Segundo o liquidante, ao menos R$ 1,2 bi foram localizados até o momento em duas arapucas em paraísos fiscais. A cadeia inclui o Dublin Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Não Padronizados (FIDC), a Jaguar Investments Horizon LLC, sediada nos EUA, e a Jaguar Multimarket Fund Ltd., fundo registrado em Cayman
Reportagem do site UOL desta quarta-feira (25) revela que o Banco Master transferiu ao menos R$ 494 milhões para um fundo controlado por uma offshore nas Ilhas Cayman ligada a Daniel Vorcaro. O dinheiro foi desviado dos ganhos com as que operações que o banco obteve de órgãos públicos durante o governo Bolsonaro.
O liquidante do banco encontrou também transferências do Fundo Máxima 2 – outro fundo do ecossistema do Master – diretamente à Jaguar Horizon, para suposta aquisição de ativos da Jaguar Cayman. A empresa é diferente da Titan Capital Holding, também nas Ilhas Cayman, que, segundo relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) obtido pelo jornal O Globo, recebeu R$ 700 milhões de empresas ligadas a Vorcaro.
LOCALIZADOS ATÉ AGORA R$ 1,2 BILHÃO
Ao todo, portanto, as duas empresas no paraíso fiscal receberam cerca de R$ 1,2 bilhão identificado até o momento.
Uma ação movida pelo liquidante do Master localizou a cadeia incluindo o Dublin Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Não Padronizados (FIDC), a Jaguar Investments Horizon LLC, sediada nos Estados Unidos, e a Jaguar Multimarket Fund Ltd., fundo registrado nas Ilhas Cayman.
O Dublin FIDC é integralmente detido pela Jaguar Horizon, que é 100% controlada pelo Jaa Jaguar Multimarket Fund Ltd., fundo registrado nas Ilhas Cayman. O liquidante sustenta que Vorcaro estava nos dois extremos da operação: como controlador do banco que enviava os recursos ao fundo e como beneficiário final da estrutura que os recebia.
As transferências ao Dublin foram feitas entre 2023 e 2025, quando o banco estava sendo investigado, tanto pelo Banco Central quanto pela Polícia Federal. O pretexto para a transferência foi a aquisição de direitos creditórios. Quem as ordenava era Ascendino Madureira Garcia, o Dino Garcia, descrito na petição como operador financeiro de Vorcaro.
MANSÕES E CARROS DE LUXO FORA DO BRASIL
Entre 2019 e 2024, o banqueiro esbanjou o dinheiro desviado. Mais de R$ 900 milhões em viagens, festas e presentes. Seu noivado em Roma custou R$ 21 milhões. Um iate encomendado na Alemanha, batizado de Martha, custou R$ 520 milhões. Ele comprou uma Mansão em Miami de R$ 450 milhões. Adquiriu também uma coleção de carros incluindo um Rolls-Royce Cullinan, uma Mercedes-Benz G-Class e um Land Rover Defender deixados com a namorada nos Estados Unidos.
O golpe de Vorcaro chega a mais de R$ 50 bilhões. Cerca de 1,6 milhão de investidores foram afetados. No total ele captou R$ 41 bilhões em CDBs. Nas plataformas da XP, do BTG e do Nubank, aparecia um produto simples: CDB do Banco Master, rendendo até 140% do CDI. O título parecia dinheiro fácil. Seguro, inclusive — estava escrito lá: garantido pelo “FGC”. As três corretoras embolsaram comissões de até 5% sobre cada venda.
Tudo isso era feito sob as barbas de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, indicado por Jair Bolsonaro. Dezoito fundos de previdência pública — responsáveis pelas aposentadorias de servidores de estados e municípios — participaram da negociata de Vorcaro. Eles aplicaram R$ 1,87 bilhão em letras financeiras do Master. Esse tipo de título não tem cobertura do FGC.
APOSENTADOS LESADOS
O Rioprevidência colocou R$ 970 milhões com a autorização do governador bolsonarista Cláudio Castro. O Amapá, R$ 400 milhões. Maceió, R$ 97 milhões. Esses fundos perdem a aposentadoria de servidores que pagaram a vida inteira. A Polícia Federal já prendeu o ex-presidente do Rioprevidência por corrupção.
O dinheiro de Vorcaro veio de dois lugares: do pequeno investidor que acreditou no rendimento fácil e do servidor público que ainda não sabe se vai receber sua aposentadoria. Quase todos os servidores atingidos são de gestões bolsonaristas, o que confirma a profunda ligação entre o esquem político fascista e as fraudes do Master.
Essa arquitetura de desvio de dinheiro para fora do país foi planejada antes de Vorcaro assumir o controle do banco. Em novembro de 2017, Benjamim Botelho de Almeida —ex-diretor da Sefer Investimentos e também investigado— enviou a Vorcaro um email com um documento descrevendo uma estrutura chamada “Maxima Wealth Management”.
Era uma estrutura desenhada para movimentar ativos por meio de offshores e veículos norte-americanos, em benefício do banqueiro. Dois meses depois, em janeiro de 2018, Antonio Carlos Freixo Júnior, diretor da Entre Investimentos e réu junto a Vorcaro em processo administrativo na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) por operações fraudulentas no mercado de capitais, escreveu a Vorcaro sobre a criação do Jaguar Cayman. Freixo Júnior também encaminhou uma fatura de constituição do fundo à Dartmouth International Services, empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas especializada em estruturar empresas offshore.











