Após reativar plantas em SE e BA, Petrobrás inicia produção de fertilizantes no Paraná

Fábrica de Fertilizantes Araucária Nitrogenados (ANSA), reativada pelo presidente Lula. (Foto Michel Chedid/Petrobrás)

Em nota ao HP, a estatal confirma que fábrica em Araucária (PR) inocia produção nas próximas semanas

A produção nacional de fertilizantes ganhará um reforço estratégico com a retomada das atividades da Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA). Após ser colocada em hibernação e à venda pelo governo Bolsonaro, a unidade da Petrobrás, localizada no Paraná, foi reativada pelo governo Lula. O procesdo começou em agosto do ano passado e está em reta final para o reinício de sua produção nas próximas semanas.

A Petrobrás confirmou, em entrevista ao HP, que a planta está em fase final para retomar as operações.

“Além das FAFENs Bahia e Sergipe [ambas já operando], dentre outras ações para elevar a produção, a Petrobras está em fase final de partida da Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA), no Paraná, com previsão de produção ainda nas próximas semanas”, afirmou a estatal.

A retomada das FAFENS faz parte do plano do governo Lula para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados, que respondem por cerca de 80% da demanda anual. Esse movimento tornou-se ainda mais imprescindível com a nova crise no comércio global de fertilizantes, causada pela agressão dos EUA contra o Irã. 

A Petrobrás destaca que “reduzir a dependência de importações de ureia é fundamental para garantir a oferta de insumos essenciais à agricultura, setor responsável por grande parte da segurança alimentar do país”.

“A produção nacional diminui a vulnerabilidade do Brasil a crises internacionais, trazendo mais estabilidade para a produção agrícola e fortalecendo toda a cadeia produtiva nacional”, completa.

A Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (FAFEN-SE) deu partida na sua produção em dezembro de 2025, antecipando-se ao cronograma oficial, enquanto a unidade FAFEN-BA, em Camaçari, retomou as atividades em meados de janeiro deste ano.

A FAFEN-SE foi colocada em hibernação em 2018, juntamente com a FAFEN-BA, durante o governo Temer. Posteriormente, no final de 2019, sob a gestão de Jair Bolsonaro, as unidades foram arrendadas à Unigel por meio de um contrato de cessão temporária com validade de 10 anos. Em 2023, as operações das fábricas foram paralisadas.

Em maio de 2025, a Unigel firmou acordo com a Petrobrás para encerrar o arrendamento e devolver as fábricas, com o fim de encerrar um litígio com a estatal motivado por divergências nos aportes financeiros não realizados pela Unigel e preços do gás.

Hoje em Laranjeiras (SE) são expedidas em média 2.500 toneladas por dia de ureia, enquanto na unidade de Camaçari são 1.500 t/dia. As vendas de ureia já estão em andamento para clientes de diversos estados.

“As duas fábricas têm operado com aproximadamente 90% da sua capacidade de produção de ureia, atendendo principalmente pedidos oriundos dos estados de Goiás, São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais e Bahia”. “Juntas, as FAFENS têm capacidade de atender cerca de 12% da demanda nacional da ureia. Essa produção nacional é estratégica para reduzir a dependência do Brasil de importações, especialmente em um cenário de instabilidade internacional”.

“Ao ampliar a oferta interna, as FAFENs contribuem para a segurança do abastecimento, reduzem a exposição do país às oscilações de preços e garantem maior previsibilidade para o agronegócio brasileiro, setor fundamental para a economia nacional”, ressalta a estatal. 

No plano de expansão da produção nacional de fertilizantes, também está a conclusão da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-III), em Três Lagoas (MS), “que está em fase de contratação”. 

“Com esses projetos, a expectativa é que a produção nacional de ureia atenda até 35% da demanda do mercado brasileiro nos próximos anos”, projeta a Petrobrás.

ANTONIO ROSA

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