Após criticar “cartel” das big techs, Lula anuncia parceria com Índia em minerais críticos

Modi e Lula (Foto: Ricardo Stuckert)

Materiais são usados para tecnologias como veículos elétricos, painéis solares, smartphones, motores de jatos e mísseis guiados

O presidente Lula anunciou neste sábado (21) um acordo do Brasil com a Índia sobre minerais críticos. A assinatura foi feita em Nova Délhi, onde o brasileiro se encontra para participar de uma cúpula global sobre inteligência artificial.

O acordo é considerado estratégico pelos dois países e amplia a cooperação em minerais estratégicos para tecnologias como veículos elétricos, painéis solares, smartphones, motores de jatos e mísseis guiados.

Durante a cúpula sobre Inteligência Artificial, Lula criticou duramente a monopolização das plataformas digitais pelas chamadas big techs. “Quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação”, denunciou Lula contra as big techs, que em última instância são as empresas que praticam essa “dominância” tecnológica.

Lula destacou que os algoritmos não são meras aplicações de códigos matemáticos, mas parte de uma complexa estrutura de poder. Sem ação coletiva, advertiu, “a inteligência artificial tende a aprofundar desigualdades históricas, já que capacidades computacionais, infraestrutura e capital seguem concentrados em poucos países e empresas”.

O presidente criticou o modelo de negócios predominante dessas empresas, baseado na exploração de dados pessoais, na renúncia ao direito à privacidade e na monetização de conteúdos chamativos que amplificam a radicalização política. Para ele, o regime de governança da inteligência artificial definirá quem participa, quem é explorado e quem ficará à margem do processo.

Lula ressaltou ainda, que toda inovação tecnológica de grande impacto carrega um caráter dual, capaz tanto de ampliar o bem-estar coletivo quanto de lançar sombras sobre o futuro da humanidade. Ele citou a aviação, o uso do átomo, a engenharia genética e a corrida espacial como exemplos históricos desse dilema, afirmando que a revolução digital e a inteligência artificial elevam esse desafio a níveis sem precedentes.

Em discurso após a assinatura da parceria Brasil/Índia, Lula afirmou, ao lado do líder indiano Narendra Modi, que o entendimento marca um avanço na parceria estratégica entre os dois países e reforça tanto o multilateralismo como a cooperação nas áreas de energia renovável e transição energética. “Ampliar os investimentos e a cooperação em matéria de energias renováveis e minerais críticos está no cerne do acordo pioneiro que assinamos hoje”, afirmou Lula.

Tanto Brasil como Índia não estão pensando em participar da iniciativa de Donald Trump de formar uma reserva estratégica de minerais críticos sob controle dos EUA. O Brasil é o segundo país do mundo em reservas de terras raras. “No marco da Aliança Global para Biocombustíveis, nossos países estão assegurando o devido espaço para essa tecnologia na agenda climática e energética global”, continuou.

Os dois líderes também trataram da expansão das trocas comerciais, que superaram US$ 15 bilhões em 2025. O Brasil é o principal parceiro comercial da Índia na América Latina, e os dois países têm a meta de elevar o comércio bilateral a US$ 20 bilhões até 2030. Após a agenda na Índia, Lula segue para a Coreia do Sul, onde terá reuniões com o presidente Lee Jae-myung e participará de um fórum empresarial.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *