiria para “poupar vidas”, uma vez que a República Islâmica estaria à beira do colapso e um ataque aceleraria sua queda.
“É uma questão de tempo. Esperamos que este ataque acelere o processo e que o povo possa finalmente voltar às ruas e levar o movimento até a queda definitiva do regime”, defendeu Pahlevi Jr., que reside nos Estados Unidos e vive fora do Irã desde antes da deposição do pai.
Mesmo as conversações diplomáticas realizadas em Omã entre EUA e Irã na semana passada foram apontadas como “desnecessárias” pelo esbirro Pahlevi as pessoas esperam que, em algum momento, seja tomada a decisão”, frisando “que não há utilidade, não faz sentido, não vamos chegar a lugar nenhum com as negociações. Portanto, é hora de os Estados Unidos intervirem e fazerem o que o presidente Trump prometeu fazer: apoiar o povo”, disse.
Conforme reconhecem os próprios trumpistas, a oposição iraniana está dilacerada entre grupos rivais e facções ideológicas – incluindo os monarquistas pró-Pahlevi – cuja presença é insignificante dentro da República Islâmica. Sendo assim, não dispõe de forças para agregar à invasão.
Como propaganda, declarações foram dadas pelo monarca à margem da Conferência da Segurança de Munique (MSC), onde o governo iraniano foi vetado de participar, mas permitiram que o xá exilado participasse.
GOVERNO IRANIANO RIDICULARIZA O “CIRCO DE MUNIQUE”
“É triste ver a geralmente séria Conferência de Segurança de Munique transformada no ‘Circo de Munique’ quando se trata do Irã”, condenou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi. Na sua avaliação, “a União Europeia parece confusa, devido à sua incapacidade de entender o que está acontecendo dentro do Irã. Uma UE sem rumo perdeu toda a sua influência geopolítica em nossa região”.
“A trajetória geral da Europa é, no mínimo, desastrosa”, descreveu o ministro, apontando que o bloco é uma força “de mãos vazias e periférica”, irrelevante para quaisquer negociações internacionais sérias, particularmente sobre o programa nuclear iraniano.
No início desta semana, Trump descreveu a mudança de regime na República Islâmica como “a melhor coisa que poderia acontecer”. Moscou classificou a escalada entre as duas nações como “potencialmente explosiva” e reiterou a necessidade de uma solução pacífica.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, também condenou o foco da Conferência de Segurança de Munique. “A Conferência deveria discutir esse terrorismo infernal contra a população civil perpetrado pelo regime de Kiev, em vez de formas de injetar dinheiro nos abutres da Rua Bankova”, disse ela, referindo-se à sede do governo ucraniano.
COMEMORAÇÃO DO ANIVERSÁRIO DA REVOLUÇÃO ISLÂMICA
No dia 11 de fevereiro multidões foram às ruas do Irã para comemorar o 47º aniversário da vitória da Revolução Islâmica, que pôs fim à monarquia autocrática da ditadura do Xá Reza Pahlevi e seus crimes em prol do imperialismo estadunidense e de Israel, e iniciar um projeto de construção da República de progresso e desenvolvimento soberano, livre de amarras.
Uma ditadura imposta aos iranianos pelo golpe orquestrado pela CIA, em 1943, que derrubou o líder popular, Mohammed Mossadegh, logo após sua medida de nacionalização do petróleo.










