Ativista colombiana de direitos humanos é intimada por paramilitares a deixar o país

Ingrid Bernal veste a camisa denunciando os 6.402 colombianos assassinados entre 2002 e 2008 por militares e vestidos para parecerem guerrilheiros, os “falsos positivos” (LWS)

Diante da iminente derrota nas urnas para Iván Cepeda como sucessor do presidente Gustavo Petro, no próximo 31 de maio, grupos de extrema-direita ampliam política de terrorismo de Estado aterrorizando lideranças, artistas e comunicadores sociais

A jovem Ingrid Bernal, liderança social e ativista dos direitos humanos colombiana, foi ameaçada nesta segunda-feira (23) por esquadrões da morte a abandonar a capital, Bogotá, e sair do país conjuntamente com a família, caso queira permanecer com vida.

A advertência partiu da Frente Gaitanista – como é chamada a Clã do Golfo – a maior e mais poderosa organização criminosa e paramilitar atualmente em atividade na Colômbia, através do celular número 3008598648, às 14h43. Citando os riscos de pertencer ao coletivo América Latina Soberana, lhe disseram que ela e o filho tinham 12 horas para deixar o bairro periférico de Suba e 25 horas para sair da cidade e “desaparecer”.

“A companheira Ingrid Bernal desenvolve várias atividades, sendo liderança social e defensora de direitos humanos em múltiplos espaços. Tem sido parte ativa no processo de solidariedade a Cuba, de fraternidade à Palestina e à Venezuela a partir da rede de mídia América Latina Soberana, e joga um papel importante no processo eleitoral que se avizinha na Colômbia”, assinalou Felipe Quintero, coordenador e representante do coletivo.

Membro da Agência ComunicaSul de Comunicação Colaborativa, Caio Teixeira, recordou que Ingrid sempre proporcionou um importante apoio às reportagens feitas pelo grupo na Colômbia, “seja nas entrevistas que realizamos nos bairros e nos atos de Bogotá ou nas manifestações dos pais e mães de ‘falsos positivos’ em Medelin”.

Até o momento 6.402 colombianos foram reconhecidos como assassinados entre 2002 e 2008 por militares e vestidos para parecerem guerrilheiros, os “falsos positivos” durante o governo de Álvaro Uribe.

“MANIPULAÇÃO POLÍTICA E IDEOLÓGICA EXERCIDA DESDE MIAMI”

Destacando a independência dos meios alternativos de comunicação para acompanhar o que está realmente acontecendo, “sem a manipulação política e ideológica dos que exercem seu mando desde Miami”, Felipe Quintero vê no comportamento covarde contra Ingrid um sinal de desespero. “Ameaçar uma mãe e seu menino de que correrão rios de sangue caso não fuja é uma demonstração de que a extrema-direita teme a verdade, sabe claramente da sua decadência e de que temos uma articulação que não é só nacional, como internacional para fazer valer os direitos dos povos”, frisou.

“Até pelo fato da prefeitura de Bogotá ser governada por um neoliberal como é Carlos Fernando Galán, que não dá a mínima para a segurança, agravando em particular a situação da periferia”, advertiu o coordenador do América Latina Soberana, “precisamos redobrar os cuidados com a companheira Ingrid, acompanhando seus passos, protegendo nossos direitos humanos e valorizando a vida”.

CRESCIMENTO DA CORRENTE POLÍTICA EM PROL DE IVÁN CEPEDA

De acordo com Ingrid, “o crescimento das ameaças de morte tem por objetivo gerar medo e intimidação em todos aqueles que geram consciência, que fazem crescer a corrente política representada pela candidatura de Iván Cepeda à presidência no próximo 31 de maio”.

Ao lado da senadora indígena Aida Quicué, liderança do povo nasa no departamento de Cauca, Cepeda encarna “a continuidade e aprofundamento do processo de transformações iniciado pelo presidente Gustavo Petro”, assinalou Ingrid. Segundo a ativista, “em um contexto tão conturbado, vale ressaltar a força que representa o nome de Aida Quicué como candidata à vice, pois é uma incansável e reconhecida batalhadora pelos direitos humanos”.

A senadora indígena teve seu marido assassinado por militares uribistas em 2008 quando voltava de Genebra, após participar de uma sessão das Nações Unidas sobre direitos humanos.

Representando a oligarquia vende-pátria está a candidatura presidencial da senadora Paloma Valencia, membro do partido direitista “Centro Democrático”, apoiada pelo ex-presidente Uribe, opositora ferrenha do Acordo de Paz de 2016 com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Entre as suas retrógradas bandeiras, Valencia propõe acabar com a reforma previdenciária, que substituiu o sistema neoliberal vigente desde 1993 por um modelo mais estatal e inclusivo; e “derrubar” o Ministério da Igualdade e Equidade criado por Petro em 2022 para proteger direitos de mulheres, povos étnicos e grupos excluídos – como as comunidades LGBTQ+.

LEONARDO WEXELL SEVERO

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