Magistrado Duberli Rodríguez, ex-deputado e candidato a senador, defende que o novo presidente peruano José Balcázar, recém-eleito pelo Congresso, coloque fim aos atropelos do afastado José Jerí
“Estancar a privatização da Petroperu deve ser a primeira medida de José Balcázar, presidente eleito na noite desta quarta-feira (18) pelo Congresso Nacional, para defender os interesses nacionais e pôr fim aos sucessivos abusos implementados pelo governo de José Jerí contra o patrimônio público”, afirmou o magistrado Duberli Rodríguez, ex-presidente do Supremo Tribunal de Justiça, em entrevista exclusiva ao HP.
Candidato ao Senado pela Aliança Venceremos nas eleições de 12 de abril, Duberli acredita que “a expectativa de uma mudança de regime cresce com a receptividade que nosso projeto desenvolvimentista vem tendo nas ruas, ao sermos recebidos nos mercados e nas vilas”.
Quanto a estancar a sangria durante estes dois meses até a eleição do novo presidente, o magistrado disse que “Balcázar é do partido Peru Libre, de Vladimir Cerrón, de ideias nacionalistas que se contrapõem ao modelo fujimorista, neoliberal e privatizante”.
Principal distribuidora de combustíveis do país e proprietária de centenas de postos de gasolina, a Primax foi desnacionalizada em 2025. “Agora, por meio de um decreto supremo, Jerí queria entregar a Petroperu, o que não tem cabimento. Na prática, isso equivaleria a construir um monopólio privado para que nos ditassem o preço do combustível nas alturas”, acrescentou.
CAMPANHA SUJA EM PROL DA PRIVATIZAÇÃO DA PETROPERU
Duberli denuncia que há uma campanha suja em prol da privatização da Petroperu, dedicada ao transporte, refino, distribuição e comercialização de combustíveis e outros derivados de petróleo, que subsidia valores por ser propriedade do Estado peruano. “Nossa estatal tem um simbolismo imenso, pois no dia 9 de outubro de 1968 o governo do general Velasco Alvarado tomou os campos petrolíferos da Brea e Pariñas e a refinaria de Talara das mãos da Internacional Petroleum Company (IPC), expropriando a multinacional estadunidense e a expulsando do país”, frisou. A partir de então, a data foi incorporada ao calendário como o Dia da Dignidade Nacional, pelo seu simbolismo, apontou.
Muito diferente do que a extrema-direita e seus meios de comunicação propagandeiam, alerta, “a Petroperu não está em estado de insolvência, o que ocorreu foi um grande investimento feito recentemente na ampliação da refinaria de Talara”. “Se a situação fosse como dizem, por que tanto alvoroço para comprar? Afinal, quem iria querer comprar um cadáver?”, questionou.
RETROCESSOS FORAM TRADUZIDOS PELO FUJIMORISMO
Conforme Duberli, os retrocessos foram traduzidos desde 1993 pelo governo de Alberto Fujimori pela Comissão para a Promoção do Investimento Privado (Copri) que desmantelou 292 empresas estatais, “expondo a essência privatizante e desnacionalizante do neoliberalismo”. “Tínhamos a siderúrgica Hierro Peru, a companhia de aviação Aeroperu, portos, aeroportos, rodovias, mineradoras, empresas de pesca… Chegaram até mesmo a privatizar o transporte público, e seus ônibus sanfonados que serviam Lima e as capitais”, condenou.
O Senado, na avaliação de Duberli, “deve servir como um instrumento para atuar com o governo e transformar o Peru de uma economia primário-exportadora em uma nação industrializada”. “O cobre que tanto é exportado de forma bruta deve servir para investirmos em fábricas, cabos elétricos, maquinárias, da mesma forma que o lítio para erguer centros de alta tecnologia e produzir celulares”, asseverou.
Sendo um país extremamente rico em minérios, recordou o candidato, “não há razão de continuar exportando nossas imensas jazidas em seu estado bruto, enquanto importamos gás liquefeito ou ureia industrializada”. “O que esses sucessivos governos neoliberais fizeram é entregar nosso patrimônio sob o discurso de que temos um Estado falido, enquanto o que precisamos, reafirmo, é de um Estado ativo, que invista na industrialização e no desenvolvimento, para gerar emprego e renda”, concluiu.
BALCÁZAR: “TRANSIÇÃO DEMOCRÁTICA E TRANSPARENTE”
Em seu primeiro discurso no parlamento Balcázar – o oitavo presidente do Peru em dez anos – reafirmou seu compromisso com os peruanos. “Nestes poucos meses que nos restam, vamos garantir ao povo do Peru que vai acontecer uma transição democrática e eleitoral pacífica, transparente, que não deixe nenhum tipo de dúvida nas eleições”.
Para Keiko Fujimori, filha do ditador Alberto, que governou o país com mão de ferro entre julho de 1990 e novembro de 2000, até ser condenado e preso por abusos de direitos humanos, assassinato, sequestro, peculato, corrupção e suborno, a eleição de Balcázar “põe a democracia em perigo”. “Permitiram que a esquerda radical governasse novamente. Todos sabemos quem são os irresponsáveis que nos empurraram para o caos. Avisamos sobre isso no domingo. O caos é maior do que antes. Nunca deveriam ter aberto essa porta”, esbravejou a fascista.
LEONARDO WEXELL SEVERO











