BRB comprou R$ 342 milhões em “ativos” do Master com garantia fajuta e avalista sujo no Serasa

O banco público e o ex-governador do DF, Ibaneis Rocha (Fotos: Marcelo Camargo - Joédson Alves - Agência Brasil)

Mesmo com alerta da área técnica do banco de negociação furada, a operação foi realizada. Ex-governador do DF, o bolsonarista Ibaneis Rocha, tinha ligações com o Master, de Daniel Vorcaro, de longa data

O BRB, banco do governo do Distrito Federal, comprou R$ 341,7 milhões em ativos do Banco Master sem documentação e sem garantias, indo contra a recomendação feita pela área técnica da própria estatal.

O governo do DF era chefiado pelo bolsonarista Ibaneis Rocha (MDB).

No dia 26 de junho de 2024, a Diretoria de Controle e Riscos (Dicor) do BRB emitiu um parecer contrário à aquisição de R$ 341,7 milhões em cédulas de crédito bancário (CCBs). No dia seguinte, a Diretoria Colegiada do Banco de Brasília optou por seguir com o negócio.

Os CCBs estavam sendo vendidos pela RZK Empreendimentos Imobiliários e eram referentes a um empréstimo feito junto ao Banco Master para construção de prédios empresariais e residenciais em São Paulo.

A Dicor apontou que a RZK não conseguia sequer comprovar que tinha o terreno de 49 mil m² no qual seriam feitas as construções.

Os técnicos do BRB ressaltaram que a garantia apresentada pela empresa era furada.

Isso porque os imóveis de R$ 100 milhões apresentados como garantia valiam, na verdade, R$ 30 milhões. Assim, a suposta garantia não chegava nem a 10% do valor dos ativos vendidos.

Além disso, a Diretoria de Controle e Riscos do BRB apontou que o nome de José Ricardo Rezek, avalista do negócio milionário, estava sujo no Serasa por conta de dívidas de quase R$ 15 milhões.

Rezek também fez negócios com o governo do DF ao conseguir o contrato de concessão da Rodoviária do Plano Piloto por 20 anos. Seu filho, José Ricardo Lemos Rezek, tentou comprar 49% da Financeira BRB em 2025, mas o negócio foi barrado pelo Banco Central.

O BRB está no centro do escândalo do Banco Master por ter adquirido bilhões de reais em ativos falsos e ter iniciado um processo para adquirir o banco privado para cobrir o rombo que foi feito por meio das fraudes fiscais.

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