Publicamos, a seguir, artigo publicado pelo Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios Telégrafos e Similares de São Paulo (Sintect-SP), em que alerta a categoria e a sociedade para sobre os riscos de privatização da empresa. De acordo com a entidade, a quebra do monopólio das encomendas fragilizou o modelo de financiamento que sustentava a universalização do serviço postal e abriu caminho para um processo de desmonte, que põe em risco a estatal como estratégica para a soberania e segurança nacional. Confira a íntegra:
A privatização dos Correios ainda é um perigo a ser combatido
A quebra do monopólio sobre as encomendas abriu o mercado postal e presenteou as empresas privadas com a entrega de mercadorias, num momento de grande crescimento do comércio pela internet.
Com isso derrubou o subsídio cruzado. Os Correios ficaram com a entrega de correspondências e os serviços sociais, tudo que não dá lucro, sem ter a arrecadação com as encomendas, para compensar os custos (o subsídio cruzado).
Ou seja, a universalização dos serviços postais ficou sob responsabilidade dos Correios, sem os recursos das entregas, captado pelas empresas privadas nos grandes centros – nas periferias e interiores, onde o lucro é reduzido, a ECT também tem de dar conta de entregar as mercadorias.
O desiquilíbrio é óbvio. E o prejuízo financeiro é certo. Mesmo assim a direita e a extrema direita mantêm a intensão de privatizar os Correios. Por quê?
Os motivos são vários:
1 – Serviços sociais com verba estatal garantida: vacinas, remédios (SUS), urnas eleitorais (TSE), Provas do ENEM (MEC), entrega de correspondências oficias do governo e da justiça, serviços de documentação prestado nas agências – e o grande filé (nessa época de capitalismo financeirizado) que é o banco postal.
2 – Banco postal – Imagina o que dá pra fazer com agência ou posto bancário operando em todos os municípios do país (a maioria não tem banco), centralizando verbas públicas (aposentadorias e previdência em geral, demais serviços como bolsa-família e outras verbas públicas que chegam ao município), empréstimos para pessoas físicas e jurídicas, recebimento de contas diversas – lembre-se: os serviços bancários e financeiros em geral são o que há de mais lucrativos no capitalismo atual.
3 – Dados consolidados de milhões de usuários – Nessa época em que dados dos cidadãos valem ouro nas plataformas digitais e redes sociais (para vender direto ao consumidor ou para vender marketing nas redes), ter acesso à imensa rede de contatos, ao enorme banco de dados acumulado pelos Correios, é valiosíssimo.
4 – Imóveis – Os Correios têm milhares de imóveis pelo Brasil, em locais muito valorizados, principalmente nas capitais.
5 – A possibilidade de aproveitar a enorme malha logística, construída nos 3 séculos de existência dos Correios com verbas públicas, com dinheiro da população, para competir com as empresas privadas ou atuar em parceria com elas.
Conclusão: a luta contra a privatização continua viva!
Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios Telégrafos e Similares de São Paulo (Sintect-SP)











