Em crise, UE usa “Fórum de Munique” para incitar guerra contra Rússia

Porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, condena denúncias "tendenciosas e infundadas" (Kremlin.ru)

Provocação vem através de assaque sem provas com denúncia requentada do suposto assassinato por “envenenamento” de Navalny

A embaixada russa em Londres classificou como “necropropaganda” – exploração da morte de alguém para fins políticos – e “ultraje” as acusações dos governos do Reino Unido, Alemanha, França, Suécia e Holanda – sem quaisquer provas – de que o blogueiro predileto de Washington e Londres, Alexei Navalny, condenado e recluso por fraudes, teria sido envenenado na prisão com uma exótica e letal toxina, a epibatidina, extraída de uma rã venenosa equatoriana. Ele morreu há dois anos enquanto cumpria pena de 19 anos de prisão por fraudes, apropriação indébita e outros crimes.

O “anúncio” do “relatório sobre a morte de Navalny” foi feito no sábado (14) durante a Conferência de Segurança de Munique, cuja pauta principal era o rearmamento da Europa contra a “ameaça russa” mais a continuação da guerra da Otan contra a Rússia via Ucrânia e à qual o secretário de Estado Marco Rúbio compareceu para instar os europeus a, juntos, restaurarem na plenitude o colonialismo ocidental.

Segundo os cinco campeões da russofobia, amostras recolhidas (como?) de Navalny atestariam, de “forma conclusiva”, a presença da substância “epibatidina”. Nenhuma prova foi apresentada, nem sequer a cadeia de custódia das supostas provas que ateste que o que foi analisado foi, efetivamente, sangue de Navalny, nem como as supostas amostras teriam sido contrabandeadas da Rússia.

Ecoando a provocação, tablóides ingleses se apressaram a asseverar que o veneno é “200 vezes mais potente que a morfina”. Conforme o relatório do eixo anglo-alemão-francês, a Rússia “tinha os meios, o motivo e a oportunidade para administrar este veneno”.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, rechaçou “veementemente” a acusação, que classificou como “tendenciosa e infundada”. Por sua vez a porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, reiterou que a Rússia não irá se manifestar formalmente enquanto não receber as supostas provas.

A porta-voz da chancelaria qualificou as acusações europeias como uma “campanha desinformativa para desviar a atenção dos graves problemas do Ocidente”, referindo-se à desindustrialização e inflação em curso desde que a Europa trocou o gás russo barato pelo GNL norte-americano quatro ou cinco vezes mais caro.

“No momento em que seria necessário apresentar os resultados das investigações sobre (a explosão dos gasodutos) Nord Stream 1 e 2, recordam-se de Navalny”, ironizou Zakharova, lembrando a recusa a entregar a Moscou qualquer apuração sobre o atentado.

PARA DISTRAIR DO ESCÂNDALO EPSTEIN

Zakharova acrescentou que o “relatório” foi concebido para “sequestrar o ciclo de informações que, na visão ocidental, está profundamente manchado pela publicação dos arquivos de Epstein”. As novas alegações, ela apontou, “têm um elemento de história policial, teoria da conspiração e outras coisas que podem excitar o público”, acrescentou.

Aliás, na semana anterior, o escândalo Epstein atingiu em cheio as elites europeias, com a exposição da intimidade do pedófilo desde com o ex-príncipe Andrew e o ex-ministro britânico Mandelson, até uma princesa herdeira noruega e um ex-primeiro-ministro – além da descoberta de que passava metade do ano despachando desde seu apartamento de luxo em Paris.

Há dois anos, o Serviço Penitenciário Federal russo (FSIN) comunicou a morte súbita de Navalny por causas naturais, após passar mal depois de uma caminhada e ser socorrido por uma equipe médica na prisão, que tentou reanimá-lo sem êxito por 30 minutos. Três dias antes ele recebera a visita de sua mãe e de seu advogado.

BOLSISTA DE YALE APADRINHADO PELA FILHA DE GAIDAR

Desde 2007, quando ganhou uma viagem-prêmio aos EUA para um “curso de verão ‘anticorrupção’ em Yale”, apadrinhado por Maria Gaidar, filha do chefe da privatização, Navalny era o mais notório “freedom fighter” da Rússia pós-Yeltsin.

O convite veio depois de ter chamado a atenção como um dos organizadores da xenófoba “Marcha Russa” contra os imigrantes do Cáucaso e de ter debutado no Yabloco, a agremiação preferida dos neoliberais e privatizadores.

VÍDEOS RACISTAS CONTRA IMIGRANTES DO CÁUCASO

Navalny também fizera fama pelos vídeos racistas, em que chamava os imigrantes de “baratas”, aconselhando “usar uma pistola” para eliminá-las, caso as chineladas falhassem. Na “Marcha Russa” eram exibidas desde suásticas até bandeiras do império russo.

Após o adestramento no “Yale World Fellows Program”, Natalny, sem jamais descartar a xenofobia, dedicou-se à mais lucrativa função de caçador de marajás russos e chegou em 2013 a se candidatar à prefeitura de Moscou. Passou a ser paparicado pela mídia ocidental e seus donos, na esperança de que os bons tempos de Yeltsin iriam voltar.

Em 2020, Navalny passou mal durante um voo de volta a Moscou, tendo sido salvo pela assistência prestada pelo hospital da cidade em que o avião fez pouso de emergência. Posteriormente, a pedido da família foi transferido para a Alemanha, onde um hospital da Otan alegou que se trataria de “envenenamento por um agente químico militar” – uma reedição da chicana sobre o ex-espião Skripal. O hospital militar se recusou a fornecer provas a serem confrontadas com os resultados dos exames feitos pelo hospital russo.

Em seu primeiro julgamento em 2014, um caso de fraude contra uma empresa francesa, Navalny chegou a ser condenado a 3,5 anos. Em 2021, ele foi condenado a 19 anos de cárcere por fraude e extremismo e sua Fundação ‘Anticorrupção’ FBK foi declarada “agente estrangeiro” por receber verbas de governos e organizações estrangeiras, com Navalny tendo se apossado de US$ 4,3 milhões.

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