Ataque dos EUA a navio iraniano desarmado “repete a Alemanha nazista”, denuncia Teerã

Fragata iraniana IRIS Dena em porto no Rio de Janeiro em 2023. (foto: Antonio Lacerda/EPA)

Torpedo norte-americano afundou a fragata Dena e assassinou covardemente 87 marinheiros. A Marinha do Siri Lanka salvou 32 sobreviventes.

O ataque com torpedo dos Estados Unidos a uma fragata iraniana nas imediações de Sri Lanka, que participara desarmada de exercícios navais a convite da Índia a milhares de quilômetros do Golfo Pérsico, que matou covardemente 87 marinheiros na segunda-feira (2) “lembra a Alemanha nazista”, afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh. Ele reiterou que o ataque “não ficará impune”.

Como apontou o chefe da diplomaria iraniana, Abbas Araghchi, tratou-se de “uma atrocidade no mar”. A fragata Dena estava retornando da Índia após participar da Revisão Internacional da Frota 2026 em Visakhapatnam, um evento naval multinacional com a presença de frotas de dezenas de países, inclusive também os EUA.

A Dena foi torpedeada quando estava a 40 milhas náuticas da cidade de Galle, no sudoeste de Sri Lanka, a milhares de quilômetros da zona de guerra.

SEM HONRA

Em entrevista à RT, o ex-secretário de Relações Exteriores da Índia, Kanwal Sibal, afirmou que o ataque dos EUA a um navio iraniano que retornava de um exercício naval organizado pela Índia – e portanto desarmado – foi uma “flagrante violação” das normas marítimas internacionais.

A Marinha e a Força Aérea do Sri Lanka, com assistência da Marinha Indiana, realizaram uma grande operação de resgate, salvando 32 marinheiros. Atacar o navio desarmado que retornava do exercício naval no Oceano Índico era “desnecessário”, disse Sibal.

“Eles [os EUA] sabiam que o navio estava lá. Eles tinham o avião capaz de vigilância. E então eles se posicionam em um ponto para garantir que a fragata fosse afundada. Não há nada para se gabar”, disse ele. “Se eles quisessem atacá-lo, poderiam ter feito isso quando estava perto do Irã, onde a guerra está acontecendo,” acrescentou.

A Índia havia convidado uma série de países, incluindo os EUA e o Irã, para seu exercício naval bienal MILAN. A Marinha dos EUA participou dos exercícios com uma aeronave de patrulha marítima e reconhecimento (MPRA) P-8A Poseidon do Esquadrão de Patrulha, segundo um relatório oficial.

Sibal disse que os navios não vêm armados para os exercícios. “Então, não é como se o navio iraniano estivesse armado até os dentes. É um pouco constrangedor para a Índia, já que fomos os anfitriões [dos exercícios navais]”, disse ele.

O ataque também violou as normas marítimas internacionais, que estipulam que, mesmo em um cenário de conflito, marinheiros em perigo devem ser resgatados do ponto de vista humanitário, afirmou.

O repórter do Drop Site News, Ryan Grim, denunciou que, além de torpedear um barco indefeso, os EUA também não ajudaram a resgatar nenhum dos homens naufragados por seu ataque.

“A Marinha do Sri Lanka ficou encarregada de tirar os corpos mortos da água”, assinalou Grim. “Tenho dificuldade em pensar em qualquer outra nação ao longo da história que faria algo tão covarde e desprezível. Estamos genuinamente em uma liga à parte, e a mídia americana é profundamente cúmplice.”

“DUPLO TOQUE”

“Depois que a Dena foi atingida pelo torpedo, o submarino dos EUA a atacou novamente para garantir que afundasse e que as vidas fossem perdidas. E então eles divulgaram [o ataque] na mídia internacional. Não acho que isso seja mérito dos EUA”, disse Sibal.

Para o ex-diplomata, o ataque a uma embarcação desarmada que retorna de exercícios navais liderados pela Índia coloca Nova Délhi em uma posição desconfortável.

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