Brasil rechaça na OEA “lei da selva, bombardeio na Venezuela e sequestro de Maduro”

Embaixador Benoni Belli, representante do Brasil na OEA (Foto: Rafael Cruz - OEA)

Embaixador Benoni Belli afirmou que “o bombardeio e o sequestro do presidente [Nicolás Maduro] são inaceitáveis, e representam uma ameaça à comunidade internacional”

Em reunião extraordinária do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), nesta terça-feira (6), o Brasil condenou qualquer intervenção na Venezuela, após o país ser bombardeado e seu presidente Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores sequestrados pelas hordas militares de Donald Trump, no último sábado (3).

A posição brasileira foi enunciada pelo embaixador Benoni Belli, representante do Brasil no Conselho.

No discurso, Benoni afirmou que “o bombardeio e o sequestro do presidente [Nicolás Maduro] são inaceitáveis, e representam uma ameaça à comunidade internacional”.

“Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e ameaçam a comunidade internacional com um precedente extremamente perigoso”, afirmou.

O embaixador sustentou que a defesa da soberania nacional, com base no direito internacional, é chave para as relações internacionais.

“Se perdermos isso, perderemos a dignidade nacional e nos tornaremos coadjuvantes do nosso próprio destino. As relações de cooperação passarão a ser de subordinação, e assistiremos ao colapso da ordem internacional, que tenderá a ser regida pela lei da selva”, afirmou.

“A soberania nacional, sustentada no direito internacional e nas instituições multilaterais, é fundamental para que os povos possam exercer sua autodeterminação. O edifício multilateral, apesar de suas imperfeições, constitui o único instrumento disponível para assegurar racionalidade, igualdade e justiça entre as nações”, assinalou.

Benoni Belli enfatizou que o Brasil não hesitará em defender a não intervenção e a paz na América do Sul.

O embaixador apontou que os EUA violaram todas as regras da convivência entre os povos civilizados.

“A ação que acaba de acontecer não só viola a proibição do uso da força como lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe”, afirmou.

“O Brasil está convencido, nesse sentido, de que somente um processo político inclusivo, liderado pelas e pelos venezuelanos, livre de ingerências externas, pode conduzir a uma solução que respeite a vontade do povo venezuelano e dignidade humana do país”, concluiu.

Uma manifestante protestou contra a invasão dos EUA na Venezuela durante o discurso do embaixador dos Estados Unidos, Leandro Lizzuto. A reunião chegou a ser suspensa momentaneamente para a retirada da manifestante, que não foi identificada.

Nesta segunda-feira (5), o Brasil também condenou o ataque norte-americano durante reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

O embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Danese, disse que não é possível “aceitar o argumento de que os fins justificam os meios”, pois esse raciocínio “carece de legitimidade e abre a possibilidade de conceder aos mais fortes o direito de definir o que é justo ou injusto, correto ou incorreto, e até mesmo de ignorar as soberanias nacionais, impondo decisões aos mais fracos.”

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