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Desembolsos somaram R$ 133,7 bi em 2024, alta de 17% ante 2023
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) realizou em 2024 “a maior injeção de crédito da história da instituição, com aprovações e garantias que somaram R$ 276,5 bilhões” um aumento de 26% em relação a 2023, segundo divulgou o banco de fomento na terça-feira (25).
A aprovação de crédito cresceu 22% em relação a 2023. Os recursos efetivamente liberados no ano, os desembolsos, somaram R$ 133,7 bilhões, um aumento de 17% ante o ano anterior.
As consultas por novos financiamentos cresceram 21%, para R$ 327,7 bilhões em 2024. A carteira de crédito, a maior desde 2017, com R$ 584,8 bilhões, e vem crescendo, aumentou 13,6% em 2024. A inadimplência foi a menor do sistema financeiro (0,001%).
“Temos um valor recorde nominal em impacto em créditos da economia de R$ 276,5 bilhões, sendo R$ 63,9 bilhões via fundo garantidor e R$ 212,5 bilhões pelo crédito do BNDES, direto e indireto, já que uma parte disso a gente faz com os agentes parceiros. É um recorde histórico e um aumento de 81% em relação a 2022. Foi um trabalho extraordinário o esforço que o Banco fez para poder chegar a este resultado”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, ao divulgar o balanço do banco.
Mercadante celebrou o crescimento da demanda pela indústria, que pela primeira vez desde 2017 ficou à frente do agronegócio nas aprovações de financiamentos pelo banco. “A indústria é um setor que gera muito valor agregado, mão de obra, empregos mais qualificados, gera inovação tecnológica”, ressaltou. “No caso da NIB [Nova Indústria Brasil], nós fizemos 191 bilhões de reais em dois anos, do nosso projeto de 300 bilhões em quatro anos, já fizemos mais de 70% em dois anos”.
“O crédito para indústria superou o crédito para o agronegócio, o que mostra o sucesso das políticas voltadas para o fortalecimento da indústria, principalmente da NIB, nesses últimos dois anos”, reforçou o diretor Financeiro do BNDES, Alexandre Abreu.
As aprovações para a indústria ficaram em R$ 54,4 bilhões e para o agronegócio em R$ 53,3 bilhões. O incremento de 2023 para 2024 foi de 65% nas aprovações para a indústria enquanto que para o agro situou-se 26% de um ano para o outro. Uma mudança fundamental para impulsionar a indústria brasileira, considerando ainda que o Plano Safra 2024/25, que tem juros mais baixos que os de mercado, já prevê para o setor recursos que podem atingir até R$ 400 bilhões
LUCRO E DIVIDENDOS
O BNDES obteve em 2024 um lucro líquido de R$ 26,4 bilhões, um crescimento de 20,5% sobre 2023. Desse montante R$ 13,2 bilhões foram gerados pela atividade operacional da instituição, ou seja, recorrentes, obtidos dos juros das cessões de crédito que também registraram alta, que foi de 11,1% em relação ao ano anterior. Os demais R$ 13,2 bilhões decorreram de eventos não recorrentes, que foram gerados por fontes não operacionais, foram os dividendos ganhos sobre as ações da Petrobrás, JBS e outras empresas..
O banco ainda não definiu quanto distribuirá de dividendos sobre o lucro de 2024. Em 2023, foram R$ 29,5 bilhões: R$ 13,4 bi referente ao lucro de 2023 e R$ 16,1 bilhões de lucros anteriores.
“Registro que foi um esforço extraordinário do BNDES contribuir com o arcabouço fiscal, muito além do lucro que nós tínhamos em 2023. Em relação a 2023 é 150%”, disse Mercadante. “Isso foi direto para o Tesouro”, completou. “O mínimo obrigatório é 25% [do lucro], mas acho que vai ser um pouco superior a isso”, completou o diretor Alexandre Abreu.
A prevalecer esse encaminhamento o BNDES perderia a oportunidade de reforçar seu lastreamento com recursos próprios para gerar novos empréstimos, ao invés de transferi-lo para o Tesouro, que nesse momento, seriam esterilizados no pagamento de juros para bancos.