Desastre de Trump em Isfahan

O que sobrou da investida norte-americana em busca dos pilotos perdidos (Redes Sociais)

Mais que as alegações de propaganda de Washington sobre o “ousado” sucesso da operação de resgate de um piloto norte-americano abatido sobre o Irã, desmentidas pelas forças armadas iranianas que a descreveram como um “desastre”, são os palavrões de Trump no domingo ameaçando o Irã na sua rede Truth Social que esclarecem a quem corresponde a verdade.

Não é o sentimento de “sucesso” ou “vitória” que explica tais palavrões vindos da boca do presidente de uma superpotência, Trump, mas sua incapacidade de lidar com a adversidade e com as consequências de seus crimes, como a agressão não provocada contra o Irã, em conluio com o degenerado regime genocida israelense, formalizando aos olhos do mundo o eixo dos párias.

Quando Trump se gabou do resgate, o Irã respondeu mostrando a foto das aeronaves destruídas ao sul de Isfahan, e agora o The New York Times confirma que houve aeronaves abatidas no local e que a força de resgate chegou a ser cercada.

“A chamada operação de resgate do Exército dos EUA, planejada na forma de uma operação de fuga imediata e enganosa sob o pretexto de resgatar o piloto de sua aeronave abatida em um aeroporto abandonado no sul de Isfahan, fracassou completamente devido à presença oportuna das forças armadas iranianas”, anunciou o tenente-coronel Ebrahim Zolfaqari, porta-voz das forças armadas iranianas.

Nessa situação, os próprios norte-americanos teriam explodido dois aviões de transporte Hércules C-130 e quatro helicópteros Black Hawk, para “não caírem nas mãos dos inimigos”, segundo o NYT.

A Reuters, citando fontes sob anonimato do Pentágono, asseverou que houve uma “falha mecânica” nos C-130, impedindo-os de decolar e forçando o envio de outros aviões para resgatar os resgatadores.  Para a PressTV, o que provocou o fiasco foi o cerco desencadeado pelas forças iranianas, apoiadas pela população.

Ao comentar a questão nesta segunda-feira, o porta-voz Zofaqari afirmou que “com a ajuda e o apoio de Deus, a vigilância e a preparação dos combatentes do Islã nas Forças Armadas, o uso da guerra eletrônica, sistemas modernos de defesa aérea, a implementação de um plano mosaico de defesa terrestre e a criação de uma cerca militar e de segurança, várias dessas aeronaves, incluindo dois aviões de transporte militar C-130 e dois helicópteros Black Hawk, foram atingidas e forçadas a fazer um pouso de emergência em uma área ao sul de Isfahan ”.

Diante do sucesso da operação iraniana de cerco, ele acrescentou, o inimigo foi forçado a bombardear intensamente as aeronaves abatidas, seus equipamentos, seus comandantes e seus soldados “para evitar a desonra do presidente dos EUA e o esvaziamento da hegemonia de seu exército”. A PressTv falou em pelo menos cinco militares norte-americanos mortos na operação.

À medida que os C-130 se aproximavam da zona de pouso – um aeroporto abandonado ao sul de Isfahan -, “unidades de comandos da polícia iraniana abriram fogo intenso de múltiplas direções, imobilizando a primeira aeronave de transporte antes que pudesse desembarcar seu pessoal”.

Por sua vez, o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, ironizou em uma postagem o “sucesso” norte-americano: “três ‘vitórias’ como essa, e os EUA estão arruinados”.

A derrubada de dois caças norte-americanos no mesmo dia (sexta-feira) – além de mísseis e drones pesados americano-israelenses -, a que se somaram três aeronaves no domingo, por si só são um eloqüente desmentido da mentira de Trump de que o Irã “não tem defesa antiaérea” (nem marinha, etc e etc).

Inicialmente, chegou a ser noticiado que o avião derrubado era um F-35 furtivo, mas depois ficou patente que se tratava de um F-15, conforme as fotos iranianas dos destroços do avião abatido.

Na segunda-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqai, advertiu que a operação de resgate pode ter sido uma fachada para “roubar urânio enriquecido. Classificando o confronto em Isfahan de “desastre” para os EUA, ele assinalou que há “muitas dúvidas e incertezas” sobre a operação:

“A área onde se alegava que o piloto americano estava, na província de Kohgiluyeh e Boyer-Ahmad, fica muito distante da área onde tentaram pousar ou pretendiam pousar suas forças no centro do Irã. A possibilidade de que tenha sido uma operação de engano para roubar urânio enriquecido não deve ser ignorada de forma alguma”.

TABAS-ISFAHAN

Os iranianos também estabeleceram paralelos entre o desastre dos EUA em Isfahan agora, e o de 25 de abril de 1980, quando fracassou a operação que visava livrar os assim chamados “reféns na embaixada”, logo após a vitória da revolução islâmica, forçando o então presidente Carter a abortá-la.

Um analista militar paquistanês, ouvido pela Sputnik, o ex-coronel da força aérea Sultan M. Hali, observou que não se pode avaliar o sucesso de uma operação apenas pela extração ou não do piloto, mas também pelas perdas no resgate – questão que a condição do piloto, revelada pelo próprio Trump, “gravemente ferido”, só faz reforçar.

“A destruição ou captura de ativos avançados representa um revés estratégico”, que “mina a dissuasão, encoraja os adversários e levanta questões sobre a sustentabilidade de tais operações.”

Ainda no domingo, em entrevista à Fox News, além de prometer explodir o Irã, Trump jurou “tomar o petróleo todo”, ideia fixa que o persegue, diante da decadência do império.

A propósito, a oposição democrata reagiu aos palavrões de Trump contra o Irã chamando-o de “louco desequilibrado” e com chamados, inclusive, à aplicação da 25ª Emenda, a de afastamento por demência. De acordo com as pesquisas de opinião, 66% dos americanos são a favor de encerrar a guerra rapidamente e os 35% de alta na gasolina em um mês de guerra já assombram os eleitores a sete meses de novembro.  

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