BC frustra o país e reduz a taxa Selic em apenas 0,25 pp

Gabriel Galípolo, presidente do BC. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Expectativa do país era de uma redução de no mínimo 0.50 pp. Especulação com petróleo interferiu na decisão. Indústria segue estrangulada, alerta CNI

O Conselho de Política Econômica (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, em reunião realizada nesta quarta-feira (18), reduzir a taxa Selic em 0.25 ponto percentual. A expectativa do país era de no mínimo 0,5 ponto percentual de redução.

A decisão de reduzir a taxa Selic para 14,75% nominais, apontando para um juro real – descontada a inflação – ainda acima dos 10%, mantém o Brasil como o país com o segundo maior juro real do mundo, segundo análise do MoneYou.

A justificativa do BC para que a queda fosse menor foram as “incertezas” no cenário internacional. A elevação dos preços do petróleo, causada pela agressão dos EUA e Israel ao Irã, foi usada como motivo para o corte menor. O BC parte do princípio errado de que a taxa de juros no Brasil tenha algum efeito sobre os preços internacionais dos combustíveis.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), que já havia alertado que a taxa de 15%, que perdurou desde junho do ano passado, dificultava muito os investimentos produtivos no país, assim que saiu a decisão do Copom desta quarta-feira, mostrou sua insatisfação e afirmou que a taxa de 14,75% nominal “é incapaz de reverter os prejuízos à economia”.

Esta decisão frustra a expectativa de viabilizar maiores investimentos produtivos e não interferirá nos preços do petróleo. O único efeito serão as altas despesas financeiras das empresas, da população e do governo. Um choque de oferta, como este, provocado pela agressão ao Irã, não responde à políticas monetárias restritivas como a que o BC insiste em manter.

Além do mais, o Brasil é um país que pode enfrentar essa situação muito mais facilmente. Ele é autossuficiente em produção de petróleo, e até exporta o produto, e tem uma alta capacidade interna de refino. Pode perfeitamente praticar preços internos desvinculados da especulação.

É certo que para isso a Petrobrás terá que funcionar, num momento grave como este, como uma empresa inteiramente pública, ou seja, uma empresa que atenda centralmente aos interesses do país. Ela pode não internalizar os preços especulativos, frutos da guerra. A definição dos preços internos da estatal pode ser feita pelos custos de produção da Petrobrás mais um lucro adequado. Isso garantiria a proteção aos consumidores e à economia do país.

Evidentemente, o fato de não praticar os preços especulativos internacionais, reduziria, um pouco, e por algum tempo, as margens da empresa. Consequentemente haveria uma pequena redução dos gordos dividendos que a estatal tem distribuído nos últimos anos. A Petrobrás é hoje a quarta maior distribuidora de dividendos do mundo. Certamente os acionistas da Petrobrás entenderão a gravidade do que está ocorrendo no mundo e não se recusariam a reduzir um pouco os seus ganhos para ajudar o país.

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