O ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou que a “raiz do problema” do escândalo do Banco Master, que teve liberdade ao longo de anos para cometer fraudes e outros crimes, foi a gestão do ex-presidente do Banco Master, Roberto Campos Neto, que foi indicado por Jair Bolsonaro.
“Quem é o grande responsável? Quem tinha a obrigação de enxergar o que estava acontecendo embaixo da gestão dele? A diretoria do Banco Central, o presidente do Banco Central, Campos Neto. Indicado por quem? Bolsonaro”, comentou o ministro em entrevista.
“Essa é a raiz do problema. Todo o resto, a teia de contratos, de benefícios, de relações que ele foi instituindo, foi a partir desta relação”, disse.
Campos Neto esteve à frente do Banco Central entre 2019 e 2024 e seu contato estava salvo no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e chefe da quadrilha.
Foi só quando sua gestão acabou que o caso começou a ser investigado.
No fim de 2025, o BC decidiu pela liquidação do Banco Master. Daniel Vorcaro está preso e negocia ‘delação’ premiada.
A investigação da Polícia Federal revelou que diretores do BC na gestão de Roberto Campos Neto recebiam propina do Master para passar informações diretamente para Vorcaro.
Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização, e Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, estão sendo investigados. Foram obtidas conversas entre eles e o banqueiro nas quais trocam documentos e colaboram com o esquema criminoso.
Buscando se afastar do escândalo, Roberto Campos Neto divulgou uma nota falando que, enquanto presidente do BC, não era sua obrigação fiscalizar o Master e não pode ser “responsabilizado por falha de terceiros”.
“A presidência do Banco Central não trata das operações específicas de bancos do segmento S3 e não pode ser responsabilizada por falhas de terceiros”, disse, jogando a responsabilidade nas costas de outros.
Além disso, falou que indicou Paulo Sérgio e Belline para os cargos porque é “tradição histórica” do BC ter funcionários de carreira naquelas funções.
Mas, segundo o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), “Roberto Campos Neto sabia de tudo sobre as fraudes do Banco Master e não fez nada”.
“É muito grave! O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e a Febaraban encaminharam alertas de risco ao Banco Central sobre a escalada de CDBs arriscados contra sistema financeiro nacional”, informou o parlamentar.
O deputado disse que está pedindo a “investigação da PGR e PF sobre eventuais condutas ilícitas penais, administrativas e funcionais de Campos Neto”. “É impressionante a blindagem por parte da imprensa em relação ao chefe do BC de Bolsonaro!”.
A Polícia Federal (PF) já está investigando a participação de Roberto Campos Neto no caso, nos processos que autorizaram a venda e a reestruturação de ativos ligados ao Banco Máster.











