A Polícia Federal encontrou no computador de um assessor do presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União), uma planilha com indicações de deputados para cargos relacionados ao caso da Ceperj.
Bacellar é aliado de primeira hora de Cláudio Castro. Ele só encaminhava coisas em tabelinha com o governador do Rio. A planilha é uma prova concreta da ação criminosa dos dois na eleição.
Os documentos foram encontrados em outro inquérito, voltado para investigar o vazamento de informações sigilosas para pessoas ligadas ao Comando Vermelho.
As informações constam em um relatório da Polícia Federal que já está nas mãos do relator Alexandre de Moraes e foram divulgadas pelo jornal O Globo, na coluna de Lauro Jardim.
A planilha “Pedidos em 12/04/23” foi encontrada no computador do chefe de gabinete de Bacellar, Rui Bulhões Junior.
Nela constam “duas abas que listam os pleitos de deputados estaduais por concessões na estrutura administrativa e política do estado do Rio de Janeiro”, informou a Polícia Federal.
Os dados da planilha mostram que Bacellar pode ter usado cargos em outros órgãos para alargar o esquema corrupto que o favoreceu nas eleições de 2022. Somente na Ceperj e na Uerj, Castro e Bacellar usaram 45 mil cargos temporários nas eleições.
No caso do deputado Rodrigo Amorim (PTB), por exemplo, o documento mostra a indicação para 20 cargos na Alerj, no Detran Ilha do Governador e na Operação Lei Seca.
E também constam os pedidos para postos em três vagas no Detran e na Operação Lei Seca “para compensar Ceperj”.
Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar estão sendo julgados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelos crimes de abuso de poder político e econômico. O julgamento, que já tem voto da relatora pela condenação dos dois, será retomado no dia 10 de março e pode resultar na cassação de Cláudio Castro e do presidente afastado da Assembleia Legislativa fluminense, Rodrigo Bacellar
A relatora Isabel Gallotti avalia que houve “distribuição massiva e obscura de recursos públicos” buscando favorecimento eleitoral.
“Observadas em conjunto, as condutas revelam elaborado esquema de uso da estrutura administrativa estadual e seus recursos com a finalidade de influenciar nas eleições. Os investigados usaram disposições de comando no governo estadual para, valendo de suas prerrogativas, construir um projeto de poder”, escreveu a ministra do TSE.











