A greve geral convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) e a Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA), e adotada por centenas de organizações populares, teve um forte impacto desde o início da manhã, impulsionada pela participação total dos sindicatos de transporte
A reação ao esbulho apresentado sob o cínico título de “Lei de Modernização do Trabalho”, que já foi aprovado no Senado por 42 votos a 30, em meio ao cerco do parlamento por milhares de trabalhadores e à brutalidade da tropa de choque, está se espalhando pela sociedade. Das quatro greves gerais realizadas contra o governo Milei, a de hoje foi a que obteve maior apoio, assinala a mídia portenha.
O co-secretário-geral da CGT, Jorge Sola, destacou o alto nível de participação na greve. Não há trens, ônibus ou metrô circulando. Alguns sindicatos e organizações estão bloqueando vias em diversos pontos, e o governo ameaça acionar o protocolo anti-protesto. Houve manifestações com barulhos e fanfarras em vários cruzamentos de Buenos Aires na noite passada. A Câmara dos Deputados está marcada para esta tarde.
O pacote que Milei pretende baixar dá aos patrões a condição de forçar trabalhadores a uma jornada estúpida de 12 horas, facilita demissões, reduz recursos entregues pelas empresas para efeito de indenização por demissão e contribuições previdenciárias, acaba com o direito a greve para a maioria dos trabalhadores em serviços públicos, reduz as férias, entre outras medidas denunciadas pelas Centrais como inconstitucionais.
“A participação é extremamente significativa; já às 22h de ontem, os operários do turno da noite começaram a abandonar seus postos”, declarou Sola, presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Seguros, em entrevistas de rádio.
Trabalhadores demitidos da fábrica Fate bloquearam brevemente a Rodovia Pan-Americana, a mais longa da Argentina, enquanto outros grupos interromperam o acesso a Buenos Aires com bloqueios nas pontes Pueyrredón e La Noria. As forças federais intervieram em todos os casos.
O “MODERNIZAR” DE MILEI É ACABAR COM OS DIREITOS TRABALHISTAS
Segundo o fascista Milei, “modernizar” é estender para 12 horas a jornada diária e, se impuser um “banco de horas”, nem precisa pagar hora extra. É terceirizar e baratear as demissões, com o empregador podendo dividir em seis parcelas a indenização (grandes empresas) ou até 12, caso das pequenas e médias.
O tempo de experiência – e de direitos mínimos – dobra de três para seis meses e, em alguns casos, para oito. As contribuições previdenciárias do empregador são reduzidas de 15% para 2% durante os primeiros quatro anos de um novo funcionário. O direito de greve é extremamente limitado pelo expediente de classificar praticamente todos os setores de atividade como “de suma importância”.
O achaque patrocinado por Milei também permite que as contribuições previdenciárias sejam desviadas para um “fundo de indenização” que compensará o custo das demissões. Em outras palavras, além de economizar nas contribuições previdenciárias, as empresas poderão usar o dinheiro que os trabalhadores deveriam contar na aposentadoria para demiti-los. E há, ainda, um artigo que reduz o salário pela metade quando um trabalhador precisa se ausentar por motivo de doença. Segundo a mídia argentina, a pretensão de Milei é aprovar o monstrengo até 1º de março.
As centrais sindicais denunciam que as mudanças na lei são “regressivas” e “inconstitucionais”, buscando subtrair direitos conquistados pelos argentinos há mais de meio século, a soldo do FMI e dos setores do empresariado mais retrógados.
Desde que o governo da motosserra tomou posse em dezembro de 2023, 300 mil empregos foram perdidos na Argentina e 21 mil empresas fecharam no setor industrial; a mortalidade infantil aumentou pela primeira vez em 20 anos e a precarização do emprego virou norma.
EM MEIO À GREVE MILEI FOI SE ENCONTRAR COM TRUMP
Em meio à greve geral da CGT e enquanto a Câmara dos Deputados deve debater a reforma anti-trabalhista, o seu autor, Javier Milei desembarcou na capital dos EUA para sua décima quarta visita ao país para participar da sessão inaugural do mal chamado “Conselho da Paz”, fundado por Donald Trump como uma ONU paralela.
Após o evento, onde se espera outra foto com Trump, o presidente seguirá para um local de hospedagem e, posteriormente, para a Base Aérea de Andrews, onde permanecerá por algumas horas sem atividades confirmadas.
Veja o mapa das mobilizações por toda a Argentina nesta quinta-feira:












