“Ataques de Trump a Cuba revelam sua natureza fascista”, afirma o presidente Diaz-Canel

Presidente Miguel Diaz Canel: "Cuba é uma nação livre, independente e soberana" (Redes Sociais)

Cuba denuncia “ato de genocídio econômico disfarçado de [medida de] segurança nacional” dos EUA

Sob a mentirosa alegação de que Cuba é “uma ameaça extraordinária e incomum” à segurança dos Estados Unidos, o presidente Donald Trump – o mesmo que anunciou sua intenção de anexar a Groenlândia e o Canadá e seqüestrou o presidente venezuelano legítimo – anunciou na quinta-feira (29) a imposição de um bloqueio total do fornecimento do petróleo a Cuba, ameaçando com um tarifaço de 100% quem não se submeter, e ainda asseverando que “Cuba não vai sobreviver”. Em resumo, anunciou o estrangulamento econômico de Cuba.

O presidente cubano Miguel Díaz-Canel reagiu à nova agressão apontando que “demonstra a natureza fascista, criminosa e genocida de uma camarilha que sequestrou os interesses do povo americano para fins puramente pessoais”.

Duas semanas antes, diante de 500 mil cubanos que foram às ruas de Havana prestar as últimas homenagens aos 32 cubanos mortos ao defenderem o presidente Maduro, Díaz-Canel afirmara: “Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém dita o que fazemos. Cuba não ataca; ela é atacada pelos EUA há 66 anos. E não ameaça: ela se prepara, pronta para defender a pátria até a última gota de sangue”.

Na 80ª Assembleia Geral da ONU, 165 países votaram pelo fim do infame bloqueio dos EUA a Cuba, votação que se repete há 43 anos com o mesmo e abrangente veredicto.

Também o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, rechaçou “nos termos mais fortes” a nova escalada do governo dos EUA contra a ilha soberana e denunciou as “mentiras” de Trump.

“Todos os dias surgem novas evidências de que a única ameaça à paz, à segurança e à estabilidade da região, e a única influência maligna, é aquela exercida pelo governo dos EUA contra as nações e os povos da nossa América, aos quais tenta submeter-se aos seus ditames, privar de seus recursos, mutilar sua soberania e privar de sua independência.”

O chanceler afirmou ainda que a Casa Branca “recorre à chantagem e à coerção para tentar fazer com que outros países se juntem à sua política de bloqueio contra Cuba, universalmente condenada, ameaçando-os com a imposição de tarifas arbitrárias e abusivas caso se recusem, em violação de todas as regras do livre comércio”.

“A medida constitui um ato de genocídio econômico disfarçado de segurança nacional. Os EUA não podem impor sua vontade pela força, e o mundo terá que decidir onde reside a verdade e se aprova ou rejeita essa ignomínia.”

“PUNIÇÃO COLETIVA”

“Embora tentem apresentá-la como uma medida de segurança, trata-se, na verdade, do uso da pressão como ferramenta geopolítica e desestabilizadora. Seus objetivos incluem punir coletivamente o povo cubano por sua firme decisão de escolher o caminho da soberania e o direito à autodeterminação, caminho do qual não abrirá mão.”

Rodríguez denunciou ao mundo o brutal ato de agressão contra Cuba e seu povo, que há mais de 65 anos está sujeito ao mais longo e cruel bloqueio econômico já aplicado contra uma nação inteira, e que agora corre o risco de ser submetido a condições de vida ainda mais extremas.

Em relação às disparatadas imputações de Trump contra Cuba, Parrilla assinalou que o governo dos Estados Unidos “está mentindo novamente, como faz sistematicamente”.

“Sabe muito bem que Cuba não abriga terroristas, não dá refúgio a organizações terroristas, não tortura supostos dissidentes e não coopera ilegalmente com nenhum país. É nesse território que assassinos como Luis Posada Carriles, responsável pelo atentado a bomba em Barbados, e outros que ainda circulam livremente pelas ruas de Miami, encontraram refúgio.”

É também de extremado cinismo alegar que a pequena Cuba, bloqueada há 66 anos, seja uma ameaça à segunda maior potência nuclear do planeta, com 11 esquadras de porta-aviões nucleares e 800 bases mundo afora, e centro global da especulação, do neocolonialismo e da hegemonia do dólar.

Sob Trump, a pressão contra a Cuba e contra o fornecimento de petróleo já vinha se agravando, a ponto de ocorrerem repetidos apagões e, conforme o Financial Times, sabe-se lá qual a fonte, mas certamente não é Havana, os depósitos de combustível só dariam para “15 a 20 dias”.

Nos últimos meses, o Pentágono já aprendeu quase uma dúzia de petroleiros que estariam transportando petróleo venezuelano. Navios que aportam em Cuba são sistematicamente sancionados. Na semana passada, a Pemex (a estatal do petróleo mexicana) anunciou a suspensão das entregas a Cuba.

CHINA E RÚSSIA REITERAM APOIO A CUBA

Em resposta ao anúncio, pelo governo Trump, do bloqueio total ao fornecimento de petróleo a Cuba, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, declarou-o “desumano”, rejeitou as tarifas decretadas e expressou o apoio de Pequim a Cuba e seu direito ao desenvolvimento.

Guo enfatizou que a China se opõe firmemente a qualquer tentativa de privar o povo cubano de seu direito à sobrevivência e ao desenvolvimento, e condenou como desumanas quaisquer ações que visem aumentar a pressão econômica sobre a ilha. Ele também ressaltou que Pequim rejeita o bloqueio, as sanções unilaterais e todas as formas de coerção contra Havana.

Por ocasião da manifestação em Havana em homenagem aos “32 heróis”, o presidente russo Vladimir Putin declarou que Moscou se solidariza com Havana por sua determinação em defender sua soberania e independência. “Gostaria de enfatizar que a Rússia e a República de Cuba mantêm relações verdadeiramente sólidas e amistosas. Sempre prestamos e continuamos a prestar assistência aos nossos amigos cubanos”, afirmou.

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