Em dezembro, desemprego recua em 6 das 27 unidades da federação

(Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

No ano de 2025, 20 UFs registraram a menor taxa de desocupação da série. Informalidade e subutilização continuam em patamares elevados, aponta IBGE

No quarto trimestre de 2025, a taxa de desemprego caiu de 5,6% para 5,1% em relação ao trimestre anterior, mas esse movimento de queda só foi acompanhado por seis unidades das 27 unidades da federação (UFs): São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Distrito Federal, Paraíba e Ceará, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada nesta sexta-feira (20) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nas demais unidades da federação, o IBGE considera que as taxas de desemprego permaneceram “estáveis”.

 As maiores taxas de desocupação foram em Pernambuco (8,8%), Amapá (8,4%) e Alagoas (8,0%), Bahia (8,0%) e Piauí (8,0%); as menores em Santa Catarina (2,2%), Espírito Santo (2,4%), Mato Grosso do Sul (2,4%) e Mato Grosso (2,4%).

Taxa de desocupação das pessoas de 14 anos ou mais de idade,
por Unidades da federação (%) – 4º trimestre de 2025

Em 2025, a taxa de desemprego nacional ficou em 5,6%, com 15 das 27 UFs registrando taxas de desocupação superiores à média nacional (5,6%), com Piauí (9,3%), Bahia e Pernambuco (ambos com 8,7%) e Amazonas (8,4%) com os piores índices de desemprego.

Se por um lado, a “mínima histórica em 2025 decorre do dinamismo observado no mercado de trabalho”, conforme diz o IBGE, a queda da desocupação mantém taxas de informalidade e subutilização elevadas, com 38% da população ocupada (102,4 milhões) do país atuando no mercado de trabalho informal.

Ao todo, 39 milhões de trabalhadores ocuparam atividades de trabalho sem carteira de trabalho ou qualquer direito trabalhista durante o ano passado. Grande parte deste brasileiros estão vivendo dos chamados “bicos”, seja nos tradicionais ou aplicativos, que impõem jornadas exaustivas e por baixas remunerações.

A taxa anual de subutilização ficou em 14,5% no ano passado. Neste quesito, o Piauí (31,0%) teve a maior taxa, seguido por Alagoas (26,8%) e Bahia (26,8%). Já a taxa anual de desalento ficou em 2,6% no país, sendo Maranhão (9,5%), Alagoas (8,5%) e Piauí (7,8%), com as maiores taxas.

Taxa de informalidade por unidades da federação – valores anuais de 2025

Apesar do alto nível de precarização do mercado de trabalho brasileiro, no final do mês de janeiro deste ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu manter o nível da taxa base de juros (Selic) em 15% ao ano, mesmo com a atual trajetória de desaceleração da inflação. Para o BC, “a taxa de desemprego tem se mantido em patamares historicamente baixos”, ou seja, o emprego continua resiliente e precisa ser derrubado pelas mais altas taxas de juros do planeta.

O resultado do arrocho monetário acelerado no segundo trimestre no ano passado e mantido no início deste ano levou à desaceleração da economia. No mês de dezembro do ano passado, atingidos pelos juros elevados, a produção industrial tombou -1,2%; as vendas do comércio caíram -0,4% e o setor de serviços recuou -0,4%.

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