CHRIS HEDGES
Os assassinatos de civis desarmados nas ruas de Minneapolis, incluindo o do enfermeiro de terapia intensiva, Alex Jeffrey Pretti, não seriam um choque para os iraquianos em Fallujah ou os afegãos na província de Helmand. Eles foram aterrorizados por esquadrões de execução norte-americanos, fortemente armados, por décadas.
Não seriam um choque para nenhum dos alunos para os quais eu ensino na prisão. Polícia militarizada em bairros urbanos pobres, derruba portas sem mandados e mata com a mesma impunidade e falta de responsabilização.
O que o resto de nós está enfrentando agora, é o que Aimé Césaire chamou de bumerangue imperial. Os impérios, quando decaem, empregam em seu interior as formas selvagens de controle que usam sobre aqueles que subjugam no exterior, ou sobre aqueles que são demonizados pela sociedade em geral, em nome da lei e da ordem, na pátria.
A tirania que Atenas impôs a outros, observou Tucídides, finalmente, com o colapso da democracia ateniense, foi imposta a si mesma.
Mas antes de nos tornarmos vítimas do terror de Estado, éramos cúmplices. Antes de expressarmos indignação moral com a tomada indiscriminada de vidas inocentes, toleramos, e muitas vezes celebramos, as mesmas táticas da Gestapo, desde que fossem dirigidas àqueles que viviam nas nações que ocupamos ou aos negros e pobres norte-americanos.
Semeamos o vento, agora vamos colher o turbilhão.
A maquinaria do terror, aperfeiçoada naqueles que abandonamos e traímos, incluindo os palestinos em Gaza, está pronta para nós.
Tradução HP
Chris Hedeges é escritor e jornalista, vencedor do Prêmio Pulitzer de jornalismo











