Brasil e mais 90 países condenam o assalto de Israel contra a Cisjordânia

Soldados israelenses contra uma palestina (Foto: Jaafar Ashtiyeh - AFP)

“Nossa firme oposição a qualquer forma de anexação” e deve ser “imediatamente revertida”, diz a declaração

O Brasil e outros 90 países assinaram uma nota condenando “veementemente” a decisão de Israel de aprofundar a colonização da Cisjordânia, o que é contrário ao direito internacional e deve ser “imediatamente revertido”.

“Sublinhamos, a esse respeito, a nossa firme oposição a qualquer forma de anexação”, diz o texto.

O governo de Israel iniciou um processo de anexação das terras da Cisjordânia por meio da venda para colonos.

“Tais medidas violam o direito internacional, minam os esforços em curso em prol da paz e da estabilidade na região, vão de encontro ao Plano Abrangente e colocam em risco a perspectiva de alcançar um acordo de paz que ponha fim ao conflito”, continua.

A nota é assinada por 91 países de todos os continentes, além da Liga dos Estados Árabes, da Organização da Cooperação Islâmica e da União Europeia.

O documento ainda defende que a paz justa e duradoura deve abarcar a solução de dois estados, “na qual dois Estados democráticos, uma Palestina independente e soberana e Israel, vivam lado a lado em paz e segurança, dentro de suas fronteiras seguras e reconhecidas”, e é o “único caminho para garantir segurança e estabilidade na região”.

A subsecretária-geral da ONU, Rosemary DiCarlo, comentou em uma reunião do Conselho de Segurança que “estamos sendo testemunhas de uma anexação gradual de fato da Cisjordânia, enquanto as medidas unilaterais israelenses transformam gradualmente a realidade no terreno”.

Leia a nota na íntegra:

“Condenamos veementemente as decisões e medidas unilaterais israelenses destinadas a expandir a presença ilegal de Israel na Cisjordânia. Tais decisões são contrárias às obrigações de Israel nos termos do direito internacional e devem ser imediatamente revertidas.

Reiteramos a nossa rejeição a todas as medidas destinadas a alterar a composição demográfica, o caráter e o status do Território Palestino Ocupado desde 1967, incluindo Jerusalém Oriental. Tais medidas violam o direito internacional, minam os esforços em curso em prol da paz e da estabilidade na região, vão de encontro ao Plano Abrangente e colocam em risco a perspectiva de alcançar um acordo de paz que ponha fim ao conflito.

Reafirmamos o nosso compromisso, refletido na Declaração de Nova York, de adotar medidas concretas, em conformidade com o direito internacional e em consonância com as resoluções pertinentes das Nações Unidas e com o Parecer Consultivo da Corte Internacional de Justiça de 19 de julho de 2024, a fim de contribuir para a concretização do direito do povo palestino à autodeterminação e para enfrentar a política ilegal de assentamentos no Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental, bem como políticas e ameaças de deslocamento forçado e anexação.

Reiteramos que uma paz justa e duradoura, com base nas resoluções relevantes das Nações Unidas, nos termos de referência de Madri, incluindo o princípio de terra por paz, e na Iniciativa de Paz Árabe, encerrando a ocupação israelense iniciada em 1967 e implementando a solução de dois Estados — na qual dois Estados democráticos, uma Palestina independente e soberana e Israel, vivam lado a lado em paz e segurança, dentro de suas fronteiras seguras e reconhecidas, com base nas linhas de 1967, inclusive no que diz respeito a Jerusalém — continua sendo o único caminho para garantir segurança e estabilidade na região.”

Assinam:

África do Sul

Alemanha

Andorra

Arábia Saudita

Argélia

Austrália

Áustria

Bahrein

Bangladesh

Belarus

Bélgica

Bósnia-Herzegovina

Brasil

Brunei Darussalam

Canadá

Catar

Chade

Chile

China

Chipre

Colômbia

Cuba

Dinamarca

Djibuti

Egito

El Salvador

Emirados Árabes Unidos

Eslováquia

Eslovênia

Espanha

Estônia

Filipinas

Finlândia

França

Gâmbia

Grécia

Guiana

Iêmen

Índia

Indonésia

Irlanda

Islândia

Itália

Japão

Jordânia

Kuwait

Letônia

Líbano

Libéria

Liechtenstein

Lituânia

Luxemburgo

Malásia

Maldivas

Malta

Marrocos

Maurício

Mauritânia

México

Montenegro

Moçambique

Namíbia

Noruega

Nova Zelândia

Omã

Países Baixos

Paquistão

Polônia

Portugal

Quirguistão

Reino Unido

República da Coreia

República Popular Democrática da Coreia

Rússia

San Marino

São Tomé e Príncipe

Senegal

Síria

Somália

Sudão

Suécia

Suíça

Tadjiquistão

Tanzânia

Turquia

Uganda

Uruguai

Vanuatu

Venezuela

Vietnã

Zimbábue

Liga dos Estados Árabes

Organização da Cooperação Islâmica

União Europeia

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