Tuiuti exalta o Ifá Lucumí, Grande Rio aposta no Manguebeat e Salgueiro homenageia Rosa Magalhães; escola de Noel desponta como favorita ao lado de Viradouro e Beija-Flor antes da apuração
]O último dia de desfiles do Grupo Especial contou com impactantes desfiles da Paraíso do Tuiuti, Unidos de Vila Isabel, Acadêmicos do Grande Rio e Acadêmicos do Salgueiro.
A avenida recebeu homenagens a grandes personalidades brasileiras, ao movimento manguebeat e ao Ifá Lucumí que, trazido do continente africano, deu origem à santeria cubana.
A escola de Noel foi a melhor da noite e deverá ter Viradouro e Beija-Flor, que passaram pela Avenida no segundo dia de desfiles, como principais rivais na disputa pelo título. Grande Rio e Salgueiro também se destacaram com desfiles luxuosos e opulentos.
A apuração do Carnaval 2026 acontece nesta Quarta-feira de Cinzas.
Veja o resumo dos desfiles da última noite:

Ifá Lucumí: o resgate da tradição — Paraíso do Tuiuti
O Paraíso do Tuiuti abriu a última noite de desfiles com o enredo “Ifá Lucumí: o resgate da tradição”, inspirado em vertente religiosa afro-cubana ligada ao orixá Orunmilá e baseado em obra de Nei Lopes. A proposta do carnavalesco Jack Vasconcelos foi resgatar a ancestralidade africana presente em Cuba, em uma narrativa complexa, mas apresentada de forma didática ao público.
O grande destaque da escola foi o samba-enredo, considerado um dos melhores da safra, que encaixou com precisão com a bateria “SuperSom”, comandada por mestre Marcão. O carro de som liderado por Pixulé teve forte sintonia com os ritmistas, e as paradonas levantaram as arquibancadas. A rainha Mayara Lima também brilhou na Avenida.

Por outro lado, problemas comprometeram o conjunto. O abre-alas sofreu danos durante o desfile e outras alegorias apresentaram falhas de acabamento, com ferragens aparentes. Houve ainda irregularidades na evolução, incluindo a formação de um buraco próximo a um módulo de jurados, o que pode resultar em penalizações.

Heitor dos Prazeres — Unidos de Vila Isabel
A Unidos de Vila Isabel levou para a Sapucaí um tributo a Heitor dos Prazeres, um dos pioneiros do samba e das primeiras escolas da cidade. Com enredo desenvolvido pelos estreantes Leonardo Bora e Gabriel Haddad, a agremiação apresentou uma narrativa clara e visualmente impactante sobre a trajetória do artista.
O trabalho plástico chamou atenção pela opulência das alegorias e pelo luxo das fantasias, compondo um desfile vibrante e coeso. A comissão de frente contou a história do homenageado desde a infância, enquanto o casal Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane teve desempenho seguro e elegante diante dos jurados.

Apontado como um dos melhores do ano, o samba levantou o público sob o comando do intérprete Tinga. A bateria de mestre Macaco Branco empolgou com paradonas bem executadas, e a rainha Sabrina Sato foi ovacionada. Com apresentação praticamente impecável, a Vila Isabel se consolidou na disputa pelo título.

Manguebeat — Grande Rio
Terceira a desfilar, a Acadêmicos do Grande Rio apresentou enredo sobre o movimento cultural Manguebeat, surgido no Recife nos anos 1990. Na estreia do carnavalesco Antônio Gonzaga, a escola propôs uma ponte cultural entre a capital pernambucana e Duque de Caxias, apostando em um desfile luxuoso e de forte impacto visual.
As alegorias grandiosas e bem acabadas foram um dos pontos altos da apresentação, assim como as fantasias sofisticadas. O desenvolvimento do enredo, contudo, teve momentos de menor clareza para o público. O casal Daniel Werneck e Taciana Couto manteve a regularidade e a sintonia que marcam sua trajetória na escola.

A bateria “Invocada”, sob comando de mestre Fafá, garantiu ritmo firme durante toda a passagem. O samba funcionou melhor na Avenida do que nas análises prévias, conduzido por Evandro Malandro. A comunidade de Caxias mostrou força no canto e na evolução, sustentando a escola entre as postulantes ao título, apesar das reações divididas à estreia da rainha Virginia Fonseca.

Rosa Magalhães — Salgueiro
Última escola a cruzar a Marquês de Sapucaí, o Acadêmicos do Salgueiro prestou homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães, que morreu em 2024, aos 77 anos. A vermelho e branco da Zona Norte emocionou o público ao revisitar o legado da artista mais vitoriosa da história do Grupo Especial, em um desfile marcado por grandiosidade e forte apelo afetivo.
Assinado por Jorge Silveira, o enredo não se propôs a contar uma biografia linear, mas a celebrar a obra e a construção artística de Rosa ao longo de décadas. A narrativa destacou sua criatividade, o rigor estético e a contribuição decisiva para o desenvolvimento visual do Carnaval carioca. De fácil compreensão, o desfile conquistou a Sapucaí ao recriar referências a trabalhos históricos da homenageada.

Rosa iniciou trajetória no Carnaval integrando a equipe de nomes como Fernando Pamplona e Joãosinho Trinta, antes de consolidar carreira própria e conquistar sete títulos no Grupo Especial — cinco pela Imperatriz Leopoldinense, um pelo Império Serrano e outro pela Unidos de Vila Isabel. Ao celebrar sua trajetória, o Salgueiro encerrou a noite com uma reverência à história e à memória de uma das maiores artistas da “Maior Festa da Terra”.











