Assassinato do enfermeiro Pretti pela milícia de Trump é repudiado por todo EUA

Revolta com assassinato do enfermeiro Alex Pretti nas ruas de Minneapolis (EFE)

A execução a tiros, no meio da rua, do enfermeiro de unidade de tratamento intensivo Alex Pretti, de 37 anos, pela Gestapo de Trump em Minneapolis, quando ele socorreu uma mulher atacada pelos agentes anti-imigração, desencadeou ainda no sábado protestos na própria Minneapolis, Nova Iorque, Washington, Los Angeles, San Francisco, Boston e Providence.

O governador de Minnesota, Tim Waltz, exigiu que a investigação do crime fique a cargo da polícia do Estado, enquanto o prefeito Jacob Frey clamou para que o ICE deixe Minneapolis.

Os vídeos do assassinato por si só desmentem as alegações do governo Trump. Pretti, que mantém um celular documentando a violência, de casaco e calça marrom, vira então, ele mesmo, o alvo dos fascistas a soldo de Trump. Seis celerados o derrubam e agridem no chão, um agente saca a arma do coldre, se ouve o primeiro tiro, outros tiros, e o enfermeiro jaz morto, enquanto a mulher socorrida, ao fundo, em desespero, grita “que porra que vocês fizeram, está morto”. Um vídeo recém divulgado pelo Drop Site News permite ver mais de perto do que outros mostravam.

A família reagiu ao encobrimento, pelo governo Trump, do covarde assassinato. “As mentiras nauseantes contadas sobre nosso filho pelo governo são repreensíveis e repugnantes. Alex claramente não está segurando uma arma quando é atacado pelos assassinos de Trump e covardes capangas do ICE. Ele está com o celular na mão direita e a esquerda vazia está levantada acima da cabeça enquanto tenta proteger a mulher que o ICE acabou de derrubar, tudo isso enquanto é pulverizado com spray de pimenta… Por favor, conte a verdade sobre nosso filho. Ele era um homem bom.”

Segundo o Homeland, Departamento de Segurança Interna, teriam sido “tiros defensivos” e o enfermeiro estaria “armado com uma pistola semiautomática”. Trump culpou o governador do estado e o prefeito de Minneapolis, postando “O que é isso? Onde está a polícia local? Por que eles não puderam proteger os oficiais do ICE?” e os acusando de “incitar a Insurreição, com sua retórica pomposa, perigosa e arrogante.”

O vídeo, disse a jornalista Susan Glasser, “mostra que o ato final de sua vida foi tentar ajudar uma mulher que estava sendo fisicamente agredida por agentes mascarados que depois o matariam.”

Na véspera, Minneapolis vivera uma das maiores manifestações de sua história, exigindo a saída do ICE da cidade e a punição para os assassinos de Renee Gold, aliás executada a menos de dois três quilômetro do local da eliminação de Pretti.

Uma multidão indignada se reuniu após o assassinato do enfermeiro, chamando os agentes de Trump de “covardes” e lhes dizendo “go home”. Manifestantes arrastaram lixeiras de becos para bloquear ruas, exigindo “ICE fora agora” e “Observar o ICE não é crime.” Com o cair da noite, centenas de pessoas se reuniram silenciosamente ao redor de um memorial crescente no local onde o enfermeiro foi morto, com cartazes “Justiça para Alex Pretti”, e entoando os nomes de Pretti e Good.

Em Nova Iorque, apesar do frio extremo, uma multidão bradou “F…. o ICE, fora ICE”. Milhares mais se manifestaram na Union Square, com imagens mostrando manifestantes gritando: “Diga uma vez, diga duas vezes, não vamos tolerar o ICE!” Na capital, Washington DC, uma enorme multidão se formou em frente à sede do DHS, gritando “vergonha, vergonha”.

Na Califórnia, protestos em Los Angeles e San Francisco, com manifestantes exigindo a retirada do ICE e justiça para Pretti e  Good. Multidões se reuniram segurando faixas de solidariedade que diziam “De Los Angeles a Minneapolis, parem com o terror do ICE”, informou o Los Angeles Times.

Em Providence, centenas de pessoas compareceram para protestar em frente à sede local do DHS. “Fechem, fechem, fechem”, gritaram alguns manifestantes, enquanto outros seguravam cartazes com os dizeres “Sem tiranos e sem reis” e “O ICE é o pior dos piores”. Marchando pelas ruas de Boston, multidões de manifestantes gritavam em massa: “Um, dois, três, quatro, chega de detenção do ICE! Cinco, seis, sete, oito, acabem com o terror e o ódio!”

Drew Evans, superintendente do Departamento de Apreensão Criminal de Minnesota, disse que policiais federais bloquearam investigadores estaduais de entrar no local do assassinato do enfermeiro mesmo depois que sua agência obteve um mandado judicial assinado. Um juiz federal já emitiu uma ordem impedindo o governo Trump de “destruir ou alterar provas” relacionadas ao tiroteio, após autoridades estaduais e do condado processarem.

“Uma investigação completa, imparcial e transparente sobre seu tiroteio fatal pelas mãos de agentes do DHS é inegociável”, disse o procurador-geral de Minnesota, Keith Ellison, que moveu a ação para preservar as evidências. Uma audiência está marcada para segunda-feira no tribunal federal de St. Paul.

O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, diante do novo assassinato, afirmou que os democratas não apoiariam um pacote de gastos que inclua financiamento para o DHS, aumentando a possibilidade de uma paralisação parcial do governo quando o financiamento expirar em 30 de janeiro.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *