“Alex Pretti era a alma mais doce e gentil”, diz médica que o contratou há uma década

"Alex Pretti, enfermeiro de UTI; vizinho e amigo", diz cartaz em reverência ao assassinado pelos camisas pardas do ICE (Adam Gray/AP)

Em uma contundente refutação das ignomínias assacadas pelo governo Trump contra o assassinado enfermeiro de UTI Alex Pretti, em entrevista ao programa Democracy Now a Dra. Aasma Shaukat, que o contratou há mais de uma década, relatou que ele viveu com “bondade, compaixão e um forte senso de dever cívico de ajudar seus concidadãos.”

Ele era – ela enfatizou – “a alma mais doce e gentil”. Pretti, morto a tiros – inclusive pelas costas – à luz do dia pelos camisas pardas Do ICE no centro de Minneapolis no sábado, quando ajudava uma pessoa assediada com spray de pimenta pelos agentes anti-imigração e documentava com celular a truculência do ICE, foi descrito pelo governo Trump como um “terrorista doméstico”.

O relato da Dra. Aasma, que atualmente é médica e pesquisadora clínica na NYU Grossman School of Medicine e no Manhattan VA Medical Center, corrobora a defesa de Pretti feita por sua família, indignada pelas “mentiras repugnantes” da Casa Branca.

“Por favor, contem a verdade sobre nosso filho”, se pronunciou a família: “Alex claramente não está segurando uma arma quando é atacado pelos assassinos de Trump e covardes capangas do ICE. Ele está com o celular na mão direita e a esquerda vazia está levantada acima da cabeça enquanto tenta proteger a mulher que o ICE acabou de derrubar, tudo isso enquanto é pulverizado com spray de pimenta”.

E destacou que “Alex era uma alma bondosa que se importava profundamente com sua família e amigos, além dos veteranos americanos que cuidava como enfermeiro de UTI no hospital VA de Minneapolis”.

EMPATIA E DEDICAÇÃO

A médica relatou à jornalista Amy Goodman como contratou Pretti há uma década. “Alex veio procurando uma vaga de assistente de pesquisa. E o que ele disse foi que era apaixonado por cuidar dos pacientes, se envolver na área da saúde e ajudar sua comunidade, e queria trabalhar para uma carreira na área da saúde. Então o contratamos.”

E ele foi “foi absolutamente maravilhoso e uma alegria de trabalhar, fez de tudo para ajudar qualquer um e realmente teve uma boa relação com todos os pacientes que participaram do estudo”, disse a Dra. Aasma.

“Os pacientes se conectaram com ele — com base na profunda empatia que sentia por eles. Ele era o tipo de pessoa prestativa que abria portas para você. Se alguém estivesse tentando entrar no elevador, ele segurava para você. Se ele via um paciente vagando pelo hospital parecendo perdido, tentava ajudá-lo e orientá-lo.”

“E ele fez tudo muito bem, e depois demonstrou interesse em entrar na escola de enfermagem. Apoiamos a inscrição dele.”

CUIDANDO DOS VETERANOS

Ela lembrou que Pretti “trabalhou muito duro nos primeiros anos, trabalhando conosco em tempo integral e fazendo aulas de enfermagem meio período, e depois, eventualmente, passou a trabalhar em tempo integral para enfermagem. Ele disse que voltaria para cuidar dos veteranos, que são um grupo particularmente vulnerável e importante que exige muito cuidado. E ele realmente conseguiu. Então, ele voltou a trabalhar no mesmo hospital onde começou.”

O filho de um veterano a quem Pretti cuidou no Hospital dos Veteranos de Minneapolis fez um tributo ao enfermeiro assassinado, postando o vídeo em que este prestava a última homenagem a seu pai, que faleceu em 2024 de câncer.

“Terrance Lee Randolph, 30 de março de 1947 – 10 de dezembro de 2024. Hoje lembramos que liberdade não é gratuita. Temos que trabalhar nisso, cuidar, protegê-lo e até nos sacrificar por ele. Que nunca esqueçamos e sempre lembremos nossos irmãos e irmãs que serviram para que possamos desfrutar do presente da liberdade. Então, neste momento, lembramos e agradecemos pela dedicação e pelo serviço altruísta deles à nossa nação em prol da nossa liberdade. Nesta hora solene, prestamos nossa honra e gratidão a eles”, na reverência a Pretti.

A Dra. Aasma observou como cuidar dos veteranos é exigente, “eles enfrentam muitos desafios médicos, além de saúde mental, além de desafios socioeconômicos e outros que enfrentam. Então, eles são um grupo particularmente vulnerável e com o qual é tanto desafiador quanto gratificante trabalhar.”

ALEX ERA ASSIM

“Então, era isso que Alex queria fazer, realmente ajudar os grupos mais vulneráveis e desfavorecidos que, sabe, os outros não prestam muita atenção.”

“Na verdade, é uma vocação, não apenas um emprego, todo dia são muitas horas. São mal pagos e sobrecarregados. E para alguém estar nessa nobre profissão, o que você ganha disso é a satisfação de ajudar os outros, de ser um curador.”

“Então, para um membro da nossa comunidade ser brutalmente assassinado assim é extremamente chocante e muito, muito devastador para a nossa comunidade.”

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