Diretor do BRB, indicado por Ibaneis, disse que não sabia que a empresa Tirreno, com data de criação adulterada, era de fachada. Os indicados de Cláudio Castro na Rioprevidência jogaram dinheiro pela janela em Camburiú
Os bolsonaristas primeiro tentara viabilizar a negociata do Master com o BRB. Depois tentaram de todas as formas possíveis apagar as provas de seu envolvimento com as falcatruas de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Desde o diretor do banco de Brasília, indicado por Ibanis Rocha, e que injetou R$ 12 bi nos cofres do Master – dizendo na cara dura que não sabia que os papéis do banco eram podres – até malas de dinheiro sendo jogadas pelas janelas em Camburiú.
A Polícia Federal flagrou vários episódios dantescos dos criminosos tentando impedir que os investigadores chegassem nas provas dos crimes. O advogado Deivis Marcon Antunes, por exemplo, ex-presidente do Rioprevidência, indicado pelo governador bolsonarista, Cláudio Castro, e que desviou R$ 1 bilhão do fundo para o Banco Master, foi pego destruindo vídeos de segurança do prédio onde morava e do apartamento alugado por ele – no mesmo prédio – para operar as falcatruas.

Na operação Barco de Papel, da Polícia Federal, o apartamento alugado no mesmo prédio da residência chamou a atenção dos investigadores. Aos vizinhos, Deivis havia dito que era para “servir de área de recreação para seu filho”. A investigação da PF aponta, porém, que o imóvel, na verdade, era ocupado pelos irmãos gêmeos Rodrigo e Rafael Schmitz, cúmplices de Deivis. A dupla também foi presa na terça-feira (3).
Esse foi um dos motivos que levou a juíza federal Katia Maria Maia de Oliveira, da 6ª Vara Federal Criminal a determinar a prisão temporária do ex-presidente do Rioprevidência. Daivis foi preso na terça-feira (3) após voltar de uma viagem aos Estados Unidos. A decisão de retirar R$ 1 bilhão dos aposentados inscritos no fundo de pensão e aplicar num banco que já apresentava sinais claros de estar em crise, tendo sido liquidado logo e seguida, não poderia ser tomada sem o conhecimento e a autorização do governador.
Mas não parou por aí. Na sequência da operação Barco de Papel, a Polícia Federal chegou ao Balneário Camboriú, em Santa Catarina em perseguição ao material desviado no Rio de Janeiro. Assim que a PF chegou ao imóvel, os policiais se surpreenderam com uma chuva de dinheiro.
A cena do dinheiro atirado pela janela repercutiu no país inteiro: cédulas foram vistas voando e foram encontradas no chão enquanto a PF cumpria as ordens judiciais. O montante arremessado doo prédio em Camboriú (SC) soma R$ 429 mil, segundo a contagem dos investigadores.
A Operação Barco de Papel mira crimes contra o sistema financeiro que envolvem investimentos da Rioprevidência no Banco Master — instituição que foi posteriormente liquidada pelo Banco Central depois de enfrentar graves problemas de liquidez e violações às normas. Deivis Marcon Antunes, o ex-presidente nomeado pelo governador Cláudios Castro para controlar a Rioprevidência, já está preso.

Sobre o depoimento do ex-diretor do BRB, Paulo Henrique Costa, representante do governo do DF no banco, foi tão dantesco quanto o dinheiro jogado pela janela em Camburiú. Foram R$ 12 bilhões do banco público, usados para comprar papéis podres do Master. A principal empresa usada para a transação, a Tirreno, era falsa. Tinha sido registrada em 2025, mas foi criminosamente antedatada para 2024.
Foi esta fraude que viabilizou a compra das carteiras falsas do Master, e o diretor do BRB simplesmente disse que não sabia de nada e despejou R$ 12 bilhões na negociata. Outra empresa que vendeu R$ 1,7 bilhão ao BRB tinha uma balconista de lanchonete como dona. Ela não sabia de nada. A empresa era falsa. Não há como acreditar na fala do diretor do BRB. A declaração não passou de uma tentativa de anular provas dos crimes.











