Zyuganov nos 33 anos da revitalização do PCFR: “este partido salvou nossa condição de Estado soberano”

Gennady Zyuganov liderou a reconstrução do Partido Comunista da Federação Russa (Redes Sociais)

Em entrevista ao jornal Komsomolskaya Pravda, o líder histórico dos comunistas russos, Gennady Zyuganov,  rememorou o 33º aniversário da restauração do Partido, nos dias 13 e 14 de fevereiro de 1993, “com um congresso constituinte restaurador, que nos permitiu reviver o partido do povo trabalhador, o partido dos patriotas e lutadores”.

E – acrescentou Zyuganov – “não tenho receio de dizer que este partido salvou a nossa condição de Estado. De muitas maneiras”.

“Tenho orgulho de ter estado na vanguarda da revitalização do Partido Comunista da Federação Russa (PCFR), disse o presidente dos comunistas russos, sobre os dias dramáticos da ascensão de Yeltsin e da contrarrevolução.

“Nossa equipe é composta por Melnikov, Kashin, Kharitonov. Além disso, a cosmonauta Savitskaya, embora não seja filiada ao partido, duas vezes Heroína da União Soviética, nos ajuda muito. Tínhamos uma galáxia inteira de pessoas talentosas do nosso lado – Polozkov, Kuptsov, Ynknh –  foram eles que estiveram ao meu lado no início da revitalização.”

“Tivemos que defender o direito de reativar o partido no Tribunal Constitucional da Rússia”, registrou Zyuganov. Ele lembrou que o governo de Yeltsin “enviou uma força de choque ao Tribunal Constitucional, cuja missão era provar que o PCUS não era um partido, mas sim uma ‘organização criminosa’”.

SETE MESES NO TRIBUNAL CONSTITUCIONAL

“Lutamos no Tribunal Constitucional por sete meses. Zorkin merece crédito por sua coragem e firmeza. E, apesar da pressão brutal e aterradora, a corte tomou a decisão oficial de que o partido poderia ser revivido pela vontade popular.”

A claque de Yeltsin tentou interromper com provocações o congresso do PCFR de qualquer jeito após a derrota na corte constitucional, relatou o líder comunista russo. Foi necessário – ele acrescentou – preparar em segredo o congresso e designar três locais onde seria realizado, para driblar a tramoia contra o partido.

“Eles chegaram a contratar militantes para interromper nosso congresso e iniciar uma confrontação, mas falharam”. O congresso ocorreu na região de Moscou e elegeu os membros do Comitê Central – Zyuganov foi eleito presidente do PCFR.

“Sinto orgulho por ter recebido a incumbência de liderar uma organização que renasceu nas circunstâncias mais extraordinárias. Nós superamos o desafio”, ele assinalou.

“Podemos comemorar e celebrar, antes de mais nada, porque foi o nosso partido que contou a verdade sobre o massacre do parlamento e o fim do poder soviético”, ele acrescentou sobre o 4 de outubro de 1993.

FOI NOSSO PARTIDO QUE LUTOU CONTRA CHUBAIS

“Foi o nosso partido que lutou para impedir que Chubais, sob a liderança da CIA, vendesse e destruísse todos os bens públicos. Foi o nosso partido que salvou o complexo militar-industrial, que estava condenado à destruição e deveria ter deixado de existir. Fomos nós que ajudamos a preservar 10 “cidades nucleares”, impedimos exercícios da Otan perto de Arzamas e expulsamos as forças da Otan em 2006, que já haviam tomado uma base em Feodosia, na Crimeia.”

“Fomos nós que salvamos o país da guerra civil três vezes, seguindo uma política equilibrada, inteligente e muito corajosa”, afirmou Zyuganov. “Fomos nós que, após o calote [a moratória de 1998], conseguimos formar o governo de Primakov, Maslyakov e Gerashchenko e, assim, salvar o país do colapso total.”

“Fomos nós que levamos adiante o impeachment de Yeltsin, após o qual a oligarquia foi forçada a convencê-lo a dizer: ‘estou saindo’”, destacou Zyuganov, apontando que “então Putin chegou ao poder.”

O DISCURSO DE PUTIN DO RENASCIMENTO DA RÚSSIA

“E foi ele quem voltou o governo para o povo e começou a restaurar a ordem no país” e, em Munique, em 2007, “proferiu um discurso histórico que abriu um novo caminho para o renascimento da Rússia”.

Nesse renascimento da Rússia – enfatizou – “foram introduzidos programas nacionais, propostas diversas soluções sociais interessantes e desenvolvida uma ideologia para fortalecer a soberania, contra a expansão da Otan e pela criação dos BRICS e da OCS.”

“Continuamos este trabalho muito corajoso e extremamente importante. Lutamos por justiça, amizade e verdadeira soberania”, enfatizou o líder dos comunistas russos. Lembrando, porém, que “a Otan e os anglo-saxões declararam guerra ao mundo russo até o ponto de aniquilação total.”

Nosso partido – continuou o presidente do PCFR – se destacou, acima de tudo, “por seu caráter e resiliência. Cheguei a publicar um livro inteiro sobre o tema do Mundo Russo”.

“Pelo trabalho do operário e pelo pão do camponês – é nesses dois eixos que gira toda a vida neste maravilhoso planeta”, sublinhou Zyuganov. “Continuamos a lutar. 33 anos, segundo o calendário ortodoxo, é um tempo incrível, uma data gloriosa. Creio que todo o céu está lutando conosco pela verdade e pela justiça.”

150º COMBOIO HUMANITÁRIO PARA O DONBASS

Ao invés de cantar canções revolucionárias por esse aniversário, como sugeriu o entrevistador, Zyuganov anunciou que o PCFR está enviando “um grande comboio humanitário, o maior de sempre, o 150º, para Donbas — para apoiar os nossos homens, crianças, soldados na linha da frente e as famílias dos soldados caídos. O que acontece na véspera de 23 de fevereiro, o dia em que nasceram o lendário e invencível Exército Vermelho e a Marinha Vermelha”.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *