
O atraso no pagamento das ajudas de custo dos recenseadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) gera angústia e incertezas nos trabalhadores responsáveis pelo Censo 2022, iniciado pelo instituto após dois anos de atraso. A dificuldade de pagamento é reflexo do corte de mais de R$1 bilhão no orçamento do órgão.
São 44 mil profissionais com valores não pagos, em um universo de 158 mil pessoas qualificadas até a última sexta-feira (5), que deveriam receber o valor de R$ 200. Os valores devidos são referentes ao treinamento que ocorreu entre os dias 18 e 22 de julho, conforme edital divulgado no site do órgão. O IBGE havia se comprometido a realizar o pagamento nesta segunda-feira (8), contudo, até o fechamento desta matéria, não havia sido efetivado.
Em entrevista ao HP, uma recenseadora, que preferiu não se identificar por receio de retaliações, contou sobre as dificuldades provocadas pela falta de pagamento e pelas condições precárias de trabalho. “Eles não pagaram ajuda de custo, isso é um problema. O treinamento terminou no dia vinte e dois, hoje já é dia oito e o dinheiro não entrou”, afirmou.
“As pessoas não têm ajuda de custo para se deslocar, não têm o transporte para se deslocar. Esses R$ 200 ajudariam na locomoção das pessoas, que gastam no mínimo R$ 10 por dia. Eu não sei se nos outros censos tinha isso, mas o que acontece com as pessoas que não têm condições de ficar o dia inteiro lá trabalhando? Eu estou indo depois do almoço, por exemplo, e tive a sorte de pegar um prédio para fazer as entrevistas, mas para as pessoas que estão na rua o dia inteiro sem comer, isso é sem condição”, completou a recenseadora.
Mas não é apenas na falta de pagamento que os cortes estão se manifestando. Os contratados também reclamam da falta de estrutura de retaguarda para dar suporte à coleta de dados nas ruas. “Há uma certa precariedade do trabalho. Nos locais de coleta, por exemplo, não tem um carro que dê suporte a esse posto, caso haja algum problema, não há um material de divulgação para deixar nas residências, nada. Além disso, há ainda a falta de equipamentos de proteção individual (EPI). No meu kit não veio máscara, por exemplo. Algumas pessoas estão recebendo uma máscara, eu não recebi nenhuma máscara. Tem bastante gente desistindo pela precariedade do trabalho”, relata.
O Censo deveria ter ocorrido em 2020, dez anos após a pesquisa anterior, mas foi suspenso por causa da pandemia. Em 2021, o IBGE disse que estava preparado para realizar a coleta de dados respeitando as medidas sanitárias ainda necessárias à época, mas, por falta de verba, foi adiado mais uma vez.
Agora, com um orçamento reduzido pelo governo Bolsonaro, a realização de uma das pesquisas mais importantes para a construção de políticas públicas n Brasil, se não a mais, encontra diversas barreiras provocadas pela falta de recurso.
Também não recebi a ajuda de custo do treinamento do IBGE, difícil, será assim também com os pagamentos futuro dos recenseadores….
Estou decepcionado com o IBGE do governo bolsonaro, não vou mais trabalhar até que me paguem, não sou voluntário, sou trabalhador esperando o pgto pelo meu trabalho.
Na verdade, não é só a falta de pagamento da ajuda de custo do treinamento que está indignando os recenseadores, a ajuda de custo do setor também não pagaram ainda, a tabela de valores por entrevista também está fazendo muitos desistirem, porque estão vendo que não compensa passar o dia inteiro no sol quente, muitas vezes escutando desaforo das pessoas, correndo perigo, para não receber nem 80 reais por dia.. sinceramente, estou com receio que o censo não seja concluído por falta de recursos e apoio as recenseadores…
Sinceramente estou decepcionada, não recebi até agora, nem treinamento, nem ajuda de custo e nem pelo setor que eu já finalizei. Estou passando por dificuldades em casa e tinha esperança de receber tudo após entregar o setor, mais pelo jeito esse dinheiro não irá cair na conta tão cedo.