Protesto denuncia aumento da conta e falta de água após privatização da Sabesp por Tarcísio

Foto: Sintaema

Movimentos sociais e sindicatos afirmam que saneamento virou mercadoria e criticam impactos sobre periferias

Movimentos de moradia, sindicatos e entidades populares realizaram, nesta quinta-feira (19), um grande ato na Praça do Ciclista, na capital paulista, contra o aumento das tarifas e a falta de água em diversas regiões após a privatização da Sabesp. A mobilização teve como mote “A conta chega, mas a água não” e reuniu trabalhadores, lideranças comunitárias e organizações sociais em defesa do saneamento público como direito fundamental.

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em São Paulo (CTB-SP) e o Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema) estiveram entre as entidades organizadoras da manifestação, que denunciou os impactos da entrega do saneamento básico à iniciativa privada.

Durante o ato, representantes da CTB e do Sintaema destacaram que a privatização transformou um serviço essencial em mercadoria, priorizando o lucro em detrimento do atendimento à população. “A privatização da Sabesp comprova aquilo que sempre alertamos: quando um serviço essencial é transformado em mercadoria, quem paga a conta é o povo. A água não pode ser tratada como ativo financeiro, é um direito básico”, afirmou o presidente da CTB-SP, Rene Vicente. 

Lideranças sindicais afirmaram que, após a privatização, moradores de bairros periféricos e cidades do interior têm enfrentado problemas recorrentes, como água suja nas torneiras, interrupções no abastecimento e contas mais altas. “A gente está vendo torneira seca, água suja e tarifa mais cara. Isso é o resultado de tratar a água como mercadoria, e não como direito”, declarou um dos manifestantes durante a mobilização.

Foto: Sintaema

Eles também denunciaram a venda de terrenos pertencentes à Sabesp, que, segundo as entidades, deveriam ser destinados a equipamentos públicos, áreas verdes e parques, e não à especulação imobiliária. O vereador de São Paulo Nabil Bonduki (PT), arquiteto e urbanista, criticou a comercialização dessas áreas públicas. “A Sabesp está vendendo não só a água, mas também os terrenos públicos, que deveriam ser destinados a praças, parques e equipamentos coletivos. Em meio à emergência climática que vivemos, não podemos aceitar que aquilo que é essencial fique nas mãos de quem quer apenas lucrar”, afirmou. 

Para os movimentos de moradia, a comercialização dessas áreas agrava a crise urbana e compromete o uso coletivo de espaços estratégicos para a cidade.

Outro ponto ressaltado foi o impacto da precarização do serviço sobre a saúde pública. “Nas UBS dos bairros já aparecem pessoas com diarreia e vômito por causa da água suja que chega às casas dos trabalhadores, principalmente na periferia”, denunciaram representantes sindicais da área da saúde presentes ao ato. Trabalhadores do setor relataram o aumento de casos de diarreia e vômito em unidades básicas de saúde, principalmente em regiões periféricas, associando os problemas à qualidade da água fornecida.

As entidades presentes defenderam a retomada do debate sobre o modelo de gestão do saneamento, com controle público, transparência e participação social. A CTB-SP reafirmou que seguirá atuando em unidade com sindicatos e movimentos sociais para barrar retrocessos e garantir o acesso universal à água e ao esgotamento sanitário.

A manifestação ocorreu no mesmo dia em que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, admitiu, em entrevista coletiva, a possibilidade de adoção de uma tarifa de contingência para conter o consumo de água diante do risco de colapso do sistema hídrico. A medida prevê cobrança adicional para consumidores que ultrapassarem a média de consumo do ano anterior.

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