BC mantém juro a 15% e impõe mais três meses de asfixia econômica

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Com a inflação sob controle, juro real, entre os maiores do planeta, sufoca a economia e impede o país de acelerar o crescimento

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, nesta quarta-feira (17), manter a taxa básica de juros (Selic) em 15%, há seis meses neste patamar, o maior nível em 20 anos. Assim, o Brasil se firma com a segunda maior taxa de juro real do planeta, com uma taxa que chega a 11% ao ano, mantendo o país como paraíso do rentismo e o inferno para quem produz.   

No comunicado, o Copom diz que “avalia que a estratégia em curso tem se mostrado adequada” e afirma que “em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros”. “O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião”. O próximo encontro do Copom ocorrerá apenas em março deste ano.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou que “O Banco Central deveria ter iniciado o ciclo de redução dos juros há muito tempo”. “Ao manter a Selic ao nível insustentável, o Copom prejudica a economia, aprofundando a desaceleração do crescimento”, completou. A entidade alerta que o atual patamar da Selic é extremamente excessivo, pois representa uma taxa de juros real de 10,5% ao ano.       

A decisão do colegiado de diretores do BC, chefiados por Gabriel Galípolo, se dá com a inflação controlada e que segue em movimento de queda no Brasil, além da redução das expectativas de inflação e do dólar recuando frente ao real. A atividade econômica também está em claro movimento de desaceleração, mas o Copom sinalizou que o ciclo de corte se dará a conta-gotas. 

“O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária”, diz trecho do comunicado.   

O Copom segue o ‘script’ desenhado nas últimas semanas pelo chamado “mercado” – leia-se clubinho de banqueiros – que demanda uma agenda forte de cortes dos investimentos públicos e cobra credibilidade fiscal, quando o maior impulsionador do crescimento da dívida é a alta taxa de juros.   

No acumulado em doze meses até novembro de 2025, os gastos do setor público consolidado (União, Estados/municípios e estatais) com os juros somaram R$ 981,9 bilhões (7,77% do PIB) – isso é dinheiro de toda sociedade que vai para o bolso dos banqueiros, rentistas e outros especuladores de títulos da dívida pública.  Em todo ano de 2024, essa despesa atingiu R$ 950 bilhões. Ou seja, os bancos ganham muito com o atual quadro de juros altos.    

Enquanto os banqueiros e rentistas estão impulsionando os seus lucros via Selic a 15% ao ano, a economia encolhe seu crescimento e junto vai para baixo o desempenho das atividades produtivas, o que consequentemente afeta negativamente a geração de empregos formais no país. 

Para o BC, “o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência”. Uma avaliação que despreza totalmente a realidade de milhões de brasileiros, que para sobreviverem estão fazendo “bicos” em aplicativos de serviços (com jornadas de trabalho exaustivas e remunerações de miséria) por conta da falta de oportunidade de empregos de qualidade.    

Em novembro de 2025, a produção industrial ficou parada, 0% de crescimento, após variar +0,1% em outubro e cair – 0,4% em setembro do mesmo ano. No acumulado do ano até novembro a produção industrial registrou alta de 0,6%. Em 2024, a produção industrial cresceu 3,1%. 

Também dependente do crédito, as vendas no comércio varejista brasileiro acumulam uma alta de 1,5% de janeiro a novembro de 2025, seguindo num caminho oposto de 2024, quando o setor fechou em alta de 4,7% no observado dos 12 meses do ano, o maior crescimento registrado desde 2012 (8,4%).     

Os juros têm impactado também setores da economia que são menos dependentes do crédito, como Serviços, que no mês de novembro registrou queda de 0,1%. No acumulado de 2025 até novembro, o setor registra uma alta de chega a 2,7%, um resultado menor que o crescimento de 3,2% observada para o mesmo período do ano de 2024. 

ANTONIO ROSA

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