Em 23 de junho de 2022, o INSS publicou uma segunda norma estabelecendo regras específicas e permitindo que aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC utilizassem o serviço de crédito consignado do Credcesta, do Máster
O então governo de Jair Bolsonaro atendeu a um pedido do Banco Master e permitiu que o banco expandisse seu esquema criminoso com o oferecimento de crédito consignado para aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC, apontam documentos.
As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
Em 2022, ainda sob o governo Bolsonaro, as regras do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ainda não permitiam que cartões de crédito de benefícios, como o Credcesta do Banco Master, fossem oferecidos para aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC.
Diante disso, o então chefe do INSS, José Carlos Oliveira, publicou, em março de 2022, uma norma que permitia operações com cartão de crédito consignado de benefício para esse público, mas sem dar detalhes do funcionamento.
No dia 7 de junho de 2022, o Banco Master solicitou ao INSS que fosse publicada uma segunda norma detalhando o funcionamento desse serviço para que o Credcesta passasse a ser oferecido para os aposentados e pensionistas.
A carta pedia o “aditamento do acordo de cooperação técnica para inclusão do cartão consignado de benefício”, usando como argumento a instrução que foi publicada menos de três meses antes.
Dezesseis dias depois, em 23 de junho, o INSS publicou uma segunda norma estabelecendo regras específicas e permitindo o funcionamento completo do serviço.
Com isso, aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC passaram a poder utilizar o serviço de crédito consignado do Credcesta.
O produto do Banco Master é considerado pelos investigadores uma peça central do esquema de fraudes fiscais da empresa, uma vez que os créditos vendidos eram utilizados para lastrear outras operações. O Master inflava dados para conseguir mais investimentos e cobrir rombos em seu balanço.
A atual gestão do INSS aponta que o Credcesta atuava de forma irregular desde o estabelecimento de contratos até a cobrança de juros sobre juros.
O Credcesta cresceu de 105 mil contratos, em 2022, para 2,75 milhões, em 2024, um aumento de mais de 2.500%.
Por meio de Prefeituras e governos estaduais, o serviço passou a ser oferecido para servidores públicos em 24 Estados e 176 municípios, muitas vezes cobrando juros muito acima do normal para esse mercado.
No Rio de Janeiro, o Banco Master conseguiu oferecer o Credcesta para os servidores depois que o governo de Cláudio Castro agiu para tal.
O governador bolsonarista editou um decreto que permitia que a parcela dos salários utilizada em empréstimos consignados subisse para 55%.











