“Bolso-Master”: fundo ligado ao PCC passou R$ 180 mi a cunhado de Vorcaro

Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Os dois estão presos (Foto: reprodução de redes sociais)

Banco Master, que foi protegido por Campos Neto e recebeu bilhões de governadores bolsonaristas, lavou dinheiro do PCC e deu um golpe bilionário no país

O escândalo “bolso-Master” ganhou mais um capítulo nesta quarta-feira (18). O fundo Gold Style, administrado pelo Reag, enviou R$ 180 milhões para a Super Empreendimentos, empresa que teve o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, como diretor entre 2021 e 2024.

Os dados mostrando essa transferência foram recebidos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) pela CPI do Crime Organizado. O Fundo da Reag, ligado ao Master e liquidado pelo BC, recebeu, através do Fundo de Investimento em Direito Creditório (FIDC) Gold Style, R$ 1 bilhão de empresas ligadas à lavagem de dinheiro do PCC. A facção utilizou a estrutura de fundos da Reag para lavar dinheiro.

Entre os recebimentos pelo Gold Style estão R$ 175 milhões da Inovanti Instituição de Pagamento, fintech apontada em comunicados bancários ao Coaf como uma instituição que movimentou mais de R$ 778 milhões de pessoas físicas e jurídicas investigadas pela Operação Carbono Oculto.

Dentre o que foi repassado à Gold Style pelas empresas investigadas por ligações com o PCC, estão R$ 759,5 milhões feitos pela Aster Petróleo, distribuidora de combustíveis sabidamente ligada ao PCC. De acordo com as investigações da operação Carbono Oculto, a distribuidora era usada na engrenagem do grande esquema de lavagem de dinheiro e sonegação de impostos em todo o setor de combustíveis de oito estados brasileiros.

Fabiano Zettel, cunhado e capanga de Vorcaro, que recebeu os R$ 180 milhões dados pelo fundo Gold Style à Super Empreendimentos, está preso. Ele foi o mesmo que despejou R$ 3 milhões na campanha de Jair Bolsonaro e R$ 2 milhões na campanha de Tarcísio de Freitas, como diretor entre 2021 e 2024. O dono do Master deu um golpe em seus clientes que chega a R$ 50 bilhões.

O Banco Master, de Daniel Vorcaro, explodiu de ganhar dinheiro durante o governo de Jair Bolsonaro. Aliás, hoje se sabe que vários bolsonaristas são cúmplices nos golpes de Vorcaro. Para começar, até 2019 o banco não tinha autorização para operar no mercado. Quem deu a autorização para o golpista atuar na praça foi o bolsonarista Roberto Campos Neto, que era presidente do BC. A partir daí, foram golpes atrás de golpes.

Entre suas negociatas bilionárias, uma das mais escandalosas foi a venda de uma carteira de crédito falsa, no valor de R$ 12 bilhões, para o BRB. A operação foi misteriosamente autorizada pelo bolsonarista Ibaneis Rocha, governador de Brasília. Outro governador bolsonarista, Cláudio Castro, do Rio de Janeiro, também injetou R$ 1 bilhão do fundo dos aposentados do estado do Rio no banco falido. Sem falar no esforço feito por Ciro Nogueira da tropa fascista no Senado, que fez tudo para que o BRB consumasse a negociata escandalosa da compra do Master.

Além dos governadores que injetaram dinheiro público, e de Campos Neto, que acobertou no BC os crimes de Vorcaro, outras autoridades do governo Jair Bolsonaro fizeram vista grossa para a lavagem de dinheiro que o banco estava fazendo para o PCC (Primeiro Comando da Capital), a maior facção criminosa do Brasil. Não por outro motivo, Guilherme Derrite, secretário de Tarcísio de Freitas, tentou afastar a PF das investigações. Ele fez de tudo para deturpar a lei antifacção de Lula e enfraquecer a ação da Polícia Federal.

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