A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL, na sigla em inglês) informou que três de seus agentes morreram em menos de 24 horas no sul do Líbano
A Agência Nacional de Notícias do Líbano (NNA, sigla em inglês) denuncia que a artilharia israelense bombardeou o quartel-general da Força de Paz da ONU em Adshit al-Qusayr, no sul do Líbano.
“Dois capacetes azuis da UNIFIL morreram tragicamente no dia 30 no sul do Líbano, quando uma explosão destruiu seu veículo, perto de Bani Hayyan. Um terceiro capacete azul ficou gravemente ferido, e um quarto também sofreu lesões”, indicou a força de paz em comunicado na segunda-feira. “Esse foi o segundo incidente fatal nas últimas 24 horas”, acrescenta o texto, referindo-se à morte de um capacete azul indonésio no domingo (29), na explosão de um projétil na fronteira libanesa-israelense, no contexto da invasão terrestre de Israel no Líbano. A UNIFIL anunciou uma investigação sobre as mortes.
A UNIFIL confirmou as perdas em postagem no X: Este incidente marca uma séria escalada dos ataques israelenses com artilharia no sul do Líbano, sublinhando os perigos encarados pelos agentes da paz na região.
Os integrantes da força da ONU no Líbano têm alertado para um crescimento do “comportamento agressivo” das forças da ocupação no último ano, incluindo granadas lançadas por drones e ataques a metralhadora, diz a agência de notícias iemenita Al Thawra.
O subsecretário-geral da ONU para operações de paz, Jean-Pierre Lacroix, descreveu os incidentes como “inaceitáveis”. “Todos os atos que colocam os capacetes azuis em risco devem cessar”, afirmou, destacando que todos os atores devem cumprir suas obrigações para garantir a segurança das forças da ONU e o respeito à inviolabilidade de suas instalações.
INDONÉSIA CONDENA MORTE DE SOLDADOS DE SEU PAÍS
A Indonésia “condenou veementemente o ataque hediondo” e exigiu “uma investigação completa e transparente”, após a morte de seus soldados, que integravam a Missão de paz no Líbano. O Chanceler Sugiono informou que o pedido foi feito após conversa com o Secretário-Geral da ONU, António Guterres. Jacarta afirmou que a segurança dos soldados da Marinha Indonésia é “inegociável”.
O país asiático apelou ao fim dos ataques contra populações e infraestruturas civis, bem como à retomada do diálogo e da diplomacia, procurando evitar uma maior escalada do conflito e promover a paz na região.
FRANÇA E ESPANHA CONDENAM ATAQUES CONTRA UNIFIL
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, afirmou ter pedido uma reunião de urgência após “incidentes extremamente graves” envolvendo tropas da UNIFIL, que atua como força de manutenção da paz entre Israel e o Líbano desde 1978. Ele condenou os ataques que resultaram em mortes, expressou condolências às famílias das vítimas e defendeu uma investigação sobre as circunstâncias.
Barrot também criticou uma ação de militares israelenses contra um contingente francês próximo a Naqoura, no sul do Líbano, classificando o episódio como “violação de segurança e ato de intimidação” e ressaltando que a posição francesa foi comunicada “nos termos mais firmes” ao embaixador de Israel em Paris.
Horas antes, Pedro Sánchez, primeiro-ministro espanhol e crítico dos bombardeios israelenses no Líbano, declarou que “uma nova linha vermelha foi cruzada” após o primeiro ataque fatal envolvendo a UNIFIL nesta semana. Sánchez afirmou em uma publicação nas redes sociais que “ataques contra missões de paz da ONU são uma agressão injustificável contra toda a comunidade internacional” e, instando o governo israelense a cessar suas operações militares, endossou o pedido de reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU.
A coordenadora especial da ONU para o Líbano, Jeanin Hennis-Plasschaert, também pediu “uma trégua imediata, que detenha a devastação”. A UNIFIL está atualmente posicionada no sul do Líbano para monitorar a área da fronteira com Israel, onde confrontos ocorrem frequentemente.
Segundo as autoridades libanesas, os recentes ataques aéreos mataram mais de 1.200 pessoas, incluindo mais de 120 crianças, quase 80 mulheres e inúmeros profissionais de saúde. Durante o fim de semana, pelo menos 10 profissionais de saúde e 3 jornalistas foram mortos nos ataques.










