Flávio “Rachadinha” tenta censurar notícias que o associam ao Comando Vermelho

Flávio Bolsonaro (Foto: reprodução)

As notícias que ele quer calar estão relacionadas com as indicações para cargos no governo do Rio. As pessoas que ele indicou estão sendo investigados por ligações com o Comando Vermelho (CV)

O senador Flávio Bolsonaro está brigando na Justiça para tentar impedir que seu nome seja associado ao crime organizado. Esta associação surgiu depois que indicados seus para o governo do Rio de Janeiro, Alessandro Carracena, Alessandro Pitombeira e Gutemberg Fonseca, foram acusados de ligações com o Comando Vermelho (CV).

Antes das ligações com facções criminosas, o gabinete de Flávio Bolsonaro, quando era deputado estadual, era investigado por ligações com as milícias do Rio (caso Adriano da Nóbrega) e esquemas de “rachadinha”, e lavagem de dinheiro de milicianos.

Agora que Carracena, Pitombeira e Gutemberg Fonseca são investigados por ajudar a organização criminosa, passou-se a associar o nome do senador também ao crime organizado, especificamente ao Comando Vermelho. Flávio Bolsonaro, que há muito tempo vem tentado inescrupulosamente associar o nome de Lula ao narcotráfico, inclusive em reuniões nos EUA, agora experimenta de seu próprio veneno. Com uma diferença. As aleivosias dele contra Lula não tinham nenhuma base na realidade. Já as ligações de indicados seus para cargos no governo do Rio de Janeiro estão a exigir esclarecimentos mais convincentes.

Ele sempre criticou a imposição de limites às mídias sociais, chamando o controle justo contra excessos, de censura, agora diz que os posts falando dele extrapolaram o direito à liberdade de expressão. Só que as indicações existiram e precisam ser explicadas.

Gutemberg Fonseca foi indicado por Flávio ao governo do Rio e também já ocupou cargos sob sua indicação durante a gestão do ex-prefeito Marcelo Crivella (2017-2020). Em novembro de 2025, diálogos interceptados pela Polícia Federal no âmbito da Operação Zargun mostraram a relação do CV com membros do governo de Cláudio Castro (PL), o que inclui Gutemberg, que teria se encontrado pessoalmente com um membro da facção para tratar de “cobertura política”.

Já o advogado Alessandro Pitombeira, preso desde o ano passado — na mesma ação policial que culminou na detenção do então deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos, o TH Joias — foi alvo de um novo mandado de prisão nesta segunda-feira, no âmbito da Operação Anomalia. A ação foi deflagrada para desarticular um núcleo criminoso que atuava na negociação de vantagens indevidas e venda de influência para favorecer os interesses de um traficante internacional de drogas.

Pitombeira também atuou como secretário municipal de Ordem Pública da capital, na gestão de Crivella, em 2020, além de ser subsecretário estadual de Defesa do Consumidor — exonerado em janeiro deste ano — atuando ao lado de Gutemberg. Pitombeira também teria sido indicado por Flávio, o que o senador nega. Segundo o pré-candidato ao Planalto, quem o apresentou ao advogado foi justamente Gutemberg: “se estive com ele duas vezes na vida foi muito”, disse Flávio.

Já o caso das milícias é mais antigo. Flávio Bolsonaro tinha íntimas ligações com o ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio, Adriano da Nóbrega, que criou o Escritório do Crime, grupo de matadores de aluguel. O senador era próximo do ex-policial, morto em 2020, e empregou Danielle Mendonça, ex-mulher de Adriano, e Raimunda Veras Magalhães, mãe do miliciano, em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

A Justiça determinou que a plataforma X (antigo Twitter) forneça dados para identificar usuários que publicaram conteúdos associando o senador bolsonarista e pré-candidato à Presidência ao crime organizado. A decisão atende a um pedido da defesa do parlamentar, que busca responsabilizar os autores das postagens. Flávio recorreu à Justiça do Rio de Janeiro contra as publicações. Segundo a assessoria de imprensa do parlamentar, o pedido foi aceito em primeira instância. A equipe jurídica do senador também disse que o X recorreu da decisão.

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