BC não pode seguir estrangulando o país com esses juros absurdos, denunciam centrais

Com juros altos, não há consumo, não há investimentos e não há geração de empregos, afirmaram os trabalhadores (Foto: CTB)

Bira, da CTB, disse que juros a 15% estão levando todos os anos do nosso país quase 1 trilhão de reais

As centrais sindicais CTB, Força Sindical, Nova Central, UGT, CSB, Intersindical e Pública, além de dirigentes de diversos sindicatos de trabalhadores, saíram às ruas na manhã desta terça-feira (27) em protesto nacional contra os vergonhosos juros praticados no país.

Na principal manifestação, em frente à sede do Banco Central, na Avenida Paulista, em São Paulo, os dirigentes sindicais criticaram o arrocho monetário do Banco Central afirmando que a manutenção da taxa básica de juros em 15% ao ano, “é inaceitável”. De acordo com a unanimidade dos discursos, a taxa Selic nesses patamares elevados “trava o crescimento, reduz empregos e penaliza a classe trabalhadora”.

A manifestação integra a agenda nacional do movimento sindical em defesa do desenvolvimento, do emprego e da valorização do trabalho, e acontece enquanto o Comitê de Política Monetária (Copom) define, em sua sede em Brasília, a nova taxa de juros que será divulgada amanhã (28).

Bira, da CTB nacional, e Renê Vicente, presidente da CTB-SP (Foto: CTB)

O presidente da CTB-SP, Renê Vicente, esteve presente ao ato da Paulista. O vice-presidente nacional da CTB, Ubiracy Dantas, falou sobre a entrevista de Fernando Haddad onde o ministro disse que a questão econômica não deverá ser preponderante nas eleições de 2026. Bira disse que “é bom ele ficar esperto, porque uma taxa de juros a 15%, levando todos os anos do nosso país quase os 1 trilhão de reais, não tem cabimento, não tem sentido”. “Por isso que falta dinheiro para avançar na saúde, fortalecer o SUS, para o desenvolvimento habitacional e fortalecer a indústria nacional”, afirmou Bira.

Para o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, “a redução dos juros é fundamental para reaquecer a economia”. Segundo ele, “taxas mais baixas estimulam o consumo, ampliam a produção e fortalecem o crescimento econômico de forma sustentável, com impacto positivo direto sobre o emprego e a renda”.

“Precisamos de crescimento, empregos e renda, e isso só será possível com uma política econômica que coloque o povo no centro das decisões”, afirmou o secretário-geral da Força, João Carlos Gonçalves (Juruna).

Conforme o presidente da Nova Central SP, Nailton Francisco de Souza (Porreta), “não podemos aceitar uma política econômica que penaliza quem vive do trabalho e concentra renda”.

“Não funciona bem, só dar dinheiro para a especulação financeira, por isso, precisamos lutar por juros mais baixos”, alertou Rodrigo de Moraes, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos SP.

Em sua fala, a secretária Nacional das Mulheres da Força Sindical, Maria Auxiliadora dos Santos, destacou que “essa política penaliza especialmente as mulheres trabalhadoras”.

“É inaceitável conviver com uma inflação controlada, que não chega a 5%, e, ao mesmo tempo, com juros tão altos”. Segundo a sindicalista, essa política aumenta o custo de vida, dificulta o acesso ao crédito e aprofunda desigualdades”. “Precisamos de juros mais baixos para garantir emprego, renda e justiça social”, alertou.

“É urgente reduzir a taxa Selic. Com juros altos, não há consumo, não há investimentos e não há geração de empregos. Essa política sufoca a economia e penaliza milhões de trabalhadores que dependem do crescimento para garantir renda e dignidade”, reforçou o diretor do Sindicato dos Comerciários de São Paulo (SECSP) e representante da UGT, Josimar Andrade.

Portando faixas e cartazes, as lideranças sindicais entoaram em coro: “Eu quero já! Eu quero ver o juro baixar!”, exigindo que o Banco Central reveja sua estratégia e adote medidas que estejam alinhadas às necessidades sociais do país.

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