Vini Júnior se insurge e marca um golaço contra o racismo

O craque da Seleção Brasileira (Foto: Nelson Almeida - AFP)

O jogador brasileiro Vinicius Júnior, do Real Madrid, foi vítima de outro ataque racista na última terça-feira (17), em jogo da Champions League, contra o Benfica, em Lisboa.

O autor da agressão racista foi o jogador argentino Gianluca Prestianni que, de forma covarde, cobriu a boca com a camisa para chamar Vini de “macaco”.

O insulto aconteceu após o jogador marcar um golaço. O golaço do triunfo do seu time.

O jogador brasileiro imediatamente reagiu à ofensa e exigiu do juiz abrir o protocolo da FIFA contra atos de racismo. O árbitro paralisou a partida por cerca de 11 minutos.

Estimulado pelas ações de Vinicius Júnior, o grande jogador francês Kylian Mbappé também foi para cima do argentino chamando-o de “racista”. Revoltado, durante quase uma hora deu entrevistas em vários idiomas explicando a vergonha que testemunhou.

Mbappé também não se calou.

A reação de Vini Júnior tem estimulado a denúncia do racismo no futebol e ações contra essa mancha têm surtido efeito.

Graças a Vini, três torcedores do Valencia foram condenados, em 2024, a oito meses de prisão e dois anos sem poder entrar em estádios de futebol por insultar o jogador durante uma partida em Mestalla, em 2023. Já são cinco as sentenças de prisão por racismo cometidos contra Vini.

Outro caso de racismo, anterior aos vividos por Vini, também acabou em condenação: um torcedor do Espanyol foi condenado em 2025 a um ano de prisão por ataques contra o espanhol Iñaki Williams em uma partida de 2020. Graças ao caso de Vini.

Uma nota reprovável foi a atitude de parte da torcida do Benfica, que aplaudiu o jogador racista quando ele foi substituído. Além disso, a torcida passou a xingar o jogador brasileiro. Outro que destoou foi o técnico José Mourinho, do Benfica, que se postou contra Vini.

Em contrapartida, além de Mbappé, Vini Júnior recebeu apoios dos técnicos do Manchester City, Pep Guardiola, do Chelsea, Liam Rosenior, do Liverpool, Arne Slot, e do Bayern, Vicent Kompany. Manifestações de jogadores e ex-jogadores em todo o mundo foram registradas. O repúdio é geral.

Nas redes sociais, Vinicius Júnior escreveu: “Racistas são, antes de tudo, covardes. Precisam cobrir a boca com a camisa para mostrar o quanto são fracos. Mas têm a proteção de outros que, teoricamente, têm a obrigação de puni-los. Nada do que aconteceu hoje é novo na minha vida ou na vida da minha família”, escreveu.

O jogador da Seleção Brasileira tem razão. O racista é de uma covardia abominável, precisa do anonimato para seus crimes. Felizmente, esse anonimato vem sendo quebrado pelas atitudes de Vini e de outros que não se submetem a essa mácula.

Os racistas só se criam, como disse o jogador brasileiro, “pela proteção de outros”.

A FIFA deu passos importantes para acabar com essa proteção. No entanto, o mundo espera por ações mais contundentes para erradicar o racismo no futebol. As punições contra esse ato necessitam ser mais fortes e urgentes.

A. S.

(Texto acrescido, publicado originalmente no perfil do CNAB – Congresso Nacional Afro-Brasileiro -, no Instagram)  

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