
O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) comentou que a própria Inteligência Artificial do X (antigo Twitter) admite que o algoritmo da rede social aumenta o alcance de mensagens conservadoras e afirmou que, “em defesa da nossa democracia, é preciso regular as redes sociais”.
A Grok, Inteligência Artificial lançada pelo X, respondeu a um usuário dizendo que “estudos sugerem que o algoritmo do X favorece contas de extrema direita, dando menos alcance às de esquerda. Isso parece intensificado desde que Elon Musk assumiu, com mudanças no algoritmo e políticas que amplificam conteúdo conservador”.
A IA ainda comentou que “cobrar transparência algorítmica” pode ser uma solução a longo prazo.
Para Orlando Silva, o uso do algoritmo para promover conteúdos da extrema-direita e limitar “o alcance das vozes progressistas” não é “liberdade de expressão, é manipulação!”.
“Desde que Elon Musk assumiu, o algoritmo do X passou a ampliar conteúdo conservador e reduzir as vozes progressistas. Isso significa que a democracia está sendo manipulada pelo código”, continuou.
“Um bilionário compra uma rede social e reprograma ela para calar quem pensa diferente dele. Nem precisa de robô do gabinete do ódio porque o próprio sistema já faz o trabalho sujo. A gente precisa se organizar, denunciar e seguir firme. Rede social não pode ser arma contra a democracia. O algoritmo também é político”, sustentou.
“É preciso enfrentar e derrotar as manipulações feitas pelas big techs. Em defesa da nossa democracia, é preciso regular as redes sociais”, completou.
Orlando Silva foi relator do Projeto de Lei de Combate às Fake News (PL 2.630/20) e propôs que a regulação das redes sociais deve incluir transparência algorítmica. Atualmente, a plataforma não precisa responder nada sobre o algoritmo que utiliza.
Apesar do Grok apontar a manipulação do algoritmo, a posição oficial do X é contrária à regulamentação das redes sociais e até afronta a legislação brasileira.
O X foi derrubado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por mais de um mês por não querer cumprir determinações judiciais para bloquear páginas que atacavam a democracia.
O relatório de Orlando Silva foi retirado de tramitação por decisão do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), que cedeu à pressão das big techs e criou uma “comissão especial”, que nunca foi colocada em prática, para debater a regulamentação.