A Federação Única dos Petroleiros (FUP) avalia como positiva a meta anunciada pela presidente da Petrobrás, Magda Chambriard, de tornar o Brasil autossuficiente na produção de diesel em até cinco anos, mas afirma que “o objetivo só será alcançado com a retomada do controle público sobre refinarias e o fortalecimento da cadeia integrada de combustíveis”.
“A autossuficiência e preços justos dos combustíveis passam por reestatização das refinarias e distribuidoras. Para garantir soberania energética, estabilidade de preços e proteção ao consumidor de forma sustentável, é preciso que haja planejamento de longo prazo, com investimentos em refino e controle público sobre os setores estratégicos da cadeia de óleo e gás, ou seja, a Petrobrás voltando a atuar do poço ao posto”, defende a entidade de petroleiros em comunicado em seu site.
Segundo o artigo da FUP, atualmente, cerca de 30% do diesel consumido no país é importado, o que evidencia a necessidade de ampliar a capacidade de refino nacional e reverter a venda de ativos estratégicos realizada pelo governo Bolsonaro, como a BR Distribuidora e a Liquigás, além das refinarias privatizadas.
“É fundamental garantir que o país tenha controle sobre toda a cadeia, ‘do poço ao posto’. Sem isso, o Brasil continuará vulnerável às oscilações internacionais e a práticas de mercado que pressionam os preços”, afirma o coordenador da FUP, Deyvid Bacelar.
Conforme denuncia o artigo, desde o início da guerra dos EUA e Israel contra o Irã, a Acelen, que comprou a refinaria da Bahia em 2021, reajustou o diesel em 88%, a gasolina em quase 60% e o gás de cozinha em 15,2%. No mesmo período, a Petrobrás não reajustou os preços da gasolina e do gás de cozinha e elevou em 11,4% o preço do diesel.
Segundo a entidade, “as distorções também aparecem no repasse ao consumidor”. A FUP afirma que levantamento da ANP (Agência Nacional de Petróleo) indica que, em março, os postos de combustíveis aumentaram o diesel S500 em 11,8% e o S10, em 12%. “Isso mesmo após medidas do governo federal para conter os preços, como a redução de tributos”, ressalta a entidade.
“Enquanto a Petrobrás mantém os preços estáveis, sem reajustes no gás de cozinha na refinaria desde novembro de 2024, há agentes privados promovendo reajustes acelerados que não refletem a realidade do mercado nacional e acabam pressionando artificialmente o custo do gás de cozinha para a população. A Petrobrás produz 75% do gás de cozinha do Brasil, o restante é importado por ela, que não reajusta o preço do produto desde novembro de 2024”, informa Cloviomar Cararine, da subseção FUP do Dieese.
Segundo ela, “a pressão das distribuidoras por reajustes não se justifica, pois a Acelen, que aumentou ontem o gás de cozinha em 15%, fornece para apenas três cidades da Bahia. Ou seja, o efeito da alta é localizado e não em todo o país”, finaliza.
A FUP também defende, além da reestatização das refinarias privatizadas, a retomada da atuação da Petrobrás na distribuição de combustíveis “como medidas essenciais para garantir soberania energética, estabilidade de preços e proteção ao consumidor”. “A autossuficiência só será alcançada de forma sustentável, com planejamento de longo prazo, investimentos em refino e controle público sobre os setores estratégicos da cadeia de óleo e gás, retomando a verticalização e integração do Sistema Petrobrás”, diz a entidade.
A FUP registra ainda que o presidente Lula, em recente evento em Salvador, defendeu a reestatização da BR e da Liquigás, distribuidoras do Sistema Petrobrás que foram privatizadas no governo Bolsonaro, além de afirmar que o governo vai anular o leilão online de GLP conduzido pela gestão da Petrobrás.
“Eu estou ansioso para adquirir a distribuidora de gás outra vez, porque é uma vergonha (a privatização). Ontem fizeram um leilão contra a vontade nossa do governo e contra a vontade da presidenta da Petrobras. Foi um diretor que eu nem sei quem é que fez o leilão e aumentou em 100% o ágio, aumentou o preço do gás. Nós não vamos deixar chegar em vocês. Nós vamos anular o leilão Ele será anulado”, afirmou o presidente em evento em Salvador na quinta-feira (2).











