Abimaq condena “manutenção de juros estratosféricos”

“Selic em níveis tão altos tende a aprofundar a desaceleração da economia”

A decisão do Banco Central de manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% na primeira reunião do ano (28/1) foi criticada, em nota, pela asssociação das indústrias de máquinas e equipamentos (Abimaq). “Insistir na manutenção de juros estratosféricos, diante de um quadro inflacionário mais benigno, tende a impor custos elevados demais ao setor produtivo”, afirma a entidade, defendendo a redução dos juros.

“No segmento de máquinas e equipamentos, os efeitos dessa estratégia são particularmente evidentes. Trata-se de um setor altamente dependente de financiamento, tanto do lado da oferta quanto da demanda, e extremamente sensível ao custo do crédito. O resultado é que apesar de um ligeiro crescimento, o setor encontra-se em níveis baixos em termos de receita e com estagnação no nível das encomendas. Em vez de estimular ganhos de produtividade e inovação, o ambiente de juros elevados induz empresas a adotarem posturas defensivas, focadas em sobrevivência financeira, e não em crescimento”, diz a nota divulgada nesta quinta-feira (29).

De acordo com a entidade, “o custo de capital extremamente elevado penaliza desproporcionalmente a indústria nacional frente aos concorrentes internacionais, justamente em um momento em que o setor enfrenta pressões adicionais sobre sua competitividade”.

“Há ainda um efeito macroeconômico relevante que costuma ser subestimado. Juros persistentemente elevados encarecem o serviço da dívida pública e reduzem o espaço fiscal, o que acaba retroalimentando a própria rigidez da política monetária. Em vez de contribuir para a estabilização do ciclo econômico, a manutenção da Selic em níveis tão altos tende a aprofundar a desaceleração, sem ganhos proporcionais em termos de ancoragem das expectativas. Do ponto de vista do setor de bens de capital, isso significa um ambiente prolongado de incerteza, no qual decisões de investimento estruturantes são continuamente postergadas”.

Desde a implantação do chamado Tripé econômico em 1999, que é um conjunto de regras baseado em câmbio flutuante, metas de inflação e metas fiscais (superávit primário), a indústria, e em particular a de máquinas e equipamentos, vem sendo literalmente castigada pelos juros proibitivos no seu desenvolvimento.

Segundo dados históricos do IBGE, a participação da indústria de transformação no PIB brasileiro atingiu seu ponto mais alto no início da década de 1980, quando chegou a representar cerca de mais de 30% do PIB. O pior desempenho da indústria de transformação em relação ao PIB ocorreu no período recente, entre 2017/2018, quando participação desabou para cerca de 11,8%.

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