O Bar Partisan, na Lapa, no Rio de Janeiro, colocou na entrada do estabelecimento uma placa com a mensagem “cidadãos dos EUA e de Israel não são bem-vindos”, o que gerou incômodo de simpatizantes do sionismo nas redes sociais. A iniciativa, apresentada pelo próprio bar como uma manifestação política em repúdio aos criminosos bombardeios das potências colonialistas contra o Irã, Líbano e Palestina, rapidamente saiu do ambiente local e ganhou alcance nacional.
A repercussão levou à fiscalização do Procon Carioca, que autuou o estabelecimento no último sábado (4). O órgão aplicou multa de R$ 9.520 e classificou a mensagem como prática discriminatória, apontando violação ao Código de Defesa do Consumidor. Segundo a Secretaria Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor, é proibido “qualquer forma de recusa de atendimento sem justificativa legítima, bem como práticas que coloquem o consumidor em situação de constrangimento ou discriminação.” Além da penalidade, o bar também foi enquadrado por atividade econômica irregular e pode ter o alvará de funcionamento cassado.
Com a viralização do caso, o Partisan viu seu alcance digital disparar. O perfil @partisandalapa saiu de cerca de 2 mil seguidores no sábado (4), dia da autuação, para mais de 14 mil até a segunda-feira (6), mais que sextuplicando sua base. Em paralelo, o bar lançou uma campanha de arrecadação de R$ 35 mil para custear a multa e despesas jurídicas. De acordo com os responsáveis, o valor excedente será destinado a “eventos sobre o Oriente Médio, a Palestina, o Líbano, a diáspora árabe no Brasil e os direitos humanos.”
Nos comentários, o público apoiou a iniciativa. Uma internauta celebrou a decisão como uma “manifestação antigenocídio”, enquanto outro afirmou desejar “toda solidariedade ao Partisan. Em momentos históricos marcados por massacres, ocupações e genocídio, o silêncio também é uma escolha política, e que bom que o Partisan tenha decidido não ficar em silêncio. Protestar contra a normalização da barbárie é legítimo.”
Em publicação nas redes sociais, o próprio bar reforçou seu posicionamento político e afirmou que a placa não representou, na prática, uma recusa de atendimento a clientes. O Partisan também se define como mais do que um estabelecimento comercial, descrevendo-se como um “centro cultural de criação, debate e ação política, alinhado aos diretios humanos e às causas sociais”. Criado em 2023, o espaço sustenta que a ação buscou provocar reflexão e debate público sobre os conflitos internacionais, o que acabou ampliando ainda mais a visibilidade do caso.











